segunda-feira, 10 de agosto de 2009

JOSÉ SARNEY ABANDONADO ATÉ POR QUEM DEVERIA APOIÁ-LO


Quanta "injustiça". O pessoal que deveria apoiar o senador José Sarney nos seus momentos mais difíceis, hoje se faz de ingrato e quer repudiá-lo.

Os empresários das "rádios AM em FM" e das FMs popularescas deveriam ser solidários ao senador. Foi José Sarney que favoreceu esses empresários através das farras de concessões de rádios FM nos anos 80. A partir dessas concessões, vieram as redes de rádio nos governos Collor e FHC que, dizimando emissoras regionais, aumentou o poder das oligarquias paulistas de radiodifusão (Jovem Pan, Transamérica, Bandeirantes etc.). E os políticos regionais que controlavam essas rádios podiam optar entre usar "laranjas" para representá-los no quadro proprietário ou então esses próprios políticos poderiam encerrar a carreira partidária e se passarem por "radiojornalistas", fazendo curso de locução às pressas em última hora e aprendendo macetes de radiojornalismo e jornalismo em geral (claro, não iriam mesmo enfrentar uma Faculdade de Comunicação).

Os produtores e empresários ligados a ídolos popularescos também deveriam agradecer ao José Sarney. Foi ele, junto com Antônio Carlos Magalhães, o inventor da axé-music, que lançou o ritmo baiano em território nacional, empurrando o indigesto ritmo até em Florianópolis e Belo Horizonte. A dita "música sertaneja" também deveria agradecer ao José Sarney tanto pelas FMs que, com a farra de concessões, ele incentivou, junto a latifundiários e empresários do agronegócio, que, assim, poderiam montar qualquer dupla breganeja, desde as que usam nomes simples para disfarçar nomes de batismo esquisitos (tipo batizar de José & João para irmãos que se chamam Euzaquiel & Geronemias) até duplas novas cujos nomes plagiam artistas de MPB (como uma possível vindoura dupla goiana Gilberto Gil & Caetano).

As vaquejadas, micaretas, "bailes funk", o futebol brasileiro, as "rádios AM em FM", os cientistas sociais adeptos do brega, os "Olavo Bruno" e "Eugênio Raggi" da vida, todos deveriam estar rezando pela permanência de Sarney no Senado. Tudo que eles vivem, pensam e acreditam eles devem muito ao hoje senador, quando ele era presidente da República.

Não adianta dizer que isso nada tem a ver, porque tem, e muito.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Há de se convir que, em 1995, um monte dessas rádios dadas pelo presidente Sarney tocaram na maior cara de pau a música "Luiz Inácio (300 picaretas)", dos Paralamas. É a música que diz "ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão de rádio FM e televisão".

Hoje, os Paralamas visitam Lula no Palácio do Planalto e não fazem mais referência aos 300 picaretas, e Lula é amigo de Sarney.

Sobre o artigo, faltou mencionar as emissoras de rádio que Sarney deu, mas foram compradas ou arrendadas por igrejolas de Picaretas de Cristo.