segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A BONEQUINHA DE PANO VIROU BONEQUINHA DE LUXO





Uma das jovens atrizes surpreende pelo seu talento e por sua deslumbrante beleza. É a Isabelle Drummond, de apenas 15 anos, que faz a Bianca na novela Caras e Bocas, da Rede Globo.

Mas ela começou a ser famosa nove anos atrás, quando fez a Emília numa versão recente do seriado O Sítio do Picapau Amarelo, baseado na obra de Monteiro Lobato.

A jovem atriz tem bastante futuro, e já demonstra que em breve se tornará uma mulher classuda, já que ela tem uma beleza sofisticada, de traços graciosos e fascinantes.

Certamente ela já é uma excelente aluna do padrão de charme feminino consagrado pela atriz Audrey Hepburn, de Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's). A quarta foto, mais recente, não deixa a menor dúvida disso.

De longe Isabelle Drummond é uma das mais belas e encantadoras de sua geração.

SE NANA GOUVEIA FOSSE MENOS VULGAR...


Se alguém vir a Nana Gouveia usando o mesmo figurino que a Elsa Pataky na foto ao lado, por favor, fotografe e mande publicar na Internet. Não vale montagem de Adobe Photoshop nem de Corel Photo Paint ou similares, até porque não se sabe que reação se terá vendo Nana Gouveia com uma comportada camisa abotoada dentro de uma calça justa com cinto e usando sandálias, um traje que equilibra sensualidade e elegância, mas que não é muito em moda no Brasil, mesmo em estações mais frias.

Se alguém vir a Nana Gouveia lendo algum livro de Teoria da Comunicação, favor fotografar e mostrar o livro que ela estaria lendo. Não vale montagem de Photoshop etc.

Se alguém vir a Nana Gouveia indo a um evento de MPB mais alternativa ou então de rock underground, jazz ou blues, fotografem e publiquem no You Tube, G1, Folha On Line etc. Nada de montagens fake etc.

Sem ironia, se Nana Gouveia tomar estes três procedimentos, aí reconhecerei nela uma mulher esforçada.

A BAIX(ÍSSIM)A CREDIBILIDADE DAS RÁDIOS FM


O jovem cantor de ópera Jean Willian, cuja carreira tem o apoio do conceituado maestro João Carlos Martins

Numa reportagem do Jornal da Band, sobre o cantor de ópera Jean Willian, que nasceu numa família pobre do interior paulista e irá estudar música clássica nos EUA, disse na entrevista que para cultura, no Brasil, custa caro. Ele comentou que, para se ter cultura, tem que comprar livros e CDs, porque quem quer estudar música não pode depender das rádios, porque a música a ser estudada não é o padrão do que as rádios tocam.

Não curto música clássica, mas respeito completamente o seu valor inegável. E não deixo de dar razão a Jean Willian, e olha que ele é de origem pobre, classe mais exposta ao lixo radioativo do brega-popularesco. É mais uma prova de que o rádio brasileiro, sobretudo FM, está em credibilidade caindo feito pedra atirada do alto de um arranha-céu, em queda acelerada, descontrolável, certa.

Na comunidade Rádio do Rio de Janeiro do Orkut, existe até um tópico em que até mesmo o seriado Malhação espinafra o rádio FM. A minissérie Som & Fúria também fez gozação com o rádio e mesmo o seriado A Diarista fez um protesto implícito num episódio veiculado pouco depois da saída da Globo FM do dial carioca, entrando no lugar a CBN.

A declaração de Jean Willian deveria deixar amarelos de medo os "ezecutivos" do Grupo Bandeirantes, na medida em que a bronca se dirige diretamente as rádios Band FM e Nativa FM. Da mesma forma que as gozações nos programas da Rede Globo deveriam fazer arrepiar de medo os "xefões" de rádios como a carioca Beat 98 e a mineira 102 FM, entre outras.

Não adianta estagiário de rádio FM, assistente de assessor de ídolo popularesco ou produtor iniciante de TV aberta de fantasiar de fã e espinafrar este blog, ocultando a função profissional porque pessoas assim não nos enganam. Fã fica em casa para curtir seu ídolo, e não para atacar quem não gosta dele. E isso não vai elevar a reputação desses ídolos. Pelo contrário, só vai criar problemas. Da mesma forma que botar gente sorridente nas imagens relacionadas às Nativa FM, Beat 98 e quejandos também não vai elevar a reputação do rádio FM, que anda muito decadente, feito doente em estado terminal, mesmo.

Belchior foi encontrado e está compondo muito


No programa Fantástico de ontem, o cantor cearense Belchior foi finalmente encontrado. Ele está no Uruguai a trabalho, compondo muitas novas músicas, traduzindo seus sucessos para o espanhol para lançar um livro cancioneiro bilíngue. Ele achou estranhas as reportagens sobre seu sumiço, mas não falou das possíveis dívidas pessoais que, segundo seus amigos, teriam motivado o suposto desaparecimento.

Mas o episódio, infelizmente, acaba soando uma campanha da mídia gorda contra a MPB autêntica, que, essa sim, está praticamente desaparecida das rádios. Com o fantasma do jabaculê começando a assombrar as rádios de MPB autêntica - a Nova Brasil FM já chegou a tocar a "Mulher Gigante" e a MPB FM atacou de Odair José - , o medo do pessoal ouvir de repente Alexandre Pires e Zezé Di Camargo & Luciano nas rádios de MPB é enorme.

Vejam só como é a imagem que a mídia gorda e até a gordinha exploram dos artistas de MPB. Imagens falsas, que a mídia cria para avacalhar a MPB autêntica, sob o apoio de filhotes do AI-5 da estirpe de um Olavo Bruno.

Vejam os exemplos tristes da campanha da mídia grande. O Chico Buarque é tido como um galanteador atrapalhado que sai com moças casadas. O Caetano Veloso é um falastrão metido a dar opinião sobre tudo. A Marisa Monte é tida como "reclusa negligente". Maria Rita, como uma "filhinha da mamãe" querendo se autopromover na mídia. Milton Nascimento, um "poeta ingênuo". E agora, o Belchior, como um "covarde desaparecido".

Em contrapartida, a mesma mídia gorda / gordinha exploram uma falsa imagem de "normais" aos ídolos popularescos. Mas isso soa uma farsa, vendo que Zezé Di Camargo & Luciano, "Mulher Gigante", Chitãozinho & Xororó, Latino, Daniel, Alexandre Pires, DJ Marlboro, Banda Calypso e outros, falam muita bobagem nas entrevistas. Todos eles patrocinados por latifundiários, empresários de supermercados e lojas de eletrodomésticos e por executivos da grande mídia, e jogados para fazer uma espécie de "MPB fake que só serve para lotar vaquejadas, micaretas, "bailes funk" e outros antros da cafonice dominante no país.

Será que ninguém vê, por exemplo, que Waldick Soriano nada teve de esquerdista, vanguardista nem sofisticado? Se lessem as entrevistas sobre ele, veriam que o cantor brega era extremamente conservador, uma UDN ambulante. E se vissem o lado oculto da trajetória dele, veriam que, se não fossem as oligarquias de Caetité (BA), Waldick nunca teria se tornado um astro nacional, e as rádios que mais apoiaram ele foram justamente as rádios que apoiavam a ditadura militar.

Por isso mesmo é que a MPB autêntica, por mais que pareça excêntrica aos olhos da grande mídia, é que representa o Brasil verdadeiro, autêntico. Seus artistas são serem humanos, e não pretensos "bons moços" que lotam vaquejadas, micaretas e "bailes funk".

domingo, 30 de agosto de 2009

É SÉRIO: DEMI LOVATO FAZ ROCK DE VERDADE


Sim, meus amigos. Demi Lovato é roqueira mesmo. Nada de musiquinha infantil, é mais fácil atribuir essa "qualidade" a uma cantora baiana famosa por sua megalomania.

Pois a belíssima Demi - que aparece aqui com camisa abotoada para dentro da calça, um traje que é fetiche deste blog e que não é valorizado pelas mulheres comuns aqui no Brasil - , com 17 anos e dois álbuns, provou ser dotada de boas informações musicais, e uma das faixas recentes, "Open", poderia ser tocada tranquilamente numa rádio de rock autêntico.

Sei que isso é um choque para o descolado politicamente correto, que opta por uma entre duas hipóteses. Ou ele, se "radical", me chama de ridículo, porque até agora não ouviu um "rock pauleira" no disco da Demi, ou então ele, se "flexível" me chama de frouxo e me diz que uma "boa rádio rock" toca mesmo são coisas "normais" para aquilo que ele entenderia, no caso, como "atitude rock", como Lady Gaga e Black Eyed Peas. Para não dizer coisas "exóticas" do tipo M. I. A., Peaches ou a Pink.

Mas é só ouvir, clicando o link abaixo, a música da Demi Lovato, "Open", para ver como eu tenho razão. Quem sabe a Demi Lovato pode ser a Cat Power de amanhã. Pelo menos "Open" é a "He War" dos adolescentes.

E tanto a Demi Lovato quanto a Chan Marshall são duas lindezas, duas mulheraças separadas por duas décadas de nascimento entre uma e outra.

OS PSEUDO-ESQUERDISTAS E AS CAMPANHAS DE 2010


Certamente a brincadeira está perto de acabar e a garotada "bem nutrida", que até agora exibe camisetas de Che Guevara, broches com o símbolo da foice e do martelo e participação em comunidades marxistas do Orkut, deve se preparar para o futuro.

Será que vão tirar a máscara de "esquerdistas", uma vez que a fantasia não foi muito convincente e a única instituição de esquerda que muitos desses jovens demonstraram gostar é a FARC (Força Armada Revolucionária da Colômbia), só pelo fato dela fornecer a "merenda" para a "criançada"?

Pois muita gente virou "esquerdista" por causa do Lula, e o mandato dele termina e a Constituição Federal de 1988 proibe o antigo sindicalista de se reeleger mais uma vez (ele atingirá o máximo dos mandatos consecutivos determinado para governantes pela Carta Magna). A mais cotada para suceder Lula é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-guerrilheira, sem qualquer carisma para ser a provável vencedora nas corridas para o Planalto. Nem a mídia mais fofa, mais boazinha, mais rechochudinha, quer mandar Dilma para o Planalto. E já se nota, mesmo na mais boazinha da mídia fofa, que a grande mídia está com uma saudade danada de ver um tucano presidindo o Brasil.

Com este quadro, como ficam os playboys que estão em comunidades como "Eu Odeio Acordar Cedo" do Orkut, e ficam com raiva até quando uma gíria tola tipo "balada" é criticada? Conta-se nos bastidores que eles estão excitados em ver o Cabo Anselmo vivo e querendo anistia, porque os pais dessa "galera" lhes falou que o "cabo" que na verdade era sargento, José Anselmo dos Santos, foi um verdadeiro caçador de comunistas, em histórias que deixaram a "galera irada" na maior adrenalina, brou.

O discurso do Cabo Anselmo em 1963-1964 lembra muito o Chorão do Charlie Brown Jr. nas suas letras e pregações, com a diferença que Cabo Anselmo colaborou para a CIA e Chorão só colaborou para a Rede Globo, mas, em todo o caso, CIA e Organizações Globo estavam juntas na derrubada de Jango em 1964 e na veiculação de valores conservadores que essa juventude "irada", por mais palavrões que falem e por mais arrojado seja o visual, defendem. Essa juventude é "reaça", mesmo. No duro.

Então esses jovens contam com dois caminhos, já no crepúsculo da Era Lula. Ou se infiltram no PSOL e PSTU para infectar e apodrecer de vez a esquerda brasileira, ou então fazem como políticos como José Serra e César Maia já fizeram: eles, antigos esquerdistas (Serra foi presidente da UNE em 1964), hoje estão confortavelmente acomodados na direita brasileira.

Carlos Lacerda também foi um comunista que virou à direita, mas sua personalidade foi de tal forma diferente que seu perfil assustava os colegas da UDN (nome que o DEM tinha há 45 anos atrás) e, como governador da Guanabara, teve coragem para substituir o péssimo serviço de uma multinacional que operava bondes por uma estatal de trolebuses e ônibus, a Companhia de Transportes Coletivos (CTC), empresa que pude ver, e em seus ônibus passear, muito durante minha adolescência.

Mas Carlos Lacerda é ousado demais para uma juventude que pensa que a gíria "balada", patrimônio da mídia gorda, é o máximo de rebeldia e modernidade juvenil. Essa "galera" prefere ser moderna na forma e antiquada na essência, e Carlos Lacerda era o inverso disso.

LATIFUNDIÁRIOS TAMBÉM APOIAM SAMBREGA


Sabemos que o coronelismo dos grandes proprietários de terras - tanto os latifundiários ruralistas quanto os tecnocratas (não menos latifundiários) do agronegócio - apoia decisivamente a dita "música sertaneja" e o forró-brega, que nem a mídia mais boazinha tem coragem de associá-las a agricultores sem-terra (paradigma da esquerda rural brasileira).

O coronelismo apoia até a axé-music, até porque o cantor do Chiclete Com Banana, Bell Marques, também é latifundiário (ah, pensaram que ele tinha barbinha de MST, né, pseudo-esquerdistas?). Daí ser um grande absurdo haver chicleteiros de esquerda. É mais fácil haver ateus cristãos.

Pois o coronelismo brasileiro também apoia, e muito, o sambrega, vide a inclusão de Exaltasamba em várias vaquejadas e de Alexandre Pires, na mais recente edição do festival de Barretos, o Barretos 2009.

O ESTRELISMO DE ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO


Os grandes astros da música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira, ficam sempre se achando. É o DJ Marlboro se achando "militante cultural", é o Alexandre Pires se julgando "sofisticado", é aquela cantora baiana que fica tirando sorte grande com poeira se achando rainha da cocada preta, é o Bell Marques metido a galã, são o Chitãozinho & Xororó metidos a "tradicionais". E são Zezé Di Camargo & Luciano se achando os "donos da MPB".

Que o estrelismo da dupla goiana é notório, isso é verdade. Zezé Di Camargo fala muitas bobagens a respeito de amor, romantismo, fãs. Um exemplo: "As mulheres me inspiram, meu lado feminino é sapatão".

Mas até a comparação com Roberto Carlos rende outro exemplo. Perguntado sobre o que Zezé Di Camargo imagina estar fazendo daqui a 32 anos (já que a dupla goiana que se ascendeu com ajuda de Fernando Collor tem 18 anos de carreira), ele dispara o seguinte: "Ah, igual ao Roberto! Cantando, enxutão igual a ele, um coroa em forma. Se eu chegar lá com aquele físico, falando em mulher o tempo todo como ele fala, estou feito! Roberto diz que o maior estímulo para um homem cuidar da saúde, estar bem fisicamente, é uma mulher. Então, quero estar como ele, cantando, sendo amado pelo Brasil, um garotão, falando muita sacanagem".

Mas o irmão Luciano, o "intelectual" da dupla, também não perde em pretensiosismo e arrogância. Ambos os irmãos estão envaidecidos com o sucesso, como pode ver, na íntegra, a entrevista que os goianos deram ao jornal Extra, das Organizações Globo. Que, para infelicidade de Carta Capital (que ingenuamente homenageou a dupla na última página de uma edição), é apadrinhada pela mega-corporação dos irmãos Marinho.

Luciano Camargo teve a cara-de-pau de afirmar que os dois "já garantiram seu espaço. Hoje, não se escreve um livro sobre MPB sem se dedicar um bom capítulo a nós dois". Ridícula essa afirmação, em se tratando de uma dupla de neo-brega que, por isso mesmo, na essência nada tem a ver com MPB, até porque MPB é uma coisa séria, não é casa da sogra nem festinha de comédia juvenil ianque para todo mundo ir entrando.

Além disso, se os livros sobre MPB se lembram da dupla goiana, sobretudo por "É o Amor" - Maria Bethania, regravando a música, garantiu o lobby para os goianos - , é porque seus autores queriam cortejar a mídia gorda, verdadeira madrinha dos breganejos.

Tem historiador de MPB querendo aparecer no telejornal Hoje no Fantástico, no Domingão do Faustão, na Ilustrada da Folha de São Paulo, então ele vai colocar um tópico elogioso sobre Zezé Di Camargo & Luciano no seu livro sobre MPB para fazer a média com os "ezecutivos" da mídia gorda. Não é para valorizar a dupla, que, por si só, não tem valor algum. Tudo o que Zezé Di Camargo & Luciano fizeram na vida foi tão somente um cruzamento de Bon Jovi com Waldick Soriano.

Me lembro de um episódio do livro Analista de Bagé do Luiz Fernando Veríssimo que um dos homens em discussão fala que gaúcho fala mal espanhol e pensa que é português. Pois Zezé Di Camargo & Luciano fazem uma gororoba malfeita de mariachi, bolero e country e pensam que é moda de viola.

Sem falar que muito dos 18 sucessos da dupla goiana, como todo nome da Música de Cabresto Brasileira, se deve mesmo ao jabaculê pago regularmente para emissoras de rádio e TV de todo o país. Isso nem a mais dedicada biografia da dupla goiana tem coragem de afirmar.

O MEDO CONTINUA


Continuam no Orkut aqueles mesmos apelos de moças solteiras que curtem brega-popularesco e que querem arrumar namorados. Continuam os mesmos assédios dessas moças a qualquer rapaz solitário que elas encontrarem no portal social.

Isso que faz com que rapazes indefesos que curtem rock alternativo mas que seguem costumes carolas como colecionar carrinhos de brinquedo, comer biscoitos no sábado à noite, morar com os pais e escrever comentários relevantes sobre a vida amorosa, sejam perseguidos por moças paranóicas que nem veem eles como os rapazes mais atraentes, mas os assediam com uma insistência que lembra aquele corvo-fêmea milionário do episódio do Pica-Pau, que fala com aquela meiguice afetada que lembra a Joelma da Banda Calypso.

Pior é que essas moças, que agora se associam a comunidades de "obscuros" nomes do breganejo, sambrega e "funk" - tipo aquela dupla breganeja que só fará sucesso daqui a três anos, ou o grupo sambrega que está ainda no 40º lugar do ranking do sucesso - , sonham devaneios amorosos com ídolos como Belo, Zezé Di Camargo, Alexandre Pires, Fábio Jr. e Latino. Então, para que tais moças insistirem com carinhas que mais parecem um cruzamento de Renato Russo com Buddy Holly? O que eles oferecerão para elas?

Será que essas moças ficaram esquizofrênicas? Provavelmente, sim. Bombardeadas com letras de forró-brega, sambrega e breganejo falando de brigas de casal, e por notícias macabras envolvendo fazendeiros, pagodeiros e jogadores de futebol em programas policialescos de TV, essas moças começaram a ter medo. Muito medo. Sonham com um cara tipo o cantor Belo, mas tem medo de aceitá-lo porque ele pode ser perigoso.

Essas moças não sofrem problemas amorosos. Estão sozinhas porque querem. Quando vão para vaquejadas, "bailes funk", festivais de pagode etc, são paqueradas por tudo quanto é homem que está por lá. Mas elas preferem comer guloseimas, dançar com as amigas e ficarem na sua timidez viciada. Têm medo que seus pretendentes sejam gente perigosa ou que desagradem as mães, irmãos e parentes dessas moças.

Mas será que o Orkut é mais seguro que o contato pessoal?

Essas fãs de popularesco não devem regular bem...Para elas, o medo realmente substituiu a esperança.

MENOS, MENOS


Só pode ser jabaculê.

Segundo dados sobre audiência do rádio carioca divulgados não-oficialmente por gente ligada a sites e comunidades virtuais sobre rádio, a "Rádio Tupi AM" FM, ou melhor, a Infra Rádio Tupi, que é aquela clone de rádio AM nos 96,5 mhz cariocas, em NONO LUGAR de audiência? Fala sério!!

Até agora, eu NÃO vi, em todo o Grande Rio que pude circular, uma viva alma que sintonizasse a rádio pelas ruas. E, em casa, acho que os ouvintes também não são essa multidão toda, não.

É muito estranho haver um sucesso assim de uma hora para outra, e mesmo a longo prazo também não deve ser tanto assim. É o mesmo papo que a Rádio Metrópole, de Salvador, teve em 2000. Um falso sucesso, um "sucesso" fabricado pelo jabaculê, e lá em Salvador existem os chamados "ouvintes de aluguel". Vai o produtor de uma rádio FM contatar um sindicato de taxistas, de porteiros de prédios, de profissionais de restaurantes e bares e até de donos de postos de gasolina, dão suborno e praticamente compram 20% de cada grupo de profissionais contatados para sintonizar as emissoras em horários estratégicos (transmissões esportivas, por exemplo).

Além disso, a reação negativa à Aemização das FMs, cada vez mais crescente, impede que esse sucesso ocorra de forma legítima e espontânea. O tempo de ouro da Aemização das FMs já passou. Foi lá entre 1986 e 1992. Se fosse nessa época, talvez uma "Rádio Tupi AM" FM, uma "Rádio Gaúcha AM" FM, uma CBN FM ou uma Band News FM fizessem realmente sucesso, com todo o jabaculê que tivesse por trás de cada Ibope. Mas pelo menos havia gente sintonizando tais rádios por conta própria. Mas hoje em dia, se não fosse a choradeira da TV Bandeirantes e dos jornais que falam da Band News, essa rádio só seria ouvida pelas paredes de seus estúdios.

O que eu vejo nas ruas é que a sintonia original da Rádio Tupi, a AM, é mais ouvida - a qualidade do som não deixa mentir - , e que, se o rádio FM hoje ameaça a sobrevida das AMs, a televisão faz o mesmo com as FMs. O que eu vejo é o uso cada vez maior de aparelhos de televisão em bares, restaurantes, consultórios, e até em portarias de prédios. Pelo menos no Rio de Janeiro, isso se torna a cada dia mais crescente. Mas, em cidades como São Luís, Goiânia e Salvador, por exemplo, as "rádios AM em FM" tem que se preparar para a concorrência agressiva das emissoras de TV.

Afinal, do contrário que certos "líderes de opinião" tolamente dizem - que rádio FM é melhor que TV porque não faz edição de imagem (?!) - , a televisão tem mais vantagens que o rádio FM, justamente por causa da imagem. Além disso, os "fanáticos modulados" não têm essa capacidade imaginativa forte para justificar a pretensa supremacia das "rádios AM em FM".

VEJA MAIS UMA VEZ ATACA O MST


A revista Veja, mais uma vez, mostra seu mau humor e reacionarismo mais que explícito. A edição desta semana mais uma vez ataca o Movimento dos Sem-Terra, mostrando que a Editora Abril não se intimida com os processos judiciais pesadíssimos que enfrenta por causa desses ataques, demonstração do mais baixo sub-jornalismo (que apelidamos aqui de null journalism, o "jornalismo oco").

Mas, embora a "mídia boazinha" (ou "fofa" e "gordinha") não compartilhe com muitos dos procedimentos de Veja - como o grande passatempo da revista da Abril, que é massacrar Che Guevara e Karl Marx até em resenhas de livros históricos sobre eles - , o ataque ao Movimento dos Sem-Terra, em que pese a bronca da mídia de esquerda e até dos "líderes de opinião", ganha a solidariedade de quase toda a "mídia boa", normalmente vista pelos incautos como de "centro-esquerda", só por causa do "bom jornalismo" ou do "jornalismo completo".

Pois até os "líderes de opinião" se surpreendem com isso. A Rede CBN, que é das Organizações Globo e assume postura claramente de direita, mas é vista por colunistas de rádio como "midia de centro-esquerda", ataca com gosto o MST. O Grupo Bandeirantes ataca o MST. A revista Isto É ataca o MST. A Folha de São Paulo, ex-vedete da "mídia boa", ataca o MST. A Rádio Metrópole, de Salvador, que, apesar do nome é mídia provinciana de direita (mas vista pelas tola aristocracia baiana como "mídia de esquerda"), também ataca o MST.

O MST pode não ser uma confraria de santos, mas é um grande exagero promover a imagem negativa do movimento, quando na verdade existem manifestantes e vândalos. Há em manifestações e projetos sociais muitos oportunistas, muitos pelegos, muitos farsantes que de alguma forma distorcem os movimentos ou fazem algo errado e jogam a culpa nos movimentos autênticos.

Daí haver muita gente pseudo-esquerdista - não é estranho haver "socialistas" demais nos condomínios de luxo das grandes capitais? - aos montes, sobretudo na nossa juventude. É gente querendo estragar os movimentos sociais diversos e botar a culpa nos seus organizadores. Sejam os playboys quebrando vidros e destruindo monumentos públicos, sejam os seguranças de axé-music arrumando confusão em festivais baianos de rock, sejam os Marcos Valérios da vida destruindo os partidos de esquerda dentro de seus próprios bastidores.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

JESSICA LUCAS


Falando em negritude (citei o post sobre o festival Back 2 Black), é bom que todos vejam essa beldade estonteante, chamada Jessica Lucas. Curiosamente, a atriz é canadense, e é uma das negras mais lindas de sua geração. Totalmente encantadora, graciosa, com um corpo formoso e lindo.

Eu vi essa atriz quando assisti ao seriado Life as We Know It e já fiquei impressionado com a beleza e com a doçura da atriz. Agora, ela está escalada para a nova edição do seriado Melrose e, prestes a fazer 24 anos no próximo mês, está cada vez mais bela. Se deixarmos, Jessica Lucas pode virar a equivalente negra da Natalie Portman. Beleza, talento e charme não falta para isso.

MARCELO DELFINO COMENTA SOBRE SISTEMA GLOBO DE RÁDIO


Lendo o blog de meu irmão, Planeta Laranja, no texto sobre Belchior, o nosso amigo Marcelo Delfino, do blog Brasil País de Tolos, se lembrou do fato de que o cantor cearense é discriminado pela mídia, já desaparecendo das rádios bem antes do sumiço tão falado ultimamente, e escreveu a seguinte mensagem, lembrando da culpa que o Sistema Globo de Rádio, que não investe mais em rádios de música adulta, pela falta de espaço à MPB autêntica, enquanto oferece espaço de sobra para a Música de Cabresto Brasileira:



"Assistindo a referida matéria da TV, dei risada quando a reportagem se referiu à insatisfação que Belchior tinha (ou ainda tem) com a falta de divulgação de sua carreira e de sua obra. Porque as Organizações Globo são responsáveis número 1 pela falta de divulgação. Transformaram a Globo FM RJ em CBN, a Globo FM SP em X FM e depois CBN... E a própria TV prefere divulgar os breganejos, os pagodeiros, os axezeiros, os funqueiros, os padres que cantam (???) e as popices gringas, de Michael Jackson a High School Musical."

BELCHIOR FOI VISTO AO LADO DE SARNEY


Sei que não é o músico adequado para aparecer ao lado de José Sarney - Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Wando ou mesmo Bell Marques e DJ Marlboro é que deveriam aparecer para agradecer ao senador por todo o sucesso que o maranhense, na condição de Presidente da República, garantiu a eles através da farra de concessão de rádios e TVs - , mas Belchior, de uma forma ou de outra, estava presente num evento relativo à Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio Grande do Sul (OAB-RS), que também contou com a presença do célebre senador "fisiológico".

O evento aconteceu em fevereiro último, embora Belchior já não estivesse mantendo contato com familiares desde 2007.

Segundo um amigo do cantor, Belchior está desaparecido por causa de dívidas pessoais.

GAROTAS DO ALCEU


Eu imagino que belo filme Hollywood faria se adaptasse as histórias brasileiras das Garotas do Alceu Penna, que fizeram muito sucesso nas páginas de O Cruzeiro, num filme de longa-metragem. Imagine se víssemos a Natalie Portman, Jessica Lucas, Lacey Chabert, Emma Watson e Alexis Bledel, por exemplo, juntinhas, falando de situações interessantes, de um jeito aparentemente ingênuo mas de uma discreta mas significativa inteligência.

Muita gente pode achar piegas as histórias das Garotas do Alceu - série denominada apenas "Garôtas", com o "chapéuzinho" no "o" - , mas eu, quando lia as edições de O Cruzeiro na biblioteca (escolhia geralmente as edições dos anos 50 e 60), não via essa pieguice. É claro que, num Brasil com funkeiras arrogantes, axezeiras duronas e solteiras fãs de breganejo tolas e medrosas (têm medo de arrumar o vaqueiro que elas tanto sonham para namorar), as Garotas do Alceu parecem fora do tempo. Posso dizer que o problema não são os bons valores do passado soarem antiquados ao Brasil de hoje, mas é o Brasil de hoje que está surdo a esses valores.

As Garotas do Alceu, pelo que li, pareciam falar de situações banais, de madames indo ao hipódromo da Gávea, de homens atraentes cujo valor para namoro as garotas comentam umas às outras, de festas a serem realizadas no próximo fim de semana, e por aí vai. Mas, no íntimo de tudo isso, havia inteligência, além do comportamento arrojado das garotas (que hoje soa bastante normal, embora pouco influente no universo popularesco das boazudas e das solteironas medrosas). É uma inteligência na dose ideal de uma mulher, combinando graciosidade, doçura e um pouco de sabedoria.

A seção "Garôtas" surgiu em 05 de abril de 1938. Durou 26 anos. Os desenhos eram feitos pelo desenhista de moda Alceu Penna (1933-1980) e a seção teve vários colaboradores: o próprio Alceu Penna, Accioly Netto (que usava o pseudônimo Lyto), Millôr Fernandes (Emmanuel Vão Gôgo), Edgar Alencar (pseudônimo A.Ladino) e Maria Luiza Castello Branco. A fase de "Garôtas" que eu li muito tinham textos de Maria Luiza (que assinava apenas com estes dois nomes).

Se alguma das Garotas do Alceu se transformasse em carne e osso e viesse para mim a me pedir em namoro, eu diria "sim" todo feliz da vida.

LETÍCIA SABATELLA


A novela Caminho das Índias, da Rede Globo, tem uma personagem vilã que é de suspirar.

E sua intérprete, a atriz Letícia Sabatella, tem uma beleza suavemente sensual e extremamente encantadora, além de uma doce voz de menina e uma inteligência peculiar, já que atua como militante política e se envolve com eventos culturais relevantes. É, portanto, uma mulher sofisticada, como poucas que existem no Brasil.

FESTIVAL BACK 2 BLACK ACONTECE NO RIO DE JANEIRO


Os negros não foram os primeiros que povoaram o Brasil, e, quando povoaram, foi pela infeliz situação de escravos, que felizmente parece ter se superado praticamente. Mesmo assim, a pobreza que muitos negros vivem no país é um dos sérios problemas cujas soluções existem mas as autoridades não têm a menor coragem para resolver (melhorar a Educação, por exemplo, um tema controverso e visto de forma "infantil" até pela mídia gorda).

Mas eventos como o Back 2 Black podem ajudar a debater muitas questões, além de mostrar talentos relacionados direta ou indiretamente à cultura africana. Bob Geldof, irlandês que esteve por trás do Live Aid (evento beneficente destinado aos miseráveis da Etiópia), está entre os debatedores, assim como o rapper brasileiro MV Bill. Gilberto Gil, Youssou N'Dour, Dona Ivone Lara e Mart'nália estão entre as atrações musicais. Culturalmente, o evento poderia muito bem dialogar, em proposta, com o PercPan, festival de música percussiva que acontece há anos em Salvador e que tem Gilberto Gil como co-organizador, junto ao pernambucano Naná Vasconcelos.

NOEL GALLAGHER ANUNCIA SAÍDA DO OASIS


O guitarrista, principal compositor e segundo vocalista do Oasis, Noel Gallagher, anunciou hoje que está deixando a banda surgida em Manchester, há mais de quinze anos.

Segundo Noel, que deixa a banda com "alguma tristeza e grande alívio", o motivo é a dificuldade de trabalhar com o irmão, o vocalista Liam Gallagher, com quem as brigas são constantes e famosas.

Liam Gallagher é famoso por sua arrogância extrema, mas nada comparável ao que vemos aqui, com nomes como DJ Marlboro e Zezé Di Camargo & Luciano, além de Bell Marques e aquela cantora que não podemos dizer o nome, porque também seus fanáticos estão com a arrogância na estratosfera.

Todos estes, do planeta Brega, são bem mais arrogantes que Liam Gallagher, só lidam a arrogância com simpatia. Afinal, o arrogante só fica visado quando age com mau humor. Arrogante que lhe dá um abraço e lhe acolhe com sorrisos, por mais arrogante que seja, não é assim considerado.

Mas Liam tem um temperamento difícil, assim como o próprio Noel (que nesta semana foi incluído na lista de "metidos" do programa Top Top, da MTV, apresentado por Léo Madeira e Marina Person), e as desavenças entre os dois fizeram Noel desistir de liderar a banda, já que ele era o compositor principal e se considerava o "cérebro" do grupo.

A saída de Noel do Oasis - que na sua formação mais recente conta com o baixista Andy Bell, que em outros tempos foi um dos cantores e guitarristas do Ride - pode significar, em breve, o fim do grupo que marcou o rock pós-grunge dos anos 90.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

JORNALISMO SEM DIPLOMA


Com a dispensa da exigência do diploma de jornalismo para o profissional de imprensa no país, o que veremos não é o crescimento, no Brasil, do new journalism, mas do null journalism.

NITERÓI PODERÁ TER SEXTA RÁDIO APOSTANDO NO ROCK


Pela sexta vez, o rádio de Niterói poderá estar novamente associado à cultura rock. Surgem rumores de que a Rádio Kiss FM, de São Paulo, entrará no Rio de Janeiro no lugar da OI FM, se o contrato da Rádio Jornal Fluminense FM (que se chamou Rádio Cidade durante quase 30 anos) com a telefonia mineira não for renovado.

Embora seja operada e instalada no Rio de Janeiro, a outorga dos 102,9 mhz do Rio de Janeiro é originária de Niterói, o que pode colocar a antiga capital do Estado do Rio de Janeiro novamente no mapa do radialismo rock brasileiro.

Cinco rádios niteroienses (uma delas somente na Internet) já investiram em programação rock: na década de 70, foi a Federal AM (atual Rádio Manchete AM). Entre 1982 e 1994, e entre 2002 e 2003, foi a Fluminense FM, e a Fluminense AM foi entre 2001 e 2002. Entre 2000 e 2002, a web radio Rocknet também apostou no rock. E, entre 2005 e 2008, foi a vez da Venenosa FM, ligada à Universidade Salgado de Oliveira.

MUITA ATENÇÃO: Não conta a experiência da Rádio Cidade entre 1995 e 2006 porque a emissora, na prática, era uma rádio pop que de rock só tinha o "vitrolão", já que em nada tinha da filosofia, do estado de espírito e nem da mentalidade roqueiros.

KISS FM: PRÓS E CONTRAS

A rádio Kiss FM ainda precisa melhorar sua programação e deixar alguns ranços viciados da 89 FM. Deixar de ter uma abordagem mais pop (tipo achar que Guns N'Roses e Alice Cooper são "o máximo"), tocar músicas menos conhecidas, parar com a fala em cima das músicas, além de parar de cortar as músicas no final (tive a infelicidade de ouvir a música "Brown Sugar" mutilada no final, quando eu estava no Aeroporto de Congonhas, numa escala aérea da linha Salvador-São Paulo-Rio). Também deveria banir o programa sobre futebol, porque esse papo de juntar futebol e rock como se fosse uma coisa só é uma das coisas mais chatas do mundo. E seus defensores, uns grandes "malas". Ainda vou falar deles em breve.

Graças a esses deslizes, a Kiss esteve perto de ter sua imagem apagada no radialismo rock, dando à emissora gaúcha Unisinos FM o título de única rádio de rock autêntico no país. Também a Kiss não se deve se contentar com as virtudes que possui. Deve se aperfeiçoar, porque a Internet já oferece em larga escala uma gama de informações sobre rock que antes somente as rádios mais alternativas podiam transmitir.

RÁDIO FORA DE SINTONIA


Além da Holanda, a Irlanda também perdeu a sintonia da história do rádio. Acabou com as transmissões de rádio AM.

Nestes países, o lobby de empresários de rádio e de tecnocratas da radiodifusão em geral falou mais alto. Só os "líderes de opinião" e os lunáticos submissos à mídia que existem aos montes no Orkut é que acham que esses países levaram o ouvinte em primeiro lugar. Para os pseudo-esquerdistas, um aviso: nem a Holanda, nem a Irlanda são países socialistas.

É certo que a Aemização das FMs de lá é mais profissional e menos "chapa branca" que no Brasil. Mas mesmo em países como a Irlanda e Holanda, essas rádios apostam no showrnalismo, além de expressar os privilégios e a hegemonia dos donos do poder econômico, principalmente os barões da grande mídia.

"FUNK CARIOCA" E TWIST


O que vocês lerão a seguir é uma lição para funkeiros e popularescos em geral que, no Brasil, tentam promover a falsa imagem "militante" desses estilos.

Em 1960, o rock, estando em baixa, devido ao desgaste dos já então veteranos dos anos 50 junto à tragédia que envolveu talentos emergentes, deu lugar, nos EUA, a ritmos dançantes descartáveis e a cantores piegas que tomarem completamente o gosto juvenil daquele país.

Um dos destaques foi o twist, ritmo dançante lançado pelo cantor Chubby Checker naquele mesmo ano em que os brasileiros viram mudar-se a capital federal. O twist banalizava os elementos de rock cinquentista sem no entanto assimilar seu estado de espírito. Sua dança consistia apenas em dobrar os braços e as pernas e mover estas para baixo, num contexto diferente de "balançar até o chão".

Paralelamente ao twist, havia cantores românticos jovens que representavam uma resposta piegas ao fenômeno Elvis Presley. Muitos astros inexpressivos surgiram e desapareceram com o tempo, e tinha até astro do futebol americano bancando "cantor de rock". Mas alguns se destacaram no sucesso comercial, como Pat Boone, Ricky Nelson, Neil Sedaka, Paul Anka, entre outros. Não confundi-los com roqueiros autênticos que apareceram na mesma época como Dion, Del Shannon e, curiosamente, Ronnie James Dio, que fazia um som bem mais comportado mas tão autenticamente roqueiro quanto sua adesão posterior ao rock pesado, sua especialidade atual.

O twist e o "rock comportadinho" fizeram um enorme sucesso pelo mundo, influindo até no pessoal brasileiro da Jovem Guarda. Mas nem por isso havia tanta pretensão assim. Eram tendências comerciais, modismos, nada que fosse levado a sério.

Mas o brega-popularesco brasileiro de hoje carrega de muito pretensiosismo. O "funk carioca" vende a imagem de "movimento cultural" com todo um discurso que não corresponde à realidade do estilo. E outras tendências popularescas, da música brega "de raiz" à axé-music e breganejo, todas elas usam um discurso "social", mesmo que seja apenas para dizer que são "vítimas de preconceito".

Waldick Soriano, Odair José, Banda Calypso, Chiclete Com Banana, É O Tchan, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano etc, todos de alguma forma usaram algum discurso "social" que garantisse a eles algo mais do que um modismo. Mas o "funk carioca" é que leva às últimas consequências esse discurso, apostando em qualquer retórica que associe o ritmo a "movimentos sócio-culturais", sem escrúpulos de fazer qualquer comparação delirante a outros fenômenos neste sentido. Houve quem tratasse o "movimento funk carioca" como a volta do "borogodó carioca" perdido há 50 anos.

Só que esse pretensiosismo todo faz do brega-popularesco um universo musical arrogante, metido, e não o enobrece em coisa alguma com esse discurso. O discurso "social" dos ritmos brega-popularescos em nada os enobrece musicalmente, só servindo para justificar que sua música de gosto e qualidade bem duvidosas prolongue seu sucesso comercial. Tudo o que se fala a favor de Waldick Soriano, Zezé Di Camargo e DJ Marlboro, por exemplo, não vai fazer suas músicas ficarem mais agradáveis. Tanto é que a "reabilitação" midiática de Odair José, Fernando Mendes e Wando não refletiu numa melhor reputação de suas músicas.

Além disso, imagine se Chubby Checker dissesse que o twist era uma "música de protesto". Imagine alguém dizer que Pat Boone era mais engajado que Bob Dylan. Ou que Ricky Nelson e Bobby Darin foram os líderes da Contracultura em detrimento de "pequeno-burgueses" folk que só se recusavam a ir para o Vietnam. Não faz sentido, por mais que o suposto "revisionista" - na prática um verdadeiro falsificador histórico - venha com discursos engenhosos.

Mas, no Brasil onde 90% da população não sabe coisa com coisa, devido à miséria, sub-alfabetização ou analfabetismo, e onde a mídia está entregue a elites ávidas pela concentração de poder, farsantes como Paulo César Araújo, tal qual os vendilhões da Igreja Universal, fazem um discurso envolvente e os incautos logo aplaudem. O "líder de opinião", então, aplaude de pé.

Mas o ponto vai para o pop descartável de 1958-1961 que, se era comercial e inexpressivo artísticamente, pelo menos era bem menos pretensioso do que o arrogante brega-popularesco de nossos dias.

O "LÍDER DE OPINIÃO" E O "FUNK CARIOCA"


O "líder de opinião" - não confundir com os bons blogueiros e/ou jornalistas que são populares pelo caráter de suas pessoas e pela coerência de suas idéias - tem certos momentos que banca o vira-casaca, afinal ele só segue os ventos da "opinião" oficialmente dominante.

O "funk carioca", por exemplo, mostra o quanto este "líder" mudou drasticamente de opinião no decorrer do tempo. Afinal, ele não cria, ele copia. Quer fazer bonito assumindo uma postura que, na forma aparente, é um "meio-termo" entre a Isto É e a Caros Amigos, mas no conteúdo é uma verdadeira gororoba de "restos" do que a mídia despeja em rádios, TVs, jornais, revistas e Internet.

Em 2001, virou moda falar mal do "funk carioca", não por sua evidente baixíssima qualidade artística, mas porque naquela época a mídia cultural tinha uma autonomia para falar mal do que quiser. A crítica musical gozava de autonomia para exprimir seu senso crítico, apesar de alguns casos de jabaculê a editoria cultural da grande imprensa era o derradeiro terreno da liberdade opinativa e do senso crítico inteligente.

Tinha o "proibidão" do Bonde do Tigrão, SD Boyz e outros fazendo sucesso. Havia refrões como "tá tudo dominado", "vou passar cerol na mão" e "tapinha não dói", com letras exaltando a violência, a criminalidade, a pornografia e a violência machista. E haja intelectual falando mal. Grandes tempos. E o José Arbex Jr., sabiamente, havia escrito um texto contra o "funk carioca", já reproduzido aqui, muitos anos antes da revista Caros Amigos aderir ao jabaculê funkeiro.

Pois o "líder de opinião", antes de existir os chamados blogs, ia para o jornal e para o rádio, com reflexos num jornal virtual da Internet, escrever seus artigos inflamados contra o "funk carioca". "Vergonha para a cidadania, com letras chulas, 'músicas de mau gosto' - isso se chama 'música', afinal? - , que estimulam a violência e a pornografia, exibidos para crianças impunemente, nas salas de jantar com toda a família, com a TV aberta ligada". O público caía em delírio. Parecia que o "líder de opinião" estava competindo para obter uma indicação para o Nobel da Paz.

Oito anos depois, o mesmo "líder de opinião" mudou completamente o discurso. Mudou a "opinião" dominante. Saem os ataques às letras chulas, à pornografia gratuita, à violência exaltada, e entram elogios melífluos à "cultura das favelas". Vamos degustar algumas frases desse verdadeiro palhaço de circo da opinião pública:

"Discriminado pela mídia e por intelectuais caducos, o 'funk' faz sucesso em todo lugar que entra, dos morros às universidades. Sem lugar algum na mídia do entretenimento, o ritmo carioca luta para ter um espaço minguado no Sol da MPB, representando um novo folclore, uma nova rebelião popular, algo que mistura Canudos, Semana de 22, punk rock inglês e Tropicalismo".

Todo mundo já foi tentado a sonhar com essas frases delirantes e dóceis. O "líder de opinião" elogia tudo, e de repente escreveu no seu blog que "os 'proibidões', mal compreendidos, são injustamente classificados de violentos, mas suas letras apenas expressam grupos sociais específicos, chamados preconceituosamente de 'gangues' ou 'quadrilhas', que apenas elevam o tom jocoso de suas letras, sem apelar para o ofensivo (sic)".

Aí, nos comentários anexos ao blog, um internauta falou que sentia saudade do SD Boyz, que tinha 15 anos quando ouviu o Bonde do Tigrão pela primeira vez e aquilo era a felicidade dele. Sabe o que o "líder de opinião" respondeu? Vejam só: "Pois é, meu caro (internauta). Tempos inesquecíveis aqueles, e é muito bom que a galera daquela época seja hoje ouvida e apreciada por muitas pessoas".

Vamos ver o que o "líder de opinião" vai escrever, daqui a uns cinco anos, sobre Ratinho, É O Tchan, Tiririca e Walter Mercado.

SEM MÍDIA, HEIN?


Outra presença provável no "riélite" A Fazenda 2, da Rede Record, é da dançarina do Mr. Catra, a feiosa Mulher-Filé.

E pensar que uns caros amigos ainda acreditam que Mr. Catra e companhia não têm espaço na mídia...

LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA!!


Uma patricinha enrustida, muito popular no Orkut e que jura ser "superinteligente", embora nada tenha provado sobre esta suposta qualidade, veio com a seguinte "pérola" do coloquialismo compulsivo:

"Na balada, a galera fica bombando geral, tá ligado?"

Sabendo disso, o demente cidadão que está nesta foto, num momento de surpreendente lucidez, interpretou, sabiamente (sem ironia), a frase da garota numa única palavra:

- DÃÃÃÃÃÃÃÃÃ...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

BLAKE LIVELY FAZ ANIVERSÁRIO


A bela e deliciosa atriz do seriado Gossip Girl, a graciosa Blake Lively, faz 22 anos hoje. E ela já havia entrado no clube das mulheres que usam camisa abotoada para dentro da calça, como vemos nesta foto. Uau!

Parabéns, saúde, longa vida e sucesso a essa doçura.

E, pelo jeito, a coleguinha de elenco e outra bela, Leighton Meester, deve estar prestigiando o aniversário da amiga:

CPMF VAI VOLTAR, INFELIZMENTE


A CPMF vai voltar, infelizmente.

O Governo Federal quer porque quer que o "imposto do cheque" volte.

É contra a vontade do povo.

É, também, para pagar as milionárias viagens dos parlamentares.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

GETÚLIO VARGAS


Há 55 anos, faleceu de suicídio o então presidente da República Getúlio Vargas, um dos políticos mais controversos do Brasil.

O suicídio foi, na época, uma surpresa diante da oposição que, revoltada com a morte do major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, pedia para Getúlio se licenciar por tempo indeterminado do cargo presidencial. Rubens Vaz foi vítima de um atentado, na primeira semana de agosto, cuja vítima era na verdade o jornalista Carlos Lacerda, que saiu apenas ferido na ocasião. Lacerda era opositor ferrenho de Vargas e escreveu artigos violentos contra o presidente.

O atentado ocorreu na Rua Toneleros, em Copacabana, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal) e, mais tarde, o túnel que hoje liga a Toneleros com a Rua Pompeu Loureiro (que liga Copacabana à Lagoa), ganhou o nome do major morto. Alguns suspeitos foram presos, além do mandante, o segurança de Vargas, Gregório Fortunato (brilhantemente interpretado pelo soulman brasileiro Tony Tornado, na minissérie Agosto da Rede Globo).

A crise política que deu na morte de Vargas em 1954 foi o ponto final de um ciclo político de altos e baixos, que teve sua primeira etapa entre a Revolução de 1930 e o fim do Estado Novo em 1945 e a segunda na campanha queremista que resultou na vitória democraticamente eleitoral de Vargas, em 1950, terminada com o suicídio.

Os altos de Vargas, no conjunto da obra, foram a criação de leis e instituições que até hoje contribuem de forma positiva para o progresso do país. Os baixos estão as alianças espúrias que Vargas era capaz de fazer para atingir seus objetivos - quando ele era associado ao fascismo, por outro lado se aliou aos EUA para o financiamento da Companhia Siderúrgica Nacional - e o próprio autoritarismo do Estado Novo, que prejudicou seriamente o prestígio de Vargas para a posteridade, apesar dele ter sido muito popular em seu tempo.

Belchior teria sido visto por fã no ano passado



Segue nota publicada no Terra Diversão através de uma colaboradora do serviço "Você Reporter":

FÃ AFIRMA TER VISTO BELCHIOR NO RIO

No Rio de Janeiro (RJ) para participar de uma feira agrícola, a jornalista Waleska Barbosa diz ter avistado Belchior em novembro do ano passado. Ele estaria na Marina da Glória, com algumas das sacolas de papel reciclado usadas no evento, acompanhado de uma mulher.

"Ele estava saindo da feira, por volta das 18h", diz Waleska, que mora em Brasília (DF) e participava a trabalho da 5ª Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, entre 26 e 30 de novembro de 2008. Segundo a jornalista, Belchior usava o mesmo bigode com que aparece nas fotos tiradas antes de seu sumiço, em 2007. "Os cabelos também estavam como sempre", relata.

Waleska diz que o cantor se dirigiu à saída do Marina da Glória sem ser abordado por fãs. Ela também afirma não ter registrado o momento por não ter o hábito de pedir autógrafos ou fotografar famosos. A jornalista afirma não ter dúvidas quanto à identidade do cantor, de quem é fã. "Tenho certeza que era ele", diz ela.

Autor de sucessos como Rapaz Latino-americano e Paralelas, Belchior não tem contato com a família desde 2007. Dois carros seus estão abandonados em estacionamentos em São Paulo (SP), mas empresários e amigos dizem não saber onde o cantor está.

Briga de TVs revela lei de concessões "caduca"



Extraído da Folha Online

A polêmica iniciada com o embate entre Record e Globo pode obrigar o governo federal a, finalmente, alterar o arcaico decreto-lei que regula os serviços de radiodifusão no país, informa a coluna "Ooops!", do UOL.

Trata-se do decreto nº 52.795, de 1963. Na teoria, todas as regras referentes a concessões de rádio e TV, bem como os meandros do funcionamento das emissoras, deveriam obedecer a tal decreto, mas na prática muitos artigos e incisos dessa lei já não tem qualquer valor prático, e todas as emissoras atropelam as regras.

Um exemplo disso é artigo 2 do capítulo II, que prevê "limitar a um máximo de 25% do horário da sua programação diária, o tempo destinado à publicidade comercial". Entretanto, dois fenômenos surgidos após 63, e usados hoje por todas as emissoras, transformaram a lei vigente em letra morta: os merchandisings dentro da programação "normal" e a venda de horários específicos da grade para terceiros.


Em outras palavras, a restrição do espaço publicitário nas emissoras de TV, prevista pelo decreto de 1963, simplesmente é desprezada pelas grandes redes, que esbanjam uma verdadeira farra publicitária. Numa época em que até o jornalismo é contaminado pelo marketing, oferecer espaço publicitário aos borbotões, até no mershandising de novelas, sub-noticiosos popularescos - viram que patético o Wagner Montes apresentar anúncio de produtos? - e humorísticos.

Por isso o Congresso terá que criar novos mecanismos legais para evitar manobras como a Record "vender" espaços publicitários de sua programação para sua proprietária Igreja Universal do Reino de Deus.

PTB E SUA ANÁLISE TORTA SOBRE RURALISTAS E AGRONEGÓCIO


O Partido Trabalhista Brasileiro, surgido em 1945, extinto em 1964 e ressucitado formalmente em 1979, não é sequer a sombra do que foi um dia. Isso se deve desde que ressurgiu das cinzas dos atos institucionais desfeitos, no final dos anos 70. Isso se deve a uma armação, há trinta anos, feita por Golbery do Couto e Silva com a filha de Getúlio Vargas, Ivete Vargas, que fez descaraterizar o projeto ideológico do partido e impedir que Leonel Brizola, então de volta ao país com a anistia, tornasse presidente do PTB. Traído, Brizola decidiu fundar o PDT, o qual presidiu até morrer, em 2004.

Pois o descaraterizado PTB, que hoje abriga Fernando Collor de Mello e Roberto Jefferson - nomes que soariam estranhos ao PTB há 45 anos atrás (naquela época, aliás, os pais de Collor estavam no IPES e na mobilização anti-Jango) - , lançou numa propaganda sua uma delirante diferença entre os chamados ruralistas (grandes proprietários de terras tradicionais) e os empresários de agronegócio, como se somente estes estivessem ligados a interesses capitalistas.

Todos nós sabemos que tanto ruralistas (ou latifundiários, no jargão da esquerda) e empresários do agronegócio têm o mesmo interesse capitalista. Todos são igualmente conservadores no plano ideológico, no sentido da concentração do poder político e econômico e nas alianças com as grandes elites urbanas do capital. A diferença é que os empresários de agronegócio são mais próximos da modernidade urbana e na tecnologia. É como se a gente confrontasse, no plano musical, o agronegócio do Vítor & Léo com o latifúndio do Chitãozinho & Xororó.

Apesar disso, latifundiários e empresários do agronegócio se afinam muito em interesses e finalidades.

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO NUNCA FORAM ESQUERDISTAS


Na época em que a dupla breganeja Zezé Di Camargo & Luciano votou em Lula para presidente da República, em 2002, votou em Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos líderes ruralistas filiado à União Democrática Ruralista (UDR).

Alguém pensou que a famosa dupla do sucesso "É o amor" era "esquerdista"? Quem pensou, errou!!

Isso sem falar que Zezé Di Camargo & Luciano estavam entre os beneficiados pela "farra sertaneja" que celebrou a vitória eleitoral de Fernando Collor em 1989. Nessa época Collor era rival de Lula. Hoje, Lula, convertido à cientofisiologia política, tem o apoio de Collor.

Neste sentido, Chitãozinho & Xororó foram mais sinceros ao apoiarem José Serra (PSDB-SP), ligado ao partido-irmão do DEM.

Pelo menos a grande mídia, gorda ou fofinha, não associa o breganejo ao Movimento dos Sem-Terra, porque aí seria dar um tiro no próprio pé. Nem a mais generosa da mídia gordinha ou fofa gosta de falar do MST e, quando fala, fala muito mal.

Daí todo mundo tem que reconhecer que a dita "música sertaneja" é uma espécie de coronelismo musical brasileiro.

BELCHIOR DESAPARECEU


Um mistério ronda a MPB autêntica há dois anos. O cantor cearense Belchior simplesmente sumiu do convívio social há dois anos. Em abril deste ano, ele chegou a aparecer para cantar junto com o baiano Tom Zé, mas depois sumiu novamente.

Familiares não conseguem estabelecer um novo contato com o autor de "Como nossos pais". Mesmo produtores e parceiros musicais não sabem o paradeiro dele. Um dos primeiros procurados pelos repórteres de Fantástico, programa da Rede Globo, o cantor de música caipira Renato Teixeira, também não tem a menor idéia do paradeiro de Belchior.

Belchior é um dos nomes originários da geração nordestina que se lançou na música brasileira no final da década de 60. Fanger, Ednardo - ambos cearenses como Belchior - , Alceu Valença, Zé Ramalho, Amelinha, Novos Baianos, Geraldo Azevedo, Xangai, entre tantos outros, juntavam a influência hippie dos EUA com a cultura regional nordestina, numa fusão que surpreendeu público e mídia entre 1969 e 1977, época de seu apogeu.

Belchior fez vários sucessos, como "Apenas um rapaz latino-americano", "Medo de avião", além da própria "Como nossos pais", célebre pela voz de Elis Regina. Aparentemente, Belchior parecia dar uma "incerta", pretendia mudar de vida, provavelmente no estilo "sem destino" no mais típico estilo beatnik. Ele está sumido desde 2007.


MANIC STREET PREACHERS, grupo inglês, cujo vocalista Richey James (segundo, da esquerda para a direita), também está desaparecido.

Desaparecimento similar houve na Inglaterra, quando a banda Manic Street Preachers, outrora um quarteto, sofreu um desfalque quando o vocalista Richey James Edwards simplesmente desapareceu no começo de fevereiro de 1995. Até agora não se sabe o que aconteceu com Richey James. A banda decidiu seguir sem ele, com o guitarrista James Dean Bradfield assumindo os vocais.

Belchior, segundo amigos, parecia descontente com a carreira. Não era bem compreendido pela mídia e pela crítica. Na prática, seguia uma carreira independente, e era bastante admirado pelos fãs. Na sua última aparição, numa apresentação ao vivo de Tom Zé, foi aplaudido pela platéia entusiasmada.

Numa época em que o brega-popularesco ensaia uma hegemonia absolutista, fazendo com que todos os antigos medalhões da MPB autêntica desaparecessem das rádios, o desaparecimento misterioso de Belchior desafia a todos. Segue aqui a reportagem citada do Fantástico:

FÃS COISA NENHUMA


Os defensores da música brega-popularesca, que volta e meia disparam mensagens contra nosso blog, dificilmente poderiam ser apenas fãs comuns dos ídolos defendidos.

Mas não ocorre somente contra nosso blog. Em comunidades no Orkut, contrárias a qualquer um dos ídolos popularescos, sempre tem algum membro disposto a defender seu ídolo e desmoralizar cada comunidade. Será uma mera ação de fãs? Pouco provável.

Houve até casos de internautas rastrearem quem escreveu mensagens nessas comunidades anti-popularescos e invadiram a página de recados desse indivíduo para dizer desaforos de mau gosto. Numa comunidade contra a dupla Zezé Di Camargo & Luciano, membros que escreveram mensagens contra a dupla receberam recados agressivos de reacionários que defenderam os intérpretes de "É o Amor".

Seria estranho que todos os fãs de determinados ídolos da moda se preocupem mais em atacar quem não gosta desses ídolos. E muito estranho, ainda, é que desde os anos 90 é que começaram a aparecer pessoas assim. Em outros tempos, você falava mal de ídolo X que estava na moda e não tinha gente mandando e-mails dizendo que você é um "fdp" ou coisa parecida.

Fã de verdade quer mais é curtir seu ídolo. Claro que há fanáticos, mas não é também uma multidão de fanáticos que existe preferindo atacar detratores do que apreciar seus ídolos. Fanáticos que, na condição de meros fãs, atacam detratores, são mais raros.

O que acontece é que, com a Internet permitindo que se criem e-mails falsos, perfis virtuais falsos etc, muitos dos ditos "fãs" de ídolos breganejos, funkeiros e axézeiros, entre outras tendências brega-popularescas, são na verdade prováveis estagiários ou funcionários de veículos da mídia ou até de fãs-clubes que são quase que assessorias desses ídolos. É tudo chapa-branca, mesmo, gente que está lá nos pés de seus ídolos, lutando para eles continuarem ricos sob uma suposta aura de unanimidade.

Artur Xexéo, colunista de O Globo, já deixou uma boa pista quando ele, uma vez, falou mal da gravação do breganejo Leonardo à música "Nervos de Aço", clássico de Lupicínio Rodrigues que até o Paulinho da Viola gravou. Da noite para o dia, Xexéo recebeu e-mails agressivos e até pedantes - um teve a cara-de-pau de dizer que Leonardo é "a verdadeira MPB" (sic)! - , e Xexéo averiguou e verificou que todas as mensagens vieram de um fã-clube do cantor goiano.

Ou seja, não são meramente admiradores, que poderiam ficar em suas casas curtindo seus ídolos, seja quem falasse mal deles na Internet. São fãs-clubes, cujo sentido mais se aproxima de "clubes" do que de "fãs", porque são associadas de alguma forma aos empresários dos ídolos envolvidos, devido ao fornecimento de informações.

Também é necessário que a imprensa investigativa, sobretudo a de esquerda, investigue a ação desses supostos "fãs", que não medem escrúpulos até para xingar artistas da MPB autêntica e desmoralizar qualquer um que fale mal dos ídolos popularescos. Porque eles podem estar a serviço dos barões da mídia gorda, direta ou indiretamente, e ninguém sabe.

domingo, 23 de agosto de 2009

JOSÉ FLÁVIO JR. ELOGIA DESCARADAMENTE O "FUNK"


Meu irmão Marcelo, do blog Planeta Laranja, ouviu na rádio OI FM uma coluna com o crítico musical José Flávio Jr., que também trabalha na revista Bravo!, da Editora Abril.

Não é preciso dizer que meu irmão ficou pasmo com os comentários do crítico sobre o "funk carioca", lançando aquelas "pérolas" que os retóricos defensores do ritmo brega-popularesco tanto usam para convencer e enganar as pessoas.

José Flávio Jr. classifica o "funk" como "injustiçado", apesar de TODO O ESPAÇO da mídia gorda, da mídia gordinha e até da mídia popozuda, dado ao gênero. Ele tenta nos fazer crer que o ritmo "evolui" a cada época, é de "excelente qualidade" e só "algumas pessoas" não compreendem o ritmo.

Puro marketing da rejeição, como se o "funk" não estivesse, há tempos, no establishment do establishment da mídia mais popularesca.

Outras "pérolas" mais desastrosas de José Flávio Jr. são duas. A primeira certamente faria o historiador do folclore musical brasileiro, José Ramos Tinhorão, passar mal, que é dizer que o "funk é genuinamente brasileiro". Não, caro Zé Flávio, o "funk" NÃO É o mangue beat carioca, e os funkeiros mal se interessam a ler um Paulo Coelho, imagine ler um Oswald de Andrade, autor da idéia de "antropofagia" que os mangueboys seguem num exemplo mais atual!! Em outras palavras, o "funk" não é um ritmo estrangeiro adaptado à cultura nacional, mas um mero modismo apenas maquiado com falso brasileirismo. E aí entra outra "pérola" do Zé Flávio.

Ele disse que o "tamborzão", que é o recurso da bateria eletrônica imitando um som de umbanda - deve ser algum pagamento de dívida do DJ Marlboro a um "despacho" - , que Zé Flávio tenta atribuir à cultura dos atabaques africanos. Não, não foi uma influência natural dos atabaques africanos, mas uma imitação dos batuques de umbanda ouvidos na esquina de qualquer casa suburbana. Algo só para turista ver, nada que "enriqueça" o "funk carioca", ritmo que já nasceu corrompido por preferir seguir o miami bass, ritmo "171" da Flórida (EUA), do que as boas lições de Afrika Bambataa, o criativo mestre do funk autêntico eletrônico.

Certamente Zé Flávio armou essa conversa toda pensando na próxima votação, na Assembléia Legislativa carioca, do projeto que acaba com qualquer restrição aos "bailes funk" no Estado, que conta até com o apoio de MC Leonardo e outras raposas do momento, incluindo políticos do DECEPSOL.

Ou seja, vai ser barulho na madrugada toda, se a proposta defendida pelos funkeiros vencer (o fim das restrições). E eu e meu irmão já fomos vítimas dessa poluição sonora, quando um "baile funk" ocorreu perto de nossa casa e atrapalhou o nosso sono.

"LÍDER DE OPINIÃO" EM ESTADO DE CHOQUE



O "líder de opinião" está em estado de choque. Mal pode dizer alguma coisa em seu blog visitado por milhares de pessoas, de sindicalistas pelegos e burocratas baianos a socialites e senadores maranhenses.

Mas dá para perceber o choque dele ao ver sua querida TV Bandeirantes veicular reportagens sob o ponto de vista dos latifundiários. Logo a TV Bandeirantes, que ele chamava de "esquerdista" só porque se contrapôs "corajosamente" à Rede Globo no quesito telejornalismo. Logo a mesma empresa da Band News FM, que ele também julgava "heróica", apesar da rede de rádios noticiosa estar caminhando para o showrnalismo (não o showrnalismo que o "líder de opinião" entende, meio "Cidade Alerta", meio "revista Caras", mas que une notícias com espetáculo, marketing, coloquialismo compulsivo e um paiol de bobagens).

Ele havia comprado um cartão de amizade para dar ao chefe de jornalismo da TV Bandeirantes, Fernando Mitre, e havia escrito uma mensagem tão bonita de apreço a ele. Um cartão no mais típico estilo esquerdista, já que o "líder de opinião" se entusiasmou ao ver os anúncios da Band News FM na Caros Amigos e Carta Capital ("viu, viu?", disse o "líder" aos amigos, "viu como a Band é de 'esquerda'?") .

Como o Grupo Bandeirantes faz parte daquela facção da grande mídia que faz reportagens sobre Che Guevara sem partir para xingações ao falecido guerrilheiro (coisa que a Veja costuma fazer), então o "líder de opinião" achou por bem mandar o cartão ao Fernando Mitre.

Mas, quando ele havia comprado envelope e tudo, a TV Bandeirantes já mandava brasa nas reportagens contra o MST - que a rede chegou a reportar sem disparar um desaforo contra - , contra grupos similares e agora contra o rigor nos critérios de produtividade para os grandes fazendeiros. O "líder de opinião" mal pôde respirar. Ele, aparentemente, está sereno no seu blog, onde tem de tudo, xingações de lugar-comum aos políticos de ocasião, frases de escritores best sellers, "causos" sobre a história recente do Brasil etc etc etc. Mas, nos bastidores de seu festejadíssimo blog, o "líder de opinião" está deprimido por saber que não existe grande mídia de esquerda. Se ele fosse esquizofrênico, imaginaríamos ele dizendo, feito um débil-mental: "Dãããããoooo... Snif! Dão bode zê!!".

Na Bahia, um outro "líder de opinião", veterano jornalista de esquerda, mandou este mesmo cartão para o Mário Kertèsz, o "Cidadão Kane" baiano que está por trás da Rádio Metrópole FM, animado com as campanhas tendenciosas da rádio e suas posturas supostamente "cidadãs", seja com posturas falsamente solidárias a causas sociais edificantes (como a revolta dos estudantes contra o reajuste das passagens de ônibus soteropolitanos), seja com reportagens tendenciosas atacando velhos desafetos do astro-rei da emissora, que por mera coincidência são também odiados pelo "líder de opinião" e por uma questão histórica representam o coronelismo baiano em dada região de cidades.

Feliz da vida, o "líder de opinião" baiano não escaneou o cartão, mas escreveu no seu blog todos os amores que sentiu por Kertész e sua rádio, e o envio do cartão foi caprichado, teve até comprovante de "Ao Remetente" e tudo.

Só que mal sabia o "líder de opinião" que o dono da Rádio Metrópole simplesmente rasgou o cartão, rindo ironicamente daqueles que pensam que o astro-rei da emissora baiana virou esquerdista.

JABACULÊ NA MPB FM


Jabaculê dos "bons" na MPB FM. Hoje de manhã a rádio tocou "Eu vou tirar você deste lugar", do ídolo brega Odair José. Algo que caberia melhor num programa de flash back da Nativa FM.

O programador da MPB FM certamente deve ter se impressionado com os "causos" sobre o dueto de Caetano Veloso e Odair José no Phono 73, e pela pregação que a mídia gorda e gordinha fazem em prol dos bregas dos anos 70.

Só que a música "Eu vou tirar você deste lugar" poderia muito bem ser regravada pela banda do Exército e, se tivesse sido gravada em março de 1964, seria o hino máximo das passeatas Família, Deus e Liberdade que cantariam seu refrão em uníssono contra o então presidente João Goulart.

O grande perigo é de ver que, a qualquer momento, a MPB FM assimile em breve o mesmo playlist defendido hoje por rádios como Nativa FM, Beat 98 e FM O Dia, sob o pretexto da "ruptura de preconceitos" e outras lorotas que a mídia supostamente revisionista poderá armar para os crédulos de plantão.

Imagine se, daqui a dez anos, a MPB FM tocar Fábio Jr., Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Tati Quebra-Barraco, É O Tchan, Chiclete Com Banana e Asa de Águia, só porque uma elite de jornalistas e professores universitários movida a jabaculê tentou fazer uma "visão revisionista" do brega-popularesco, com argumentações do tipo "eles faziam sucesso sem esforço, era só montar um palco e a multidão chegava aos montes cantando de cór suas músicas; tempo de inocência onde uma bunda aparecia sem maldade nas telas da televisão, e não precisava ser um Tom Jobim para fazer música brasileira".

Gente fazendo argumentos engenhosos é coisa que até o Golbery do Couto e Silva, o famoso general da Escola Superior de Guerra e do "insituto" IPES, e também mentor do golpe de 1964, sabia fazer. Era só tocar no sentimentalismo forte das pessoas e, pronto, numa época era só botar os generais para o Governo Federal, noutra era só botar os bregas no rótulo MPB, convertido numa espécie de PMDB musical (mais tarde falarei do assunto).

Enquanto isso, o "mestre" José Sarney - tão "intelectual" quanto tão "MPB" são os ídolos cafonas e neo-cafonas - teve todas as acusações arquivadas pela Comissão de Ética do Senado Federal. Chamem os ídolos cafonas e neo-cafonas para a "pizza". Não se esqueçam dos trios elétricos e das duplas breganejas vestidas do mais "típico" traje caubói.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

HAYDEN PANETTIERE


Bom, para fechar a noite, nada como a beleza da aniversariante, Hayden Panettiere, que completa hoje 20 anos. A atriz do seriado Heroes começou carreira ainda criança, e hoje é uma das musas mais destacadas de sua geração, com seu corpaço curvilíneo e as sensuais pernas de miss. Ela é lindíssima e seu sorriso é irresistível.

Curiosamente, a existência de fotos da Hayden era ínfima na Internet, eram pouco mais de umas 20 até alguns anos atrás. Mas hoje há quem aposte que são mais de bem mais de 100 mil fotos acessíveis na rede.

Parabéns, longa vida e muito sucesso a essa bela gata.

RAUL SEIXAS


Hoje é o lançamento da versão cinematográfica do filme Veronika Decide Morrer, baseado na obra do escritor Paulo Coelho, que começou a se tornar grande sucesso literário logo em 1990.

Há 20 anos, o amigo de Paulo Coelho, o cantor Raul Seixas, faleceu de problemas causados pela diabetes. Raul havia retomado a carreira, junto ao conterrâneo Marcelo Nova, e os dois chegaram até a se apresentarem no estreante Domingão do Faustão, quando o programa, ainda sofrendo os ranços do Perdidos da Noite, ainda não era considerado o templo da música brega-popularesca do país.

Eu estava, de manhã, indo para a Rua Lions Clube, em Santa Rosa, Niterói, pegar o ônibus da Anatur, fretamento para a Universidade Gama Filho, onde estudava, e o rádio tocava um módulo com músicas de Raul, entre elas "Gita". Achei estranho, só soube do falecimento do cantor baiano no começo da tarde, quando voltei para casa.

Raul era uma figura controversa e, em vida, era esnobado e discriminado pela mídia. Tanto que deixou, na primeira oportunidade, a provinciana Salvador, sua terra natal, para viver até o fim da vida em São Paulo. Portanto, Raul tornou-se um paulistano naturalizado.

Raul teve a sorte, num Brasil atrasado quanto à modernidade internacional e numa Salvador mais atrasada ainda, de ter tido como amigo de infância um filho de diplomata. Isso fez Raul acertar o relógio com o rock'n'roll dos EUA logo de início. Pegando emprestado discos dos grandes nomes da época - nem preciso dizer quais são esses nomes - , Raul criou uma bagagem musical que o levou, depois, a formar o grupo Raulzito & Os Panteras. Fã de Elvis Presley - cuja importância Raul comparava com o sanfoneiro Luiz Gonzaga - , Raul rompeu com o ídolo assim que este, voltando do serviço militar, passou a gravar canções românticas e filmes tolos de Hollywood.



Não vou dizer tudo da carreira de Raul Seixas, coisa que vocês devem saber através de muitos textos na Internet sobre o músico, mas sabemos que a carreira fonográfica de Raul Seixas começou com o LP Raulzito e Os Panteras - de 1967, e não de 1968 como certas fontes dizem - e terminou com o LP A Panela do Diabo, com Marcelo Nova, cantor do Camisa de Vênus que havia composto com Raul a música "Muita Estrela, Pouca Constelação", gravada pela banda de Nova com participação de Raul em 1987.

O LP de Raulzito e Os Panteras se lembrou até dos Beatles, através da versão de "Lucy in the Sky with Diamonds", que virou "Você Ainda Pode Sonhar", título que não era original, mas usado porque o outro título, "Lindos Sonhos Doirados", trazia a mesma polêmica alusão do título original, referente a uma famosa substância alucinógena muito em moda em 1967.

Já o LP com Marcelo Nova se situa num contexto que compara Raul Seixas ao roqueiro Roy Orbison. Assim como Roy estava retomando a carreira e o fôlego criativo em 1988 e formou, com o ex-beatle George Harrison e mais Bob Dylan, Tom Petty e o "bode expiatório do rock"Jeff Lynne (e, por pouco, não teve o Del Shannon, que recusou o convite), a banda Travelling Wilburys, Raul havia retomado o fôlego criativo, depois de gravar discos na Copacabana, que não era do seu perfil, e que foram fracasso comercial (apesar do relativo sucesso de "Cowboy Fora da Lei"). A dupla Raul Seixas & Marcelo Nova era os Travelling Wilburys brasileiros. E, assim como Roy Orbison faleceu no final de 1988, Raul faleceu em 1989, ambos no caminho da retomada bem sucedida.

Raul Seixas era uma figura de temperamento difícil. Era diferente do mito que o transforma num "maluco" domesticado, numa interpretação equivocada da letra de "Maluco Beleza". Raul não tinha orgulho de ser "maluco". O que ele quis dizer foi que ele não queria se sujeitar ao rigor moralista vigente na sociedade de então. Que ele tinha temperamento difícil, que o mercado não entendia ele e ele nem queria saber do que o mercado pedia para ele fazer, até porque Raul não cederia ao mercado. Raul queria ser apenas ele mesmo.

Raul aderiu ao misticismo não por delírio esotérico dos hippies da moda. Foi apenas uma opção pessoal, na época, e mesmo assim o mito superestimou essa fase. O público careta, com seus malcolms montgomerys da vida, com sorrisos tolamente paternais e tocando violão músicas comportadas de grandes roqueiros, são pouco capazes de entender os Beatles na sua plenitude, também são menos capazes ainda de entender Raul Seixas, que, no seu exílio nos EUA (sim, Raul também incomodou os militares), fez amizade com John Lennon.

Raul não gostava de axé-music, quando esta verdadeira trilha sonora do projeto populista de Antônio Carlos Magalhães nem tinha este nome, por isso o cantor baiano nem a força iria voltar para a capital baiana. Nessa época os músicos de carnaval baianos - como Luís Caldas e Chiclete Com Banana - eram mais explicitamente cafonas, sem o banho de loja, de tecnologia e de marketing que os axézeiros de hoje, seguindo a cartilha do neo-brega, ganharam. Mas, em todo caso, Raul não compactuaria de jeito algum com a axé-music, mesmo se esta colocasse mais guitarras.

Isso porque mesmo o rock não era de todo bem aceito por Raul. Ele desconfiava do oportunismo dos hippies pós-Woodstock. Ele não tinha paciência com headbangers e nem mesmo com punks. Ele não se considerava "dinossauro do rock" porque odiava rótulos. Não era um tresloucado misticamente otimista, era um homem ao mesmo tempo cínico e cético, amargurado com as portas fechadas para seu talento, com as críticas negativas que recebia, e com o clima sócio-político marcado pela classe média embasbacada e pela ditadura que, naqueles anos 70, ainda não deu conta do recado. Sobre a música brasileira, o cinismo de Raul foi capaz de afirmar que o cenário musical nacional era como uma charrete que havia perdido o condutor. Isso ele havia dito em 1980, dez anos antes de algo pior acontecer, que é o império da música brega e neo-brega, que dura até hoje e certamente Raul pressentiu no final de sua vida.

Com a morte de Raul Seixas, a mídia não tardou de explorar sua pessoa feito crianças brincando com massa de modelar. Isso faria Raul ficar horrorizado, se ele soubesse o tratamento póstumo que passou a receber. De artista ignorado, passou a ser bajulado (o que certamente deixaria Raul revoltado e desconfiado), e foi preciso a ex-mulher Kika Seixas mover um processo judicial para impedir que ídolos de axé-music fizessem um disco-tributo ao roqueiro baiano.

Raul foi "remodelado" ao bel prazer daqueles que diziam seus fãs póstumos. Foi tratado como se fosse um "doido bacaninha", quase que um arremedo do Patropi, personagem do criador do Fofão, Orival Pessini, que satiriza um universitário de Comunicação dos anos 70. Foi tratado como um fanático esotérico, como um letrista "simpático" para "toda a família", como um caipira urbano ingênuo ou como um idiota de óculos escuros, tal qual sugere o logotipo de um tributo caça-níqueis de Raul Seixas feito pelo canal Multishow.

E a revista Veja ainda classificou Raul Seixas de "brega", como se Raul estivesse num nível bem abaixo de seu maior arremedo, uma verdadeira paródia lançada pela música brega, o cantor Sílvio Britto, que, com aqueles óculos copiados de John Lennon, não nos enganava ao tocar músicas tolas como "Tá todo mundo louco", a meio caminho entre Odair José e Sérgio Mallandro.

Em suma, Raul Seixas, morto, se transformou em bobo alegre, fazendo até com que cantores de breganejo e axé-music embarcassem, oportunistas, na carona do repertório do roqueiro baiano. Isso em nada enobreceu a imagem de Raul. Pelo contrário, praticamente fizeram a farra com sua morte. Em 1976, Raul Seixas lamentou, em musica, que todo mundo queria reclamar. Mas, nos últimos 20 anos, Raul não está mais aqui para reclamar.

E a música brasileira continua sendo uma charrete que não reencontrou seu condutor.