quinta-feira, 18 de junho de 2009

A segunda morte de Vladimir Herzog



Tantos anos de luta por uma imprensa responsável e a serviço da cidadania - não confundir com a idéia da "mídia gordinha" de colocar o jornalismo acima da cidadania - foram postos por água abaixo por uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

Agora, qualquer um pode ser jornalista, sem ter diploma. É mais gente que vai escrever aquilo que não sabe, será mais prepotência sobre o mais fraco e submissão sob o mais forte.

A mídia será tomada de mais sensacionalismo, denuncismo, opinionismo, showrnalismo acima de tudo. E os "líderes de opinião" baterão palmas, afinal serão seus futuros coleguinhas de escrevinhação, endeusando os donos do poder, os barões da mídia gorda, os viscondes da mídia fofa, e toda a corte de celebridades fúteis, músicos da Música de Cabresto Brasileira, valores morais duvidosos, impunidade, "cidadania de resultados".

O Supremo Tribunal Federal, na pessoa do sr. Gilmar Mendes, determinou: jornalista de verdade se equipara a um cozinheiro. Certo. Tenho diploma de jornalismo e registro no Ministério do Trabalho e na Fenaj e minha habilitação serve apenas para fazer churrasco em restaurante de praia.

Há 34 anos, Vladimir Herzog foi enforcado pelos militares da repressão porque lutou por pelo menos um pouco de cidadania naqueles tempos em que as Forças Armadas comandavam o país. Ele queria um pouco mais de democracia, nenhuma subversão, mas foi morto assim mesmo, covardemente, assim como covardemente foi tido como suicida pelos seus assassinos.

Agora, o ofício de Herzog será entregue a filhinhos de papai, políticos corruptos, dondocas, integrantes do BBB*, funkeiros, e outros ícones da fauna incompetente que será glorificada pela mídia gorda e até pela mídia gordinha. Herzog não lutou para essa "liberdade".

A liberdade que Vlado defendeu era a verdadeira liberdade, responsável, competente, inteligente, digna. A ele, nossa solidariedade à sua luta e à sua lição de vida.

* Notável exceção se faz ao Jean Willys, meu ex-colega da UFBA, que de fato é jornalista formado e com experiência bem anterior à sua aparição no Big Brother Brasil.

Um comentário:

Leandro de Souza disse...

E faculdade de Filosofia e Jornalismo é a mesma coisa? E Direito (Assis Chateaubriand, Franciso José, ...)? E Engenharia (Marcelo Tas)?