segunda-feira, 10 de agosto de 2009

HELENA IGNEZ CRITICA SORDIDEZ DA ALTA SOCIEDADE BAIANA



Helena Ignez é uma das grandes figuras do cinema brasileiro, tendo participado de inúmeros filmes, como "A Grande Feira"(1961), de Roberto Pires, "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha e "O Bandido da Luz Vermelha" (1968) e "A Mulher de Todos" (1969), estes de Rogério Sganzerla. Foi casada com Glauber e Rogério, e tem uma filha atriz, Djin Sganzerla, que lembra muito a Helena Ignez nos anos 60.

A atriz baiana lança hoje seu primeiro longa-metragem como diretora, "Canção de Baal", baseada em peça de Bertolt Brecht, em exibição hoje no 37º Festival de Cinema de Gramado (RS). No elenco, além da Djin, tem também outras belas atrizes, Simone Spoladore e Beth Goulart.

Helena vivenciou um triste episódio em 2003, numa mostra de cinema, quando ela, representando Rogério Sganzerla, então doente (ele faleceu no começo de 2004), apresentou a exibição do último filme dele, "O Signo do Caos", no evento. A platéia de "descolados", que havia aplaudido no evento uma homenagem a Glauber Rocha, simplesmente foi embora durante a exibição do filme de Sganzerla, dando prova de que essa "galera" tenta gostar de cultura, mas nem tanto assim. Foi constrangedor para Helena Ignez, na situação.

Na entrevista de hoje ao portal G1, Helena fez críticas à alta sociedade baiana: “Fiz as pazes com Salvador. Mas a alta sociedade baiana, no tempo da minha juventude, era de uma sordidez inacreditável. E não mudou muita coisa. Talvez, o problema seja essa herança coronelista que se estendeu até o último instante, com o maior coronel da Bahia, que foi o Antonio Carlos Magalhães”.

Dá para perceber que Helena Ignez tem razão. E não é só a alta sociedade soteropolitana propriamente dita, não. Os "líderes de opinião", a intelectualidade e os políticos esquerdistas (salvo honrosas exceções, como o grandioso historiador Cid Teixeira), também jantam do mesmo caviar da alta sociedade, todos reunidos com gosto na rádio mais "171" do país, a Rádio Metrópole FM.

É lamentável a sordidez da burguesia e da "intelligentzia" soteropolitanas, que são capazes de sentar nos primeiros lugares para ver qualquer evento no Teatro Castro Alves, correm para comprar o novo disco da Maria Bethânia, o novo livro sobre Glauber Rocha, mas pouco se preocupam em saber qual o mais recente trabalho não só da Helena Ignez, mas de outros cineastas underground baianos, ou como vão a carreira de nomes da verdadeira MPB baiana que não faz pactos com a axé-music.

É esse pessoal que, em nome da visibilidade fácil, agora elege o empresário e dublê de radiojornalista Mário Kertèsz como "grande nome da mídia baiana". É a única forma dessa burguesia e pequeno-burguesia bronzeada de Salvador ir para o bairro popular do Pernambués, de preferência dentro de um carrão com vidro fumê.

Sem saber, no entanto, esse pessoal acaba pagando o preço caro da bajulação a um político direitista e reacionário convertido em "radialista". Emiliano José e Oldack Miranda foram espinafrados no ar pelo "gentil radialista" que os dois ingenuamente apoiaram. Esqueceram as diferenças históricas entre eles e o empresário-radialista, ex-prefeito de Salvador, lançado na política pela ARENA.

Graças a esta alta sociedade e pequeno-burguesia omissas, Salvador mergulha no caos. Comemoraram o precipitado "fim" do carlismo sem lutar para melhorar a capital baiana. A violência lá aumenta seriamente, e eu e minha família pudemos sair de lá a tempo.

Há poucos dias, uma jovem médica, ao sair de um shopping na capital baiana, foi sequestrada e depois morta por um grupo de bandidos. E as autoridades ainda com medo, tentando dizer que a violência em Salvador está em "níveis normais aos de qualquer cidade do mundo". Preferem adotar esta atitude covarde ao invés de investir em medidas sérias não só para combater a criminalidade, mas de investir em educação (atenção, pessoal - educação NÃO É IGUAL a futebol), na habitação, saúde e na diminuição das desigualdades sócio-econômicas.

Depois não gostam quando o Sul/Sudeste faz críticas aos baianos.

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