sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A INGENUIDADE DOS FUNDADORES DO JORNAL DA BAHIA


Como prometi, a série de ingenuidades do nosso blog mostra agora o triste caso dos fundadores do Jornal da Bahia, João Falcão, assumidamente comunista, e seu parceiro João Carlos Teixeira Gomes, o Joca.

O Jornal da Bahia, que pelo nome foi fundado em Salvador, capital da Bahia, foi um veículo que transformou decisivamente a imprensa local. Equivaleu, no Estado, ao Diário Carioca no Rio de Janeiro, no que se refere à reformulação visual, pois foi o primeiro jornal baiano e criar um tipo de página "limpa", sem sobrecarga de textos, mas havendo um equilíbrio entre textos e fotos.

Sua equipe fundadora incluiu, além dos dois, vários intelectuais e jornalistas baianos. Destaca-se, entre eles, o hoje escritor João Ubaldo Ribeiro e o cineasta Glauber Rocha, que naqueles idos de 1958 já tinha vontade de pôr em prática suas teorias cinematográficas (era frequentador do cineclube organizado pelo crítico baiano Walter da Silveira) e naquela década já preparava o filme Barravento (concluído em 1961) e o curta O Pátio.

Durante a ditadura militar, o JBa teve uma militância semelhante ao do Correio da Manhã carioca. Adotou uma postura crítica enérgica, o que irritou um dos aliados dos militares, o então político ascendente Antônio Carlos Magalhães, que fez de tudo para destruir o jornal, sobretudo usando artifícios jurídicos, em conformidade com os atos institucionais lançados pelos governos militares.

Esta fase está documentada nos livros de João Falcão, Não deixe esta chama se apagar e de Teixeira Gomes, Memórias nas trevas. Os dois livros relatam a perseguição de ACM ao Jornal da Bahia, só cometeram o equívoco de omitir o verdadeiro desfecho final do periódico baiano.

MÁRIO KERTÈSZ ERA LIGADO A ACM QUANDO ASSUMIU O JORNAL DA BAHIA

A ingenuidade maior de Joca e Falcão está em omitir a gravidade do caso Kertèsz como comparsa de ACM no fim do Jornal da Bahia. Aqui os jornalistas cometem erros. Joca cita Kertèsz ainda como "desafeto" de ACM, quando em 1990, ao assumir a intervenção no JBa, o hoje dono da Rádio Metrópole voltou a estar ligado ao "cabeça branca" (como recentemente está ligado aos herdeiros do carlismo). Falcão inocentemente escreve que "Kertèsz fez de tudo para manter o jornal circulando", sem saber que foi o dono da Metrópole e ex-prefeito de Salvador (então envolvido num gigantesco esquema de corrupção) que justamente eliminou o que o Jornal da Bahia tinha de mais caro: sua personalidade editorial.

Quem acompanhou a fase 1990-1994 do Jornal da Bahia sabe que, com Kertèsz, o JBa tornou-se um periódico porno-policialesco da pior qualidade, altamente tendencioso, malfeito, desinformativo. Mas que interesse tiveram Joca e Falcão em omitir essa fase desastrosa? Os dois tiveram seu "filho" sequestrado e morto e ainda vão agradecer ao sequestrador?

Essa ingenuidade impediu que a lembrança dos 50 anos do Jornal da Bahia, no ano passado, fosse feita de forma adequada e digna. Poucos se lembram do Jornal da Bahia. E seus fundadores, inocentando um dos culpados pelo fim do jornal, só contribuem com a memória nas trevas que a imprensa baiana sofre diante do grande público.

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