domingo, 28 de junho de 2009

MC LEONARDO É "LARANJA" DA REDE GLOBO


Foto de uma edição mais antiga do jornal Brasil de Fato

Eu sou de esquerda, mas tenho que admitir, com a frieza de um médico dando seu diagnóstico: A ESQUERDA BRASILEIRA É BURRA E INGÊNUA. Infelizmente é essa a realidade que vemos na mídia de esquerda, que não enxerga as mais sutis armadilhas que a direita arma para caçar esquerdistas deslumbrados e crédulos.

Na Bahia, já explicamos a ingenuidade de marmanjos crescidos como Emiliano José e Oldack Miranda, que acreditavam na "integridade" da Rádio Metrópole FM, enquanto seu proprietário Mário Kertész, direitista até os glóbulos, primeiro enganou a esquerda baiana para depois trai-la de forma violenta. Comendo o pão que o diabo amassou, Oldack e Emiliano "não entendem" por que a citada emissora soteropolitana está agindo assim, com seu dono atacando eles e qualquer esquerdista que esteja na frente do caminho.

No plano nacional, a ingenuidade constrangedora parte não só da revista Caros Amigos, mas agora da revista Brasil de Fato. Na edição recente, lançada em 25 de junho último, a publicação publicou uma notícia de que o "funk é vítima de perseguição", fazendo coro ao marketing da rejeição que faz o ritmo, como modismo, durar mais do que uns três verões. Como entrevistado, vemos a conhecida figura do MC Leonardo, que vende uma pretensa imagem de "militante de esquerda", quando vemos que sua aparição na mídia deve muito, mas muito mesmo, à mídia gorda que essa mídia de esquerda afirma combater com garra.

MC LEONARDO "EXPORTA" RETÓRICA DA MÍDIA GORDA PARA A MÍDIA DE ESQUERDA

Para quem não sabe, MC Leonardo, ao lado de MC Júnior, são responsáveis pelo patético sucesso "Rap das Armas", do tempo em que o "funk carioca" não tinha o "tamborzão", mas a batida do "pum", e "rap" era um rótulo para paródias de cantiga de roda feitas em karaokês dos chamados "bailes funk". Só depois de Gabriel O Pensador - apesar de Thaíde & DJ Hum já defenderem o verdadeiro rap desde os anos 80 - , o rap deixou de ser erroneamente ligado a essa "ciranda-cirandinha" funkeira.

Ainda para quem não sabe e nem quer saber, MC Leonardo foi relançado na mídia através de um filme produzido pelas Organizações Globo, e "Rap das Armas", se não foi apresentado no Domingão do Faustão, apareceu em outros programas da Rede Globo, inclusive o Fantástico, símbolo maior do showrnalismo da mídia gorda, obesa e popozuda.

Na prática, MC Leonardo tornou-se, mesmo indiretamente, um colaborador decisivo para a hegemonia da Rede Globo no Brasil, já que defendem, o funkeiro e a rede de televisão, o mesmo ritmo, a mesma causa "social", as mesmas apologias da mediocridade musical brasileira sob os mesmos pretextos.

Depois que ativistas como MV Bill passaram a ter voz na mídia, além da atuação das rádios comunitárias das favelas, MC Leonardo pegou caronana onda e criou até uma "associação de funkeiros", como se o lamentável ritmo carioca, menina dos olhos da mídia gorda, tivesse alguma "relevância social". Essa obsessão socializante do "funk" faz até a ridícula Valesca Popozuda posar de militante, transformando os movimentos sociais numa grande piada. Piada totalmente sem graça, que ofende os verdadeiros militantes sociais, que não têm a ver com balanços de popozões.

MC Leonardo, assim como os políticos do PSOL que querem transformar o "funk" em "patrimônio cultural", na verdade estão a serviço de empresários de equipes de som que se enriqueceram com esse discurso hipócrita e pseudo-militante. Eles é que inventaram o "funk" e esse mito todo de que o "funk" é "voz das periferias" é pura mentira, pois surgiu a partir de karaokês e de ídolos fabricados do ritmo, tutelados, a preço de ouro, por esses mesmos empresários (que em boa parte são também DJs).

Além disso, o discurso de MC Leonardo é RIGOROSAMENTE O MESMO discurso que os próprios cadernos culturais da Folha de São Paulo e O Globo faziam sobre o "funk". Exatamente o mesmo, sem tirar nem pôr.

É um discurso vago, que não deixa claro se o favelado quer segurança ou não. Um discurso que a juventude burguesa pseudo-esquerdista adora, porque assim pode comprar sua "merenda" livremente nos "postos de vendas" dos subúrbios. MC Leonardo tenta comover as massas dizendo que o "funk" sofre "perseguição" e que a repressão aos "bailes funk" atinge "qualquer um".

Na nota publicada em Brasil de Fato, MC Leonardo alega que a polícia invade até a casa de quem toca "funk" ou multa quem coloca um CD de "funk" para tocar no carro. Essa choradeira é para permitir, no entanto, que clubes e boates suburbanas façam poluição sonora para garantir assim o faturamento desses empresários que controlam o gênero e seus "artistas". Esses empresários querem o rótulo de "patrimônio cultural" para o "funk" para que possam arrancar verbas públicas do Estado e assim enriquecerem cada vez mais.

MÍDIA DE ESQUERDA NÃO ENTENDE SITUAÇÃO DA MÚSICA NO BRASIL

Infelizmente o perfil dominante do jornalista de esquerda não entende de música. Segue os mesmos clichês ditados pelos "líderes de opinião" (ou seja, jornalistas "dissidentes" ou blogueiros badalados que, embora critiquem a mídia reacionária, quase nada fazem para mudar o establishment midiático e cultural do país), embora se encorajem, num momento ou em outro, de denunciarem a opressão reacionária dos capitalistas mais intransigentes. Mas que, na Bahia, se ajoelham defronte à demagogia midiática da Rádio Metrópole, a troco de uma visibilidade fácil, ignorando o perfil direitista da dita cuja.

O jornalista de esquerda entende de campesinato, sindicalismo, movimento estudantil, história política. Mas mal sabe ler Karl Marx. E mal consegue se lembrar dos Centros Populares de Cultura da UNE, movimento esquerdista, hoje injustiçado, que queria renovar a cultura popular de raiz no Brasil. Os CPC's foram acusados, injustamente, de diluir a cultura popular sob um prisma etnocentrista, acusação que, na verdade, procede mesmo nos latifundiários e empresários de diversos setores que investiram em toda uma música brega e neo-brega feita nos últimos 50 anos, de Waldick Soriano ao MC Créu, sem excluir Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Banda Calypso e Fábio Jr.

Mal sabe, no entanto, esse jornalista tão "engajado", que o ideal cepecista foi herdado por ONG's que ensinam música brasileira de verdade para as crianças das favelas, com o intuito de, aos poucos, desviá-las das armadilhas sedutoras do "funk". As ONG's não dizem para as crianças "não ouçam 'funk'", como também não dizem "não ouçam Exaltasamba e Alexandre Pires" ou "não ouçam Bruno & Marrone e Calcinha Preta", mas a criança que aprendeu a música de Villa-Lobos, Jacob do Bandolin, Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Chiquinha Gonzaga vai ver a diferença entre um Ataulfo Alves e um Alexandre Pires e vai rejeitar este último, por ser brega e sem qualidade artística alguma. Assim como vai descartar o "funk carioca" por achá-lo ridículo e metido demais.

Mas isso a mídia de esquerda não fala.

Lendo os textos sobre "funk" do Brasil de Fato e Caros Amigos, muito provavelmente o colunista de Veja, Reinaldo Azevedo, se divertiria dando muitas gargalhadas. "Essa galera deve ver o mexer de glúteos como dança folclórica etnográfica", talvez comente a um colega.

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