domingo, 19 de julho de 2009

HIT-PARADE + NOTÍCIA = AGENDA SETTING



Essa ninguém percebeu. Nem os intelectuais apocalípticos, nem os intelectuais integrados, muito menos os "primos-pobres" destes, os "líderes de opinião.

Ninguém percebeu que o conceito de agenda setting é exatamente o mesmo que o do hit-parade, só que num âmbito mais amplo, o do noticiário em geral.

O "líder de opinião" até se irrita com essa comparação. "Que infantilidade", diz ele, irado (não é gíria). "Comparar o nobilíssimo agenda setting, meio de nossa heróica mídia conduzir o debate público, com uma tolice que só seleciona sucessos comerciais da música?", completará o nosso badalado astro da "opinião pública" privada.

Mas o agenda setting é o hit-parade da informação. Por quê?

Com base nos estudos de Maxwell McCombs e Donald Shaw, que formularam o conceito, a hipótese do agenda setting é um tipo de efeito social da mídia que compreende a seleção, disposição e incidência de notícias sobre os temas que o público falará e discutirá. Em outras palavras, é a maneira de como a mídia influencia na seleção de temas feita pelo grande público.

Com isso, temas supostamente tidos como "mais importantes" são lançados à evidência, enquanto outros aparentemente menos relevantes são jogados ao esquecimento. É o jogo da mídia: um repertório relativamente limitado de temas é divulgado pela mídia, que oculta outros temas que "não tem serventia". Motivos que variam desde a estrutura organizacional dos veículos de mídia até mesmo o tendenciosismo a partir de interesses particulares suspeitos fazem com que a mídia trabalhe apenas com uma seleção restrita de temas.

Por exemplo. Fala-se muito do futebol brasileiro, das bolsas de Nova York, do governo dos EUA. Mas, e do movimento estudantil na Bolívia, por exemplo? Raramente, só quando há uma ocorrência séria. E do desconforto dos bancos de plástico nos ônibus de Salvador, Curitiba e Fortaleza? E das artes plásticas do povo do interior do Nordeste? Raramente isso acontece.

O noticiário tem um repertório restrito de temas, que pouco variam de um veículo para outro. Isso é hit-parade. O hit-parade também é uma seleção de temas, no caso as canções, onde os supostamente mais importantes são poucos mas ofuscam uma porção de temas (canções) que aparentemente "não têm relevância".

Os critérios de ênfase nos temas, tanto no agenda setting quanto no hit-parade, é duvidoso. Com a grande mídia caminhando cada vez mais para o showrnalismo - processo que no Brasil aumentará de forma mais acelerada com a entrada do mercado de novos "jornalistas" sem diploma - , cada vez mais o supérfluo pode dominar os noticiários. Barack Obama matando uma mosca na entrevista dá uma cobertura tremenda, mais do que uma simples reunião com o mesmo presidente dos EUA para resolver os problemas mundiais do meio ambiente.

Portanto, para quem imagina que noticiário não tem hit-parade, sobretudo os "fanáticos modulados" que equivocadamente tratam as "rádios AM em FM" como se fossem emissoras alternativas, é bom tirar o burrico do temporal. Se no hit-parade temos a rainha do pop, a princesinha do pop e o cantor encrenqueiro do momento, no agenda setting temos o presidente dos EUA, o presidente do Brasil e o maior craque de futebol do momento. A lógica é a mesma, o sentido é o mesmo, só diferem os contextos.

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

Essa Band News FM é uma verdadeira "Andréia Albertini" radiofônica!

Marcelo Pereira disse...

O conceito de Agenda Setting é uma das muitas coisas que os jornalistas sem diploma não sabem e se recusam a saber.