terça-feira, 14 de julho de 2009

O "LÍDER DE OPINIÃO" É O PEIXE-PILOTO DA GRANDE MÍDIA



O "líder de opinião" não costuma ter grande criatividade, a não ser nos casos de jornalistas com experiência na grande mídia e que agora se ressentem da chamada "mídia gorda" da qual eles se tornaram dissidentes.

Deixemos de lado esses jornalistas e vamos para o tipo mais acessível de "líder de opinião", que são os blogueiros e os jornalistas de terceira divisão, inclusive aqueles jornalistas de esquerda que se tornam corrompidos por cortejar a "mídia gordinha", segundo escalão da grande mídia (aquele escalão que não é abertamente reacionário).

Neste caso, o "líder de opinião" tenta criar um discurso meio a meio. Como não deve expressar apreço à "mídia gorda", se apega à "mídia gordinha", à "mídia boazinha", em nome da visibilidade. Em seus blogs ultra-badalados, o "líder de opinião" faz o dever de casa, é o "aluno aplicado" que falou Juremir Machado da Silva no seu livro A Miséria do Jornalismo Brasileiro (Petrópolis: Vozes, 2001).

O "líder de opinião", como escrevi, tenta criar um discurso meio a meio. Rejeita então o discurso reacionário da Veja, das Organizações Globo em estado bruto - isso quando não veicula "funk" nem esporte, que fazem as OG parecerem "mídia boazinha" para os olhos e ouvidos do grande público - , que seria o mesmo que ser antisocial. Então corre para os braços da "mídia gordinha" ou "mídia fofa", como a Isto É e o Grupo Bandeirantes, que volta e meia investem em reportagens contra seus vilões prediletos, as autoridades da saúde pública, os parlamentares do Congresso Nacional, os assaltantes e até os times de futebol adversários ao que ele torce.

Para temperar, ele então "recheia" esse perfil com um pouquinho da abordagem esquerdista de Caros Amigos e Carta Capital. E aí, pronto. Temos o "líder de opinião" na nossa frente, ou melhor, na blogosfera a fazer a alegria da claque embevecida.

O "líder de opinião" não cria, ele copia. Qual o seu pensamento criativo, qual a abordagem original? Nada! Ele quer é fazer a média da mídia, como um conciliador entre a "mídia gordinha", a mídia de esquerda, e o leitor de nível médio que aplaude tais "líderes" até quando eles tossem.

Por isso, o máximo que o "líder de opinião" faz é extrair uma denúncia aqui e ali, seja de uma professora de uma universidade do Pará processada por um senador que não gostou de ser por ela chamado de corrupto e a vê como ameaça ao poder, seja de um jornaleco do interior da Bahia que está a serviço de uma família de fazendeiros poderosos.

Fora isso, o que se vê nos ultra-badalados blogs do "líder de opinião" são os mesmos assuntos de sempre da mídia que ele consulta: seja o Último Segundo do IG, seja o Jornal do Brasil, a TV Bandeirantes, a Band News FM, a Isto É e os veículos esquerdistas Caros Amigos e Carta Capital.

O "líder de opinião" é tão sem criatividade que se apega à visão oficial das coisas. Não questiona, por exemplo, se o "funk carioca" é mesmo o "movimento dos excluídos" que tanto se fala. Se o assunto é jabaculê no rádio FM, sua visão ainda está presa à abordagem de 25 anos atrás, quando essa prática de propina se limitava quase sempre às relações entre indústria fonográfica e programadores de rádio.

Hoje o propinoduto de FM migrou completamente para as chamadas "rádios AM em FM", deixando de ser musical, e hoje as chamadas "jornadas esportivas em FM" quase sempre escondem um gigantesco esquema de corrupção que movimenta milhões de reais. Mas todo mundo fica em silêncio, em nome do corporativismo. A imprensa escrita não denuncia este jabaculê porque não vai botar amigos na cadeia. E o "líder de opinião", muito menos, quer ficar na sua visão de 1984, que lhe é mais confortável, e também não vai querer ver seus ídolos do rádio "AM em FM" na berlinda, afinal eles são quase que semi-deuses para ele.

O "líder de opinião" prefere ir para o mundo das aparências. Se está na imprensa escrita, no rádio, TV e nos sites "autorizados", para ele é verdade. Mas se está em blogs "desprezíveis" como o nosso O Kylocyclo, ele duvida que seja algo próximo da verdade.

O "líder de opinião" é como uma criança vendo filme de mocinho contra bandido. Os "mocinhos" do "líder de opinião" são os homens da mídia, como os jornalistas de nome e até os pseudo-jornalistas de nome. Se ele for baiano, inevitavelmente ouvirá a Rádio Metrópole e lerá o jornal A Tarde. Se for paulista, lerá, meio ressentido, a Folha de São Paulo, depois da campanha anti-lulista e do episódio da "ditabranda". Também ouvirá, meio ressentido, a CBN (em FM, claro), porque a CBN quer ser mais vejista que a revista Veja. Mas então ele pode descansar ouvindo Band News, Transamérica, Rádio Bandeirantes "AM em FM", o "Estádio 97", que lhe oferecem as rações noticiosas / esportivas que ele precisa.

Os vilões do "líder de opinião" são a "mídia gorda", quando ela se torna escancaradamente reacionária, os políticos corruptos e os ladrões em geral. O que não significa que ele seja um homem rigorosamente transparente. Pelo contrário, se um corrupto como Mário Kertèsz hoje se passa por "radiojornalista", o "líder de opinião", neste caso o baiano, aplaude de pé com mais entusiasmo que um biruta que pensa ser passarinho.

Aí, quando aparecem denúncias contra líderes do senado, o "líder de opinião" logo encampa a
"bandeira da cidadania". Arrota discurso precioso: "Lama no Congresso Nacional: Legislativo é puro lodo!! O cidadão brasileiro financia essa bagunça!!". Todos aplaudem. "Vivaaaa!! O ("líder de opinião") é o maior!!", grita a claque. Chovem comentários no texto correspondente no blog feito temporal em poucos minutos. Num dia, estão lá, no mínimo, 30 ou 40 comentários sobre o texto veiculado.

Mas quando houve a campanha da Isto É para colocar o esquecido Fernando Collor de Mello no Senado Federal, o "líder de opinião" não desconfiou. Feliz com a conduta da revista Isto É, cujas reportagens investigativas lhe divertem muito, o "líder de opinião", consultando o Orkut que, lá pelos idos de 2006, tinha a maior parte das comunidades sobre Collor favoráveis ao suposto "caçador de marajás", foi dormir tranquilo, sem disparar um questionamento sequer. Estava até começando a acreditar que Collor, assim como o "injustiçado" Paulo Maluf (espécie de Waldick Soriano da política brasileira), viraram "esquerdistas", como o baiano bocó que acreditou que Mário Kertèsz virou "esquerdista".

O "líder de opinião" nem se cuidou de ver os noticiários mais recentes que mostram Fernando Collor como um senador irresponsável, que mal comparece às sessões do plenário do Senado, a não ser para legislar em causa própria. Se alguém lhe deu essa notícia, o "líder de opinião" se calou. "Collor abriu o mercado", pensou ele. "Todo o conforto que vivo, eu devo a ele, em que pese aquele horrível confisco da poupança. Melhor não mexer no cara".

O que o "líder de opinião" não sabe, porém, é que os personagens do teatro fisiológico mudam. Ele criticou a Rede Globo e a Veja, e foi pego de surpresa com o reacionarismo da Folha de São Paulo. Ele critica o fisiologismo do PMDB, sem saber que o PSDB pode lhe aprontar novas "surpresas". O jabaculê ameaça seus "heróis" do rádio FM e o "líder de opinião" fecha seus ouvidos que nem criança malcriada.

O "líder de opinião" não enxerga longe. Ele é apenas mais um óculos sem grau da grande mídia, que apenas repete a visão oficial dos meios de comunicação. Diz servir à sociedade, mas serve mesmo para seus amigos e fãs. Para ele, o valor da informação não está na coerência dos fatos e idéias apresentados, mas em quem transmite as idéias e os fatos. Com isso, perde ele no teatro informativo, porque os interesses privados acabam prevalecendo sobre o interesse público.

Eu não quero ser um "líder de opinião". Eu quero é abrir a mente das pessoas e mostrar aquilo que a grande mídia insiste em esconder.

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