segunda-feira, 27 de julho de 2009

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO: VERDADEIROS "ONE HIT WONDER"



Mediocridade musical é isso aí.

Em entrevista recente, Zezé Di Camargo, o cara que aparece aqui esbanjando os cafoníssimos mullets, se queixou de ser reconhecido apenas pela música "É o amor", hit do cancioneiro brega que teve a sorte de aparecer em antologias de MPB feitas por pesquisadores de olho talvez em algum lugar na grande mídia, seja como colunista de O Globo ou, pelo menos, como um jurado do Fausto Silva ou como um entrevistado de sábado do Jornal Hoje.

É certo que Zezé Di Camargo foi responsável até pelos sucessos da dupla Leandro & Leonardo, mas "É o amor" lhe assombra, assim como assombra o seu parceiro Luciano - na verdade Zezé e Luciano se chamam Mirosmar & Welson - , e por mais que haja outros "sucessos" da dupla goiana, eles não passam de meras músicas de trabalho das rádios de MCB - Música de Cabresto Brasileira, que são emissoras como Nativa FM (SP/RJ), Transcontinental (SP), Piatã (BA), 102 (MG), Mania FM (MG/GO/RJ), entre tantas outras.

Nos últimos anos, a dupla estava desesperada em manter o sucesso comercial ajudado pela estrutura coronelista que envolve rádios, TVs e gravadoras, além das redes de supermercados e de lojas de eletrodomésticos que apoiam esses ídolos popularescos, investidos através de fortunas despejadas por fazendeiros e políticos de direita.

Desde 2004, Zezé Di Camargo & Luciano encomendaram uma biografia cinematográfica narrada em tom de dramalhão, que valeu aos dois irmãos seus "quinze minutos de fama" ao lado de cineastas e até de medalhões da MPB. A trilha foi de um pretensiosismo sem tamanho, onde cantores de MPB foram chamados para duetar ou gravar músicas, enquanto Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó representavam a ala brega, posando de reis da cocada preta.

Depois a dupla goiana, que não era grande coisa no seu repertório - "É o amor" é o tipo de música que tenta ser tudo e nada consegue ser, não sendo bolero, nem moda de viola, nem guarânia, nem country, nem seresta, nem mariachi e muito menos MPB e só valeu porque foi gravada por Maria Bethania - , piorou o que havia de ruim na sua música.

Nos álbuns recentes, Zezé Di Camargo & Luciano partiram para um ecletismo sem pé nem cabeça, adotando uma atitude "urbana" (simbolizada sobretudo pelas camisas "havaianas" que Zezé costuma exibir nas fotos) e partindo para investidas idiotas como acordes de reggae e até parodiar o estilo de Zeca Baleiro, como em "Meu país". Não chegaram ainda ao flerte dos compadres Chitãozinho & Xororó com o emo, vide uma apresentação especial junto ao Fresno, mas igualam-se no pretensiosismo dos amigos paranaenses.

Cá para nós, a dupla goiana vai ficar marcada apenas por "É o amor". É sua sina. Zezé Di Camargo & Luciano são os verdadeiros one hit wonders, intérpretes de um sucesso só. E isso porque Maria Bethania gravou essa música. Se não fosse a irmã do Caetano Veloso, nem "É o amor" sobraria. Se bem que o breganejo, como um todo, está longe de sobreviver à posteridade.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Eu lembro de uma entrevista do Zezé Di Camargo em um jornal carioca, reclamando que as rádios cariocas não tocavam suas músicas, exceto uma que ele não citou: a Nativa FM.

Pô, o lelé da cuca queria mais???

Até agora, não tomei conhecimento de nenhum pronunciamento do Zezé ou do irmão contra o fim da Antena 1 Lite FM carioca.