terça-feira, 9 de junho de 2009

Tanta autoridade elogiando "rádios AM em FM"? Onde há fumaça, há fogo...


Muito estranho. Esse filme todos já viram, em caráter regional ou nacional. Quando alguma "rádio AM em FM" é lançada, seja um mero programete "de locutor" ou seja uma afiliada de rede ounius, ou então alguma nova repetidora de emissora AM na mesma região, o que há são declarações de autoridades e políticos elogiando a tal FM, com mil bajulações, comentários delirantes, expectativas mirabolantes. "Enfim, a cidadania no 'dáiou'", exagera um. "O cidadão foi presenteado com uma poderosa rádio", delira outro.

Foi assim com a tal "Super Rádio Tupi" dos 96,5 mhz cariocas. Até Lula delirou, mas aí os "líderes de opinião", que quando querem reforçar seu (pseudo) esquerdismo falam mal do presidente, mas dando uma impressão de que aderiram ao trotski-guevarismo, pouparam o presidente, afinal eles gostam de tais comentários, mais delirantes quanto a fértil imaginação dos viciados em ácido lisérgico (LSD).

Mas esse filme existe até na ridícula e patética Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia), onde até hoje tem autoridade telefonando para elogiar a "excelente programação da emissora" e a "integridade" (sic, para reforçar as aspas) do seu empresário.

Quando há, nestes casos, uma euforia maior que a festa, nossa reação, como pessoas responsáveis, não é outra senão a de desconfiar. Por trás dessas "calorosas declarações", há um desejo pessoal de visibilidade, por parte das autoridades declarantes, que qualquer programação "informativa" da grande mídia oferece. Seja para políticos, dirigentes esportivos, professores universitários, todos embarcando, feito candidatos ao próximo Big Brother Brasil, ao circo do exibicionismo midiático, tudo em nome de uma "cidadania de resultados".

POLITICAGEM FM

Quem está por trás das "rádios AM em FM"?

- Ora, é o cidadão. - diz o "líder de opinião", com ar de pretensa convicção.

Errado, prezado escriba da mídia fofa. Quem está por trás das "rádios AM em FM" mostra o quanto a badalação dessas rádios é muito maior do que o sucesso que elas obtém, pois muitas dessas rádios ficam atoladas entre o 15º e o 16º lugar entre um dial de 30 FMs - algo como estar entre o 7º e o 8 lugar num dial de cerca de 14 FMs - e mesmo assim ficam se achando. "Nossa rádio não quer saber do ouvinte, quer saber é do cidadão", delira, demagógico, o coordenador de uma dessas FMs, sem saber que tal declaração soa jocosa para o anunciante.

Por trás dessas rádios, há políticos de direita e centro-direita, dirigentes esportivos, empresários da grande mídia, etc.. Sim, essas FMs fazem parte do circo da mídia gorda, embora o "líder de opinião" tente desmentir. Até anteontem, ele não acreditava que a Rede CBN fazia parte da mídia gorda, ele pensava que a rede radiofônica fazia parte de uma "esquerda responsável", diferente dos "baderneiros" da imprensa sindical...


Um exemplo disso é como surgiu a rádio CBN Curitiba FM, que desalojou a história rádio de rock Estação Primeira FM e durante anos foi endeusada pelas pessoas até os astros-jornalistas da CBN exibirem seu reacionarismo que seus paletós impecáveis prenunciavam sem que alguém pudesse desconfiar (a não ser nós, é claro).

A CBN Curitiba foi investida por um dirigente esportivo do Atlético Paranaense, que comprou a marca CBN para integrar a "nova" emissora, numa clara relação entre rádio e politicagem, que envolve "cartolas" e grupos de rede. Pois um banqueiro e também dirigente esportivo - integrante da diretoria do Paraná Clube - , e também político de direita, comprou a antiga Estação Primeira e a incluiu no seu "pequeno" grupo midiático, que inclui uma AM curitibana e mais a antiga Studio 96, que num arranjo com a mídia fofa virou Band News Curitiba.

E, para quem pensa que a Band News é "de esquerda", é bom logo avisar que um dos primeiros políticos a serem entrevistados pela afiliada curitibana é o senador paranaense Álvaro Dias, do PSDB, um dos mais ferrenhos opositores do governo Lula e uma das principais figuras da direita brasileira.

É certo que Lula decepciona pela presença forte do fisiologismo político, que por sua vez faz suas jogadas em outras "rádios AM em FM", como em outras afiliadas da Band News, na Infra Rádio Tupi e, em caráter misto com os herdeiros do carlismo (que é aliado do PSDB), na Rádio Metrópole de Salvador (outra assim, assim com os "cartolas", no caso os do Esporte Clube Vitória).

Mas no jogo da mídia, há quem está a favor ou não do governo federal atual, e o perfil das "rádios AM em FM" tende a ficar num teatro maniqueísta comparável com a ditadura, uma vez que a mídia gorda propriamente dita (CBN, Rádio Gaúcha e simpatizantes) faz o papel da antiga ARENA (hoje feito pela dupla "sertaneja" PSDB e DEM) e a mídia fofa (Band News, Rádio Tupi e simpatizantes) faz o papel do antigo MDB (hoje desempenhado, evidentemente, pelo PMDB e outros partidos simpatizantes do fisiologismo festivo).

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