domingo, 30 de agosto de 2009

O ESTRELISMO DE ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO


Os grandes astros da música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira, ficam sempre se achando. É o DJ Marlboro se achando "militante cultural", é o Alexandre Pires se julgando "sofisticado", é aquela cantora baiana que fica tirando sorte grande com poeira se achando rainha da cocada preta, é o Bell Marques metido a galã, são o Chitãozinho & Xororó metidos a "tradicionais". E são Zezé Di Camargo & Luciano se achando os "donos da MPB".

Que o estrelismo da dupla goiana é notório, isso é verdade. Zezé Di Camargo fala muitas bobagens a respeito de amor, romantismo, fãs. Um exemplo: "As mulheres me inspiram, meu lado feminino é sapatão".

Mas até a comparação com Roberto Carlos rende outro exemplo. Perguntado sobre o que Zezé Di Camargo imagina estar fazendo daqui a 32 anos (já que a dupla goiana que se ascendeu com ajuda de Fernando Collor tem 18 anos de carreira), ele dispara o seguinte: "Ah, igual ao Roberto! Cantando, enxutão igual a ele, um coroa em forma. Se eu chegar lá com aquele físico, falando em mulher o tempo todo como ele fala, estou feito! Roberto diz que o maior estímulo para um homem cuidar da saúde, estar bem fisicamente, é uma mulher. Então, quero estar como ele, cantando, sendo amado pelo Brasil, um garotão, falando muita sacanagem".

Mas o irmão Luciano, o "intelectual" da dupla, também não perde em pretensiosismo e arrogância. Ambos os irmãos estão envaidecidos com o sucesso, como pode ver, na íntegra, a entrevista que os goianos deram ao jornal Extra, das Organizações Globo. Que, para infelicidade de Carta Capital (que ingenuamente homenageou a dupla na última página de uma edição), é apadrinhada pela mega-corporação dos irmãos Marinho.

Luciano Camargo teve a cara-de-pau de afirmar que os dois "já garantiram seu espaço. Hoje, não se escreve um livro sobre MPB sem se dedicar um bom capítulo a nós dois". Ridícula essa afirmação, em se tratando de uma dupla de neo-brega que, por isso mesmo, na essência nada tem a ver com MPB, até porque MPB é uma coisa séria, não é casa da sogra nem festinha de comédia juvenil ianque para todo mundo ir entrando.

Além disso, se os livros sobre MPB se lembram da dupla goiana, sobretudo por "É o Amor" - Maria Bethania, regravando a música, garantiu o lobby para os goianos - , é porque seus autores queriam cortejar a mídia gorda, verdadeira madrinha dos breganejos.

Tem historiador de MPB querendo aparecer no telejornal Hoje no Fantástico, no Domingão do Faustão, na Ilustrada da Folha de São Paulo, então ele vai colocar um tópico elogioso sobre Zezé Di Camargo & Luciano no seu livro sobre MPB para fazer a média com os "ezecutivos" da mídia gorda. Não é para valorizar a dupla, que, por si só, não tem valor algum. Tudo o que Zezé Di Camargo & Luciano fizeram na vida foi tão somente um cruzamento de Bon Jovi com Waldick Soriano.

Me lembro de um episódio do livro Analista de Bagé do Luiz Fernando Veríssimo que um dos homens em discussão fala que gaúcho fala mal espanhol e pensa que é português. Pois Zezé Di Camargo & Luciano fazem uma gororoba malfeita de mariachi, bolero e country e pensam que é moda de viola.

Sem falar que muito dos 18 sucessos da dupla goiana, como todo nome da Música de Cabresto Brasileira, se deve mesmo ao jabaculê pago regularmente para emissoras de rádio e TV de todo o país. Isso nem a mais dedicada biografia da dupla goiana tem coragem de afirmar.

Um comentário:

Edilson Trekking disse...

É como você disse em algum dos seus brilhantes artigos:"Uma grande parcela do povo é analfabeto". É por isso que essa dupla do brega-popularesco fazem sucesso, assim como as igrejas neo-pentecostais fazem sucesso.Eles falam a linguagem do povão.
A "música" desses caras é dirigida a sociedade inculta e alienada.
O som desses caras faz muito sucesso também em "zonão".