quinta-feira, 11 de junho de 2009

UM "CAUSO" DA MÍDIA BAIANA: DONO DA RÁDIO METRÓPOLE ATACA OLDACK MIRANDA E EMILIANO JOSÉ


O que é a obsessão pela visibilidade. Certos absurdos envolvendo o rádio baiano servem para a gente refletir sobre a boa-fé de certas pessoas de esquerda.

Há um ano, o responsável pelo blog Bahia de Fato, Oldack Miranda, jornalista que escreveu, junto com o colega Emiliano José, um livro sobre o guerrilheiro Carlos Lamarca- que era da esquerda armada e lutava contra a ditadura nos primeiros anos do AI-5, tendo morrido em 1971 baleado pelos militares num tiroteio - , fez críticas à então revista Metrópole (que depois virou jornal), chamando-a de bonitinha mas ordinária, em alusão a uma conhecida obra de Nelson Rodrigues (não citado pelo autor).

A revista/jornal Metrópole é um braço impresso da Rádio Metrópole, do empresário e ex-prefeito de Salvador, Mário Kertèsz, figura "ímpar" da direita soteropolitana. Certamente, o ex-prefeito e hoje empresário e dublê de radiojornalista não gostou das críticas apresentadas e, em seu programa, fez duros ataques a Oldack que, sabemos, pasmem, foi assessor de Kertèsz (deve ser por algum salário um esquerdista querer ser assessor de um antigo político direitista).

Para desespero das macacas de auditório da Rádio Metrópole, Kertèsz, que passava a imagem de "sempre tranquilo", "gentil" e "todo-paciente", se enfureceu com as críticas recebidas a sua revista, e, como a Rádio Metrópole parou de fingir que gostava do PT, já fazia, há meses, ataques duros à esquerda baiana, não sobrando farpas sequer a Lula, ao PSTU, a Jacques Wagner, e mesmo para Emiliano José e Oldack Miranda, que, talvez por questões de visibilidade, tenham feitos elogios inocentes à emissora e até ao seu dono, contrariando a natureza ideal de um esquerdista nestas ocasiões.

Imagine, por exemplo, José Arbex Jr., da Caros Amigos, dissidente indignado da Folha de São Paulo, fazer altos elogios ao Otávio Frias Filho. Mas, mesmo com as críticas, Oldack ainda fez elogios a Kertèsz, quando sabemos que isso é inconcebível. Não se pode creditar qualquer respeitabilidade, por exemplo, a uma rádio cuja estrutura atual se originou num desvio de verbas públicas durante obras de grande envergadura na capital baiana que foram subitamente paralisadas. Quando deveria, o dono da Rádio Metrópole não serviu à sociedade baiana, é pelo rádio que ele servirá? Não.

CARLISMO

Enquanto os "líderes de opinião" baianos, dos blogueiros comuns aos jornalistas como Oldack e Emiliano, comemoram o fim do carlismo na Bahia, o conselho que faremos aqui se resume à seguinte frase: "menos, menos".

É muito cedo para afirmar que o carlismo, a "doutrina" política de Antônio Carlos Magalhães, líder populista de direita do Estado, morreu junto com o então senador. Grande ingenuidade, uma vez que o carlismo foi tão marcante que não serão algumas derrotas políticas que, da noite para o dia, irão sepultar este fenômeno político. Nem o varguismo morreu em 1954, esperando o Golpe de 1964 para dar seus últimos suspiros e seu cadáver ser exumado por FHC, nos anos 90.

ACM, em que pese ser odiado por muitos, tinha algum carisma entre os mais provincianos baianos. E criou um projeto político e midiático cujos herdeiros continuam em evidência, e cujos efeitos se refletem ainda hoje. ACM foi o pai da axé-music, porque o ritmo baiano famoso em todo o país foi idealizado por marqueteiros, músicos e políticos que trabalhavam para o "cabeça branca", um ritmo estereotipado que juntasse clichês afro-caribenhos, arremedos de frevo, visual pseudo-tropicalista e culto às celebridades comparável ao da Jovem Guarda.

Os próprios herdeiros de ACM se juntaram na mais recente aliança para eleger novamente o antigo rival dos carlistas, João Henrique Carneiro, para prefeito de Salvador. Como o mundo dá voltas e a província baiana também, João recebeu o apoio tanto de carlistas enrustidos como Mário Kertèsz (outrora rival furioso de João, a ponto de chamar o prefeito de "maluco"; mas hoje o "radialista" trocou o alvo e hoje esculhamba tudo o que for de esquerda na sua frente, retomando suas raízes arenistas), de carlistas envergonhados como Marcos Medrado, Pedro Irujo e Cristovinho Ferreira (que, como Kertèsz, integram o baronato local da Aemização das FMs de Salvador) e mesmo de herdeiros não-assumidos do carlismo, como ACM Neto (que hoje reclama aos quatro ventos que o carlismo acabou).

Ou seja, todos os herdeiros do velho "cabeça branca" se uniram, e, se não vão mais evocar a memória do velho senador, darão nova vida à direita baiana, procurando ser tão temíveis ao povo baiano quanto foi o "toninho malvadeza". Na prática, farão um outro carlismo tão duro e arrogante quanto o do "painho".

É bom o pessoal da Bahia abrir os olhos.

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