terça-feira, 14 de julho de 2009

"They don't care about rock'n'roll"



Essa "pérola" é mais uma para o anedotário brasileiro, e uma mostra de como as gerações de roqueiros pós-grunge e pós-poser que surgiram nos anos 90 - na década de 80 eles nunca ouviram Fluminense FM ou similares, mas rádios popularescas, Xuxa, Trem da Alegria e o escambau - são muito, muito frouxas (e trouxas).

Tudo bem que a morte de um astro pop causou muitas comoções, pegou de surpresa muita gente e chocou muitos jovens. Mas nada justificam as manifestações surreais em torno de Michael Jackson, que foi apenas um talentoso cantor soul, um dançarino e até um intérprete e compositor bastante expressivo em seu gênero.

No entanto, ele foi reconhecido mais como um "roqueiro", um "militante sócio-político", um "poeta", coisas que ele de fato nunca foi, com todo o respeito que se deva ter a ele. Pelo contrário, essas qualidades surreais atribuídas a Michael só fazem diminuir sua importância dentro daquilo que ele sabia fazer, e são fruto mais do delírio de uma juventude com mania de fazer discursos "cabeça", ter conceitos "preciosistas" e atitudes "arrojadas", quando, na essência, nada têm de "cabeça", "precioso" ou "arrojado".

A foto que vemos é uma estátua de Michael Jackson colocada na Galeria do Rock. Se fosse num shopping center comum, seria mais adequado, mas na Galeria do Rock? E eu que achava que o apoio da Galeria do Rock, nos anos 90, àquela ridícula emissora chamada 89 FM (já naquela fase "Jovem Pan 2 com guitarras" pilotada por produtores temperamentais), fosse o máximo de patético que um reduto da cultura rock pudesse fazer.

Mas agora tornou-se um exagero tratar Michael como se fosse um "roqueiro". É coisa que, nos EUA, está mais próxima da yellow press (equivalente à nossa "imprensa marrom"). Mas aqui tal atitude é considerada de "grande justiça" e "altíssimo nível", num país onde se viaja muito na maionese.

Daqui a pouco uma dupla breganeja vai morrer e a Banda de Ipanema vai homenagear a dupla e o governo do Rio de Janeiro vai encomendar uma estátua da dupla a ser colocada na Av. Vieira Souto. Ou então um poderoso DJ de "funk" vai morrer e o Teatro Municipal vai colocar no seu interior um busto em homenagem a ele.

Por favor, tenham dó de mim!!!!

Um comentário:

Marcelo Pereira disse...

Esses elogios todos com certeza vieram de gente sem conhecimento musical e sem senso crítico e senso do ridículo.

Gostar de MJ é uma coisa, mas atribuir a ele quanlidades que não são dele, mas de outros artistas é o fim da picada.

Esses fãs histéricos deveriam ler mais sobre a história da música e aprender a destinguir gêneros musicais utilizando o ouvido e não os olhos.