terça-feira, 2 de junho de 2009

"FUNK CARIOCA" NUNCA FOI E NEM É MOVIMENTO POPULAR


Uma das maiores fraudes da Música de Cabresto Brasileira, o "funk carioca", anunciado como um "movimento popular das periferias", na verdade nunca foi um movimento popular de fato. Sua retórica "socializante" se tornou uma das maiores mentiras de todos os tempos, mas, a exemplo do que pregou o publicitário nazista Josef Goëbbels, essa mentira conseguiu convencer na medida em que foi veiculada milhares de vezes para milhares de pessoas.

O discurso convenceu de tal forma que até um funkeiro foi contratado pela revista Caros Amigos, manchando parte do prestígio do periódico esquerdista, uma vez que esse funkeiro, esquecido da mídia, voltou a estar em evidência graças às Organizações Globo, parte da mesma mídia gorda que Caros Amigos se empenha em atacar.

Pois a fraude do discurso funkeiro se dá pela maneira que esse discurso é trabalhado. É um discurso que tenta forjar uma "linda realidade" ao "funk", um discurso feito para enganar todo mundo, de crianças a cientistas sociais, de favelados a turistas (sobretudo europeus, tal é a obsessão da indústria funkeira em empurrar o ritmo para o público europeu, através de turnês pretensiosas e milionárias que geram em fracasso que a mídia gorda não quer admitir).

Por isso é que o discurso mostra uma coisa, a realidade mostra outra. O discurso de defesa ao "funk carioca" tentou comparar o horrendo ritmo a movimentos tão diversos como a Semana de Arte Moderna de 1922, a Revolta de Canudos, o punk rock, o Tropicalismo, além de fazer aquela pregação falaciosa de "música dos excluídos", "movimento dos sem-mídia (sic)", "cultura da periferia" etc.. Sem falar que o marketing da rejeição, que é aquele truque de transformar ídolos medíocres em coitadinhos e supostas vítimas de preconceito, é um dos recursos frequentemente usados pelos defensores do "funk". Se for pelo discurso, tudo é tão lindo e maravilhoso, mas ouvindo os "artistas" de "funk carioca", é difícil não deixar de reconhecer uma péssima qualidade artística, das mais baixas, chulas e sem a menor serventia como cultura autêntica.

Pois a farsa desse discurso é derrubada se soubermos da mais dolorosa verdade: o mito do "funk carioca" foi armado TÃO SOMENTE pelos empresários e DJs que controlam o estilo e praticamente fabricam seus ídolos.

A origem dessa armação e de toda a falácia é que os empresários e DJs de "funk" (aliás, vários desses DJs também são empresários) recrutavam frequentadores de "bailes funk" para fazer karaokê no final dos anos 80 e início dos 90, geralmente cantarolando um arremedo jocoso de cantiga de roda - que durante anos foi chamado no Brasil, erroneamente, de "rap" - com alguma letra geralmente maliciosa ou agressiva.

Em outras palavras, a periferia entrou no "funk carioca" não porque quis ou decidiu por conta própria, mas induzida pelos chefões do "funk" - os empresários e DJs - , que na terceira investida de transformar o "funk" novamente em modismo nacional, criou o discurso mentiroso de "cultura da periferia".

Fica parecendo que ao povo das favelas se atribui sempre a música de baixa qualidade, cuja ruindade apenas é disfarçada pelos defensores que, no mais típico estilo "faça o que eu digo, não faça o que eu faço", recomendam o "funk" mas na sua intimidade nunca consumiriam a droga que fingem que "adoram sinceramente".

Em outros tempos, a favela fazia cultura de qualidade, num tempo em que as informações nem eram tão acessíveis assim. Por que agora se fala que essas músicas chulas, que nem merecem o nome de "músicas", de tão baixo teor artístico-cultural que apresentam, são a "pura expressão das favelas", seja o "funk carioca" ou o porno-pagode de Psirico, Pagodart e companhia? É porque a mídia gorda, cujos ezecutivos entendem tanto de cultura popular quanto um estilista de moda entende de engenharia química, assim quer. Aí, arma todo um discurso para convencer o maior número de trouxas, de preferência pessoas que não pareceriam ser tão trouxas assim.

Afinal, vocês acham que aquela atriz que foi casada com um músico vai botar MC Créu, DJ Marlboro, Tati Quebra-Barraco e Bonde das Gostosas no seu I-Pod? Não, nada disso, DE JEITO NENHUM. Na intimidade, o funk que ela põe no seu I-Pod é outro, o funk autêntico, de Tim Maia, James Brown, Earth Wind & Fire, Chic, KC & The Sunshine Band e Kool & The Gang. Só que ela não vai detalhar isso para a mídia gorda, que aliás edita a entrevista para dar a impressão que a bem-informada atriz adora o "pancadão".

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