quinta-feira, 18 de junho de 2009

DIPLOMA DE JORNALISTA DEIXA DE SER EXIGÊNCIA PROFISSIONAL



Uma péssima notícia para a classe profissional dos jornalistas, da qual faço parte. O Supremo Tribunal Federal decidiu, por oito votos a um, que é inconstitucional a exigência de diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista nos meios de comunicação. O ministro-relator Gilmar Mendes chegou a comparar a profissão de jornalista a um cozinheiro.

No entanto, o pretexto da inconstitucionalidade não procede. A exigência do diploma jornalístico em nada fere o direito à informação, motivo alegado para a decisão do STF. Pelo contrário, a formação universitária jornalística orienta o exercício desse direito à informação, transmitindo conhecimentos diversos, instruindo um trabalho mais responsável, seja desde escrever bem até mesmo conferir a exatidão das informações e respeitar o indivíduo, mesmo fazendo duras críticas.

A medida do STF só não foi respaldada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que defendeu o diploma porque o jornalista deve "ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida do cidadão em geral".

A dispensa da exigência do diploma atende aos interesses da Associação Nacional dos Jornais, de natureza patronal, e fere os interesses da Federação Nacional dos Jornalistas, entidade ligada aos profissionais jornalísticos. A Associação Brasileira de Imprensa também lamenta a decisão, por que ela pode reservar a profissão de jornalistas para gente sem preparo.

Apesar de instituído nos tempos da ditadura, o Decreto-Lei 972, de 1969, que previu a exigência do diploma jornalístico, foi benéfico em contribuir para o aperfeiçoamento da profissão de jornalista.

Eu, como jornalista formado e registrado no Ministério do Trabalho, já não trabalhava na grande imprensa porque não tinha pistolão. Tentei entrar, mas não consegui, lá em Salvador, porque o mercado virou uma panelinha. E, pela minha formação ideológica de esquerda, a coisa se complicou, daí que hoje prefiro estudar para ser servidor público, mesmo.

RÁDIO METRÓPOLE ARRASA COM MÍDIA EM SALVADOR

Um dos exemplos do que é desastroso entregar as rédeas da mídia a gente sem preparo é o da Rádio Metrópole FM de Salvador e seu veículo derivado, o Jornal Metrópole.

O próprio histórico de seu proprietário, Mário Kertèsz - uma espécie de Sílvio Berlusconi com dendê que, politicamente, foi um misto de Paulo Maluf com Fernando Collor apadrinhado por Antônio Carlos Magalhães - , dá o tom da catástrofe que a Rádio e Jornal Metrópole estão causando na mídia baiana, sob o claro consentimento de uma parte da esquerda baiana que, burra, ingênua e inoperante, adere a essa mídia tendenciosa a troco da visibilidade fácil e na obtenção de vantagens pessoais.

Como prefeito de Salvador, Kertèsz lançou um arrojado projeto de urbanização da capital baiana que não foi cumprido sequer pela metade. Uma cobertura feita pelo jornalista free lancer de A Tarde, Fernando Conceição (que também é ativista social respeitado por intelectuais como o geógrafo Milton Santos, já falecido, e o historiador Thomas Skidmore), descobriu que Kertèsz e seu comparsa Roberto Pinho (mais tarde envolvido também no escândalo do "mensalão") desviaram dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios, no final dos anos 80, para os cofres de duas empreiteiras "fantasmas" (que só existiam no papel), o que enriqueceu os dois. Kertèsz comprou vários veículos de comunicação em Salvador, inclusive a afiliada da Rádio Cidade, que deu origem à atual Rádio Metrópole.

Kertèsz também foi nomeado por Antônio Carlos Magalhães, em 1990, para ser interventor do Jornal da Bahia (jornal famoso por sua postura combativa contra a ditadura). ACM ia lançá-lo como candidato ao governo do Estado, quando foi descoberta a corrupção reportada por Fernando Conceição. Kertèsz derrubou, num golpe mortal, a linha editorial do Jornal da Bahia, transformando-o num jornal sensacionalista. Breve, detalharemos esse detalhe que não está nos livros oficiais sobre o jornal, em mais um texto da nossa série "Ingenuidades", que será dedicado aos fundadores do JBa.

Pois a Rádio Metrópole, na prática, é uma "CBN de porre". Tendenciosa, tentou enganar a esquerda baiana, com falsas campanhas de cidadania e chamando até pessoas honestas para trabalhar (claro, questões de mercado...) como repórteres ou locutores, sendo obrigados a fazer um trabalho sujo ou um trabalho limpo dentro dos limites toleráveis pela linha canastrona da emissora. Na Revista e depois Jornal Metrópole, foi a mesma coisa...

Isso gerou um gigantesco colapso na mídia baiana. Não somente pela competição desleal das FMs contra as injustiçadas AMs, mas pelo que MK representa no conjunto da obra. Ele quis vender uma imagem oposta à que ele é na verdade: machista, ele queria ser gentil com as jornalistas femininas da Bahia, bancava até o galanteador. Direitista, queria ser adorado pela esquerda, e até tentou embarcar nas campanhas de Lula, não por natural simpatia, mas na carona do amigo pessoal Duda Mendonça, publicitário da campanha petista. Sem formação jornalística alguma, ele queria ser "o jornalista da Bahia", mesmo escrevendo mal e cumprindo mal o pretenso ofício. A própria Rádio Metrópole FM mais parece uma sub-emissora AM de província.

A Rádio Metrópole, através da figura de seu astro-rei, teve sérios problemas com a Justiça porque Kertèsz usava de seu "direito de opinião" para espinafrar, grotescamente, adversários pessoais, tal qual uma locutor de província. A emissora chegou a ficar um dia fora do ar, por decisão judicial. Mas, infelizmente, Kertèsz se passou por vítima e os chamados "líderes de opinião" de Salvador (com ecos até em mensagens enviadas no Observatório da Imprensa) acreditaram no ex-prefeito e saíram em solidariedade ao seu denuncismo irresponsável, que ganhou até foto montagem com uma mordaça cobrindo parte de seu rosto.

Os "líderes de opinião" e intelectuais de esquerda de Salvador adotaram a atitude lamentável de louvar a Rádio Metrópole, a troco não apenas de visibilidade (ou seja, espaço na mídia), mas na esperança de que desafetos ou odientos em comum sejam derrubados pelo estilo jocoso-grotesco de MK. Eles e a burguesia soteropolitana achavam que MK derrubaria o carlismo e traria de volta os anos dourados da capital baiana. Se enganaram completa e dramaticamente.

Com Kertèsz, o carlismo foi substituído por outro maior ainda. O afilhado eletrônico de Toninho Malvadeza mostrou uma truculência que assustou até Emiliano José e Oldack Miranda, que ingenuamente apoiaram o denuncismo da Rádio Metrópole na vã esperança de se derrubarem antigos dinossauros da política baiana.

O direitismo de MK deixou cair a máscara, e o denuncismo de seus programas não foi para "limpar" a política baiana, mas tão somente para derrubar desafetos pessoais do ex-prefeito que já defendeu a não exigência de diploma jornalístico até para salvar sua pele e seu talento medíocre de dublê de radiojornalista, com um estilo de locução caricato, ora forçosamente elegante, ora escancaradamente vulgar, e um desempenho jornalístico tão ruim porque MK escreve muito mal e faz o estilo "fala o que quer, ouve o que não quer".

A mídia baiana parece a própria Salvador em dias de chuva. Impotente, estragada, despreparada.

"MUDANDO" DE ASSUNTO

Bom, mas como agora sou cozinheiro e não um "verdadeiro jornalista", vamos em frente. A incompetência virou a "nova competência", graças ao apadrinhamento dos poderosos e o consentimento de intelectuais de esquerda - só falta a Caros Amigos dizer que a Valesca Popozuda é discípula de Audrey Hepburn! - , e me vêm na mente um episódio que tive no portal Rádio Base.

Eu criticava as rádios pseudo-roqueiras - analisadas aqui na série Crise do Radialismo Rock - e certa vez mandei uma mensagem criticando o fato de que as rádios ditas "de rock" eram trabalhadas por gente sem qualquer envolvimento com rock. Sabe o que deu? Fui espinafrado, sobretudo por aqueles produtores dessas rádios fantasiados de ouvintes comuns, que alegavam que "não entender de rock faz do radialista um bom profissonal para rádios de rock". Se você substituir rock com cirurgia cardíaca, e rádios de rock para cidadãos enfartados, certamente verá a gravidade no que digo.

Felizmente, a reação não tardou e, com o tempo, essas ditas "rádios rock" desapareceram, dando lugar a emissoras pop ecléticas e despretensiosas. Mas ficou a lição de gente que usa pretextos mil para defender a incompetência e o despreparo.

Resta então esperar que a tal Priscila do BBB, barrada merecidamente pelos atores de Malhação de atuar no seriado juvenil, arrumar uma coluna toda dela nos jornais da mídia popularesca. Vai falar besteira, mas como se vê no Orkut e na "galera irada" de hoje, o pessoal quer saber de bobagens, vivendo até morrer precocemente em acidentes de carro porque um deles dirigiu embriagado.

Mas garotão dirigir embriagado, funkeira posar nua com foto de Lula, ex-prefeito corrupto bancar radiojornalista, não-roqueiros controlarem rádios de rock, mecânicos de automóvel fazerem cirurgia de ponte-de-safena, tudo isso é "liberdade", num país onde um golpe militar que instaurou a ditadura foi tido como "revolução democrática". A demagogia ainda domina nosso país. Os cínicos posam de vítimas.

Eu e você, caro cidadão, é que pagamos o pato, financiando o pagamento de mico dos outros.

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