terça-feira, 4 de agosto de 2009

BAIXADA-BARRA MOSTRA CARÁTER POLITIQUEIRO DO "POOL"



A operação Baixada-Barra, de linhas de ônibus que ligam a Barra da Tijuca aos municípios da Baixada Fluminense (exceto Itaguaí, que há mais tempo tem linha para o bairro carioca), por ser operada quase toda em sistema de "pool", apresenta indícios de projeto politiqueiro. Cerimônias pomposas, licitações duvidosas, com a participação do governo carioca do PMDB, partido marcado pelo fisiologismo político. Aliás, o sistema de "pool" dos ônibus é a versão busóloga do fisiologismo político.

O sistema de "pool", caraterizado pela operação por mais de uma empresa de uma linha de ônibus, é tecnicamente inviável e é uma medida que só é admissível em caráter emergencial e provisório, feito em caso de falência de empresa de ônibus. Não seria admissível, todavia, adotar o "pool" como medida permanente, mesmo com desculpas apresentadas em discursos habilidosamente "bonitos", como "botar mais ônibus nas ruas" ou "diminuir custos de operação".

Esses discursos geralmente são difundidos na Internet por funcionários ou parentes de empresários de ônibus, que omitem essas condições para assim, se passando por busólogos comuns, convencerem qualquer pessoa a apoiar o sistema de "pool" que interessa tão somente aos interesses empresariais diversos, desde o faturamento alto com um serviço pela metade, seja para atuar em regiões de bairros de interesse político estratégico, uma vez que os empresários de ônibus estão entre os que financiam campanhas políticas.


"POOL" EM SALVADOR TEM CLAROS INTERESSES POLÍTICOS

Na caótica cidade do Salvador (Bahia), onde as oligarquias determinam suas leis e seus princípios e o povo que se dane ou que obedeça quietinho a qualquer paliativo pseudo-revolucionário que lhe for imposto, o sistema de "pool" não passa de uma grande armação dos empresários de ônibus - reunidos no sindicato patronal SETPS (da pronúncia risível "Setépis") - para aumentar seus faturamentos com um inchaço no número de linhas, que permite solicitar empréstimos faraônicos dos bancos federais, fenômeno parecido com o da dupla transmissão AM/FM no rádio.

Afinal, o transporte de ônibus de Salvador é um dos piores do país. Para não dizer o pior. A distribuição de áreas de bairros por empresas é a mais bagunçada, a empresa pega o bairro que quer (ou não quer, se a decisão cabe a uma outra empresa politicamente mais favorecida), pouco importa onde fica o bairro a ser servido. Alguém imaginaria, no Rio de Janeiro, a Auto Viação Bangu servindo a linha 571 Glória / Leblon? Não. Mas tem empresa sediada em Cajazeiras (algo como a extrema Zona Norte da capital baiana) servindo linha de Itapuã (que, geograficamente, é como se fosse o Recreio dos Bandeirantes da capital baiana).

O "pool" então foi uma armação feita por grupos políticos desde o final dos anos 80, quando Mário Kertèsz, Fernando José e Antônio Carlos Magalhães estavam assim, assim tão aliados, e todos juntos com Fernando Collor. A coisa depois começou a ruir, com linhas de ônibus em "pool" se desmanchando, ao virarem cada uma linha de uma empresa só (que é o ideal).

Mas com o circo carlista (de Antônio Carlos Magalhães) da segunda metade dos anos 90 e o carnaval fisiológico de João Henrique Carneiro, o "pool" - com sua versão para terminais de ônibus chamada "frota reguladora", que na prática se comporta como um sistema de ônibus pirata feito por empresas "legalizadas" - voltou com seus longos contratos de operação.

CONCLUSÃO

O sistema de "pool" em nenhum momento traz benefícios reais para os passageiros. Tem mais desvantagens do que vantagens. Muitas das linhas envolvidas apresentam até irregularidades piores, como os comboios das empresas envolvidas que põem carros em excesso num momento, mas em outro deixam em falta. Além disso, nenhuma empresa envolvida tem autonomia operacional, dependendo sempre da outra parte, o que complica o serviço.

Além disso, o "pool" só disfarça a irresponsabilidade de uma empresa de ônibus numa linha acrescentando a irresponsabilidade de outra. Somar a irresponsabilidade de uma empresa com a de outra não significa um serviço mais responsável. O "pool" só serve como meio demagógico de iludir as massas com projetos mirabolantes para o transporte coletivo.

O melhor mesmo é que UMA ÚNICA EMPRESA sirva determinada linha de ônibus, e que tenha o compromisso de fazer um serviço responsável. Fica mais justo, mais organizado, mais simples e muito mais benéfico para os passageiros.

NENHUMA das defesas apresentadas em relação ao sistema de "pool" tem consistência. Elas só convencem até certo ponto, por causa do discurso bem articulado. Mas, em dado momento, tais argumentos perdem o sentido, quando a lógica se mostra às pessoas.

Esse discurso em defesa do "pool" apresenta falhas grotescas, como o suposto direito de escolha do passageiro a uma empresa de ônibus, semelhante ao de uma mercadoria ou de um time de futebol. Essa escolha NÃO EXISTE. O passageiro pega o ônibus que chegar primeiro e parar perto dele. Pode estar lenhado ou não, o passageiro pega o ônibus que estiver ao seu alcance, sob o risco de, ao correr para o outro de sua preferência, perder os dois ônibus.

Outras falhas são a "parceria" e a "redução de custos". No primeiro caso, a defesa do "pool" falha porque nesse tipo de operação, não existe parceria, mas uma feroz competição desleal, que inclui até verdadeiros "pegas" de ônibus para disputar passageiros, não raro causando acidentes.

No segundo caso, a falha consiste no fato de que isso é desculpa para empresa com muita linha de ônibus aumentar seu acervo de linhas. Se a linha é muito longa e a empresa não possui dinheiro para operá-la integralmente, é só ela largar uma outra linha de menor percurso e servir integralmente a linha longa.

A conclusão mais segura é de que o sistema de "pool" nos ônibus é TECNICAMENTE INVIÁVEL.

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