segunda-feira, 20 de julho de 2009

QUEM É QUE FINANCIA O "FUNK" NAS EXCURSÕES PELA EUROPA E PELOS EUA?


Esse aí é o novo namorado da Valesca Popozuda? Tomara que sim!

Desde o início desta década ouvimos falar de excursões de ídolos funkeiros pelos países da Europa e pelos EUA, dando a falsa impressão que o "funk carioca" conquistou o mundo.

É claro que existirão intelectuais, artistas e turistas ingênuos que tentam "corroborar" o "sucesso mundial" do "funk", que não passa da mesma fraude que vimos com a lambada. Os ídolos funkeiros, financiados pelas elites, fazem apresentações no exterior enquanto alguns idiotas são selecionados para fazer a platéia deles, seja entre turistas brasileiros, seja entre brasileiros residentes no exterior.

Sobre quem são os investidores dessas viagens milionárias dos ídolos "funk" brasileiros para o exterior, é realmente um mistério. Mas indica o quanto tem gente rica e poderosa por trás do "funk", como esteve por trás de outros ícones do brega-popularesco que tentaram se projetar no exterior de alguma forma. E isso desmente o caráter de "música verdadeiramente popular" que essas tendências forjam através da mídia grande.

Claro que corre toda a lorota na mídia gorda e até na gordinha. Como rolou na lambada, quando se falou que o ritmo "contagiou toda a Europa e os EUA", uma grande mentira. No Brasil, trabalha-se a falsa impressão de que tais ritmos conquistaram europeus e norte-americanos, quando eles só reconhecem em tais eventos apenas armações menores de chicanos metidos. No máximo, eles vêem eventos como esse como se fossem um estranho exotismo, algo como uma exibição de porco com um olho só e galinha de três cabeças realizada pelo Instituto Vital Brasil de Niterói.

Da música produzida no Brasil, só vingam as tendências consideradas autênticas e de grande criatividade. A Música de Cabresto Brasileira tentou embarcar na cauda do cometa e se deu mal. Sandy & Júnior tentaram carreira no exterior e fracassaram, os norte-americanos viram que não passava de clones do Roxette. Alexandre Pires tentou carreira no exterior e fracassou, porque os gringos viram que ele não era mais do que um sub-clone misto de Bobby Brown com Alejandro Sanz. O É O Tchan foi se apresentar em Montreux e o evento virou uma baixaria sem tamanho, queimando para sempre a reputação do evento suíço que outrora era um dos mais relevantes e sofisticados festivais de jazz e era famoso por sua platéia comportada, conhecida por aplaudir em silêncio, sem dar palmas fortes nem dar gritos histéricos.

Até uma conhecida cantora baiana, que preferimos não dizer o nome para não atrair seus fanáticos fãs pela busca do Google, mandou assessores para chamar Bono Vox, líder do U2, para um dueto com ela, depois que ele apareceu diante do trio da cantora para cantar uma "salsa". O agente de Bono disse que o irlandês estava ocupado demais, mas, cá para nós, ele não leva a cantora baiana muito a sério. E olha que ele é bastante altruísta, mas desta vez não tem conversa: axé-music não deve ser levada a sério. Aliás, a tal cantora disse recentemente que quando estava em Madri ela dançava na rua para chamar atenção das pessoas. Urgh!

No exterior, é a música de qualidade que prevalece. Nada de popularesco metido a "vítima de preconceito". A Bossa Nova conquistou o exterior porque, em que pese a acusação de José Ramos Tinhorão de ser uma clonagem do jazz, conseguiu de fato adaptar o jazz e os standards norte-americanos à brasilidade carioca, ainda que fosse uma releitura do samba feito por jovens de classe média alta. O rock alternativo, de nomes como Fellini (do apresentador do SESC TV Cadão Volpato e do jornalista da BBC Brasil Thomas Pappon) e do grupo carioca Second Come, conquistaram a mídia britânica porque eram realmente bons. O falecido John Peel tocou Fellini em seu programa, uma vez. E Everett True, o inglês que irritou a crítica norte-americana por ter reportado o grunge antes de todo mundo, disse que o Second Come chegava a ser melhor do que Jesus & Mary Chain, que ele mesmo assim gostava.

Há outros exemplos, como o thrash metal do Sepultura e a cena punk brasileira, sobretudo do Ratos do Porão, que geraram até um cenário curioso na Finlândia, onde existem bandas punk influenciadas pelos brasileiros e que tocam e gravam até em português!

Por isso não dá para dizer que o brega-popularesco faz o mesmo sucesso no exterior que a música de qualidade. Da mesma forma que não dá para dizer que o brega-populareso é a "nova música de qualidade". Deixem de ser imbecis, ora!! Música popular de verdade não é aquela que está em vaquejadas, micaretas e "bailes funk" ou que lota platéias com facilidade. Música popular de verdade é aquela que não trata o povo feito otário, feito gado da mídia gorda.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Alexandre,
Se a revista "Manchete" continuasse sendo publicada semanalmente hoje em dia, será que esse periódico da Bloch Editores elogiava ou criticava o "funk carioca"?