sábado, 6 de junho de 2009

DEFENSORES DA AEMIZAÇÃO DAS FMS NÃO TÊM A MENTE MAIS ABERTA


Em quantidade, eles mal são capazes de lotar um estádio durante um jogo entre o XV de Jaú e o Íbis, numa série Z do Brasileirão.

Eles mal são capazes de salvar uma rede de lojas falidas da falência.

Não são capazes, de, numa simples reunião num deserto, conseguirem chamar a atenção do mundo com um grito em uníssono.

No entanto, são eles que são os "donos da verdade" nas colunas e sítios de rádio, são eles que ditam o "padrão oficial" da mentalidade radiofônica, são eles que estabelecem os "parâmetros ideais" do que oficialmente se entende como "opinião pública".

São os defensores da Aemização das FMs, ou os FANÁTICOS MODULADOS, gente minoritária que, em si, não salvaria sequer a mais empenhada emissora de rádio da falência. Mas, como uma maçonaria a ceu aberto, esse público minoritário quer vender seus pontos de vista como se fossem os pontos de vista de uma maioria.

Esse filme vimos há 50 anos atrás, com o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), irmão mais velho do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Foi uma minoria de empresários que tentou vender suas idéias privativas (as mesmas de todo um ideário neoliberal que conhecemos, que prega o arrocho salarial como forma de "equilibrar" a economia e a sociedade, sob o pretexto que os trabalhadores não podem ganhar mais porque não sabem gastar) como se fossem idéias da maioria do povo, e a pressão deles deu origem, anos depois, à ditadura militar.

Com o "poder de fogo" dos defensores da Aemização das FMs hoje em dia, só seus concorrentes busólogos e outra maçonaria em céu aberto, a dos defensores do sistema de pool nos ônibus, cuja comparação faremos em outra oportunidade.

POR QUE ELES DEFENDEM A AEMIZAÇÃO DAS FMS?

Devotos enrustidos de Pôncio Pilatos, eles defendem a lei do mais forte. Para eles, só importam as rádios "mais poderosas", a meia-dúzia de grupos de radiodifusão que, de uma forma ou de outra, mexem com "programação AM" transmitida em FM. Entenda-se "programação AM" os "programas de locutor", o noticiário prolongado, as jornadas esportivas ou qualquer coisa cujo blá-blá-blá dura mais do que vinte minutos. Quando, por exemplo, um cara fala algum comunicado durante um bom tempo e, quando dá a vinheta da hora certa, o cara continua falando durante mais um bom tempo, isso é "Aemão de FM".



Por isso eles pouco estão se lixando se dezenas ou centenas de emissoras AM que não participam da ciranda das "grandes emissoras" estão na pindaíba ou não. E eles também estão pouco se lixando se a segmentação das FMs está afetada ou não, afinal, essa dupla indiferença se deve a um simples motivo:

OS DEFENSORES DA AEMIZAÇÃO DAS FMS FORAM EDUCADOS PELAS EMISSORAS COMERCIAIS DE TV ABERTA.

É este motivo que explica a tamanha indiferença, muitas vezes irritadiça, desses fanáticos modulados, quando se fala que a Aemização das FMs vai comprometer a divulgação de novos artistas da música ou que vai desalojar rádios de rock autêntico, pop adulto, MPB etc..

Eles mal sabem o que é samba autêntico, desconhecem a verdadeira música caipira, pensam que Guns N'Roses e Bon Jovi fazem "rock clássico" e acreditam que os glúteos são o novo motor da MPB... Eu li vários absurdos dessa gente toda que defende a Aemização das FMs, no seu egoísmo típico: os egoístas que reivindicam que respeitemos o direito deles, que sejamos altruístas com o egoísmo hegemônico deles, sob o risco de sermos tidos, erroneamente, como "egoístas" e "preconceituosos".

Claro, para um rapagão de 35 anos que só viu Rede Globo, SBT e Bandeirantes na infância e teve, graças à babá de origem pobre, uma formação cultural calcada na música brega e no humor besteirol mais jocoso e malicioso do que engraçado, evidentemente vai escolher seus "heróis" dentro desse universo hoje traduzido pela ala mais comercial das FMs.

Por isso esse rapagão de seus 35 anos, ou mais, ou menos, vai defender uma "Super" Rádio Tupi em FM, uma Rede CBN, uma Band News, uma Nativa FM, uma Rede Transamérica. Se ele se contenta com três emissoras comerciais de TV aberta, se contenta com apenas seis FMs.

Se os "heróis" de infância desse homem foram Cid Moreira, Luciano do Valle, Chacrinha (já distante de seus áureos tempos), Sílvio Santos, Gugu Liberato e Edson "Bolinha" Curi (fora o Ratinho e "Aqui Agora" que ele conheceu e achou "divertido" nos anos 90), certamente seus novos heróis não vão além do Pânico, Heródoto Barbeiro, Joelmir Betting, Éder Luiz, Sérgio Noronha, Patrulha da Cidade, Carlos Alberto Sardenberg, Roberto Nonato, Eliane Catanhede, José Simão e outros poucos que lhe dão as mesmas rações noticiosas, esportivas e humorísticas do dia-a-dia.

O defensor da Aemização das FMs não tem visão de mundo aberta. Sua visão de rádio segue a linha dos tecnocratas. Ele defende a lei do mais forte, que diz que os injustiçados são assim porque querem. Os poucos vencedores podem ter os privilégios e as mordomias que ganham, que serão sempre endeusados. Os derrotados, mesmo de forma injusta, são sempre fracos desprezíveis.

O tempo vai provar que essa defesa apaixonada da Aemização das FMs se converterá num grito desesperado de uma minoria de submissos, gente que mama nas tetas do poder da mídia, que tem a mania de justificar o injustificável. Porque eles não entendem de justiça social, nem de democracia - desde que os militares usaram a "democracia" para justificar a ditadura, não confio em gente conservadora que fala em "democracia, liberdade e cidadania" - , nem de cidadania. Eles entendem mesmo é de dinheiro, e toda ciranda que represente dinheiro, nem que seja para os adeptos da Aemização das FMs serem brindados, por estas rádios, com uma estadia num hotel cinco estrelas em Miami, ou com ingressos antecipados para a Copa de 2014.

Os defensores da Aemização das FMs estão fora de sintonia com a verdadeira opinião pública.

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