quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CORRUPÇÃO EM NOME DA "FÉ"


Não é de hoje que o "bispo" da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, é acusado de corrupção, usando o dinheiro de fiéis ou de outras fontes para "lavá-lo" em outros "empreendimentos".

Mas volta e meia surgem denúncias como estas. É verdade que a mídia não publica tais denúncias por algum intuito humanitário, afinal concorrência é lobo comendo lobo. Por isso, a dupla Globo/Folha, que toma a dianteira nas denúncias contra a IURD, quer enfraquecer o império midiático de Edir Macedo. Sobretudo quando o "reality" da Record, "A Fazenda", ameaça a liderança de audiência da Vênus Platinada, ao menos em São Paulo (onde se divulga a maior parte dos dados sobre audiência televisiva atribuídos "ao país").

Mas sabemos também que não é por causa da Globo que Edir merecerá o céu. O céu, para ele, é um lugar cada vez mais distante, uma vez que ele usa da boa fé dos fiéis para construir sua fortuna. Constrange as pessoas, assim como seus assistentes e pastores, a dar pesadas doações para construir a fortuna de Edir e asseclas. Numa verdadeira religião, doar dinheiro é um ato voluntário, ninguém é constrangido a doar dinheiro à força, principalmente quando sobre dificuldades financeiras. Por isso, numa igreja autêntica, doa dinheiro quem pode. Quem não pode, não precisa doar.

Mas, na IURD, todos são persuadidos a doar até o que não podem, sob discursos apelativos de "salvação". Mas isso significou, na verdade, atrair dinheiro para a IURD expandir seu império, comprando veículos de comunicação, extinguindo cinemas, supermercados e teatros, ameaçando comprar até o Brixton Academy, de Londres, famoso reduto de concertos de rock.

Evidentemente que os escândalos envolvendo o "bispo" Edir e seus asseclas da IURD não irão afetar diretamente a Rede Record, nem qualquer rádio com uma programação mais "independente" (tipo a Rádio Sociedade da Bahia). Isso porque, se há a cúpula da IURD comandando, há também equipes competentes de técnicos, administradores, jornalistas etc., que não têm compromissos profissionais religiosos (apesar de cada um ter sua religião particular), e que faz uma programação visando um público heterogêneo, eclético, prestando serviço e transmitindo entretenimento e informação.

Espera-se que o Grupo Record dê a volta por cima, se caso Edir Macedo entrar no inferno astral. Que a parte boa da Rede Record, que são seus programas de jornalismo e teledramaturgia que se mostram uma boa surpresa na grande mídia, não seja afetada, e que o escândalo de Edir não se limite a um mero pretexto para a Rede Globo salvar sua hegemonia.

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