sábado, 13 de junho de 2009

BANANA DE GRAVATA



O banana de gravata é um empresário bem sucedido. Ele tem mais de 40 anos e alguma experiência no ramo dos negócios. Excelentíssimo profissional, é capaz de saber em primeira mão as novas técnicas de Administração, Economia e Negócios, em textos originais em inglês, idioma que ele entende com fluência invejável.

No seu cotidiano do trabalho, ele é tão brilhante que seus negócios parecem fluir. É versátil nas medidas que toma, sendo capaz de contornar qualquer momento de crise.

Profissionalmente é perfeito, mas, na hora do lazer, ele logo se transforma no... BANANA DE GRAVATA!!!!

Sem encontrar - ou melhor, sem querer encontrar - um traje informal para se vestir, o Banana de Gravata prefere usar nos momentos sociais o mesmo traje que ele usa nos negócios. Ou seja, terno e gravata. Mas, às vezes, tira apenas o paletó e a gravata, deixando o resto, formando assim um "casual sisudo" perfeito.

Por causa da tecnologia do telefone celular, o Banana de Gravata - que, não devemos esquecer, é casado com uma mulher lindíssima, divertida, inteligente e com bons referenciais - passou a botar a camisa abotoada para fora (afinal, os homens usando camisa abotoada para dentro da calça não apresentam a mesma graça que as mulheres assim trajadas), mas fazendo questão de ser o Banana de Gravata, pelo menos em astral e personalidade.

No lazer, se diverte sempre com aquela pose enjoada: põe uma mão no bolso e outra segura o copo, de preferência com alguma bebida alcoólica destilada tipo whisky ou vodca.

E a conversa, como é? Em se tratando de um homem culto e importante, certamente ele tem assuntos interessantes e divertidos para contar, não é mesmo? ERRADÍSSIMO!!!!

Nos momentos de "maior diversão", o Banana de Gravata fala apenas de negócios, economia, administração, política e as notícias do dia. Quando fala de arte e cultura, ele só fala obviedades do universo sofisticado de qualidade, se não é o Fantástico da semana passada falando de Jackson Pollock, não há o menor jeito dele comentar sobre este famoso artista plástico (famoso para quem não limita sua formação cultural à Rede TV!, SBT, o Domingão do Faustão e a "novela das oito" que há muito começa às nove).

Aliás, tudo que o Banana de Gravata fala sobre cultura vem dos papos da mulher, é ela que entende melhor de arte. O Banana de Gravata mal se conscientizou que Ray Conniff não é jazz clássico, e seu conhecimento do swing jazz nunca ia além de Glenn Miller. E a MPB ele só ia um pouco além da bagagem feijão-com-arroz que as fãs de popularesco conhecem do ramo. Cinema europeu? Nem pensar! Ele mal conseguiu entender o Cinema Paradiso, quanto mais Fellini, Buñuel e Godard, cineastas que, se ele assistiu a um filme deles alguma vez, ele não faz lembrança. Se é que um cara desses tem coragem de encarar um Buñuel.

Quando sai para passeios ou às compras no supermercado ou shopping, o Banana de Gravata tem que usar roupas informais.

Como ele só usa camisa de flanela, jeans e tênis - roupas para sair de casa - quando está em casa, ele deseja usar, para ir ao supermercado ou shopping, uma camisa mais chique, colocar um jeans (já ouviu uma vizinha fofocar que ele se vestia sisudo demais), ainda que desbotado, mas batendo o pé para usar um sapato de couro ou verniz. "Não, querido, usa um tênis, é mais confortável", diz a esposa. "Está bem, está bem", diz, aborrecido, o nosso Banana de Gravata, que então saiu às compras com tênis. Nos passeios familiares, é obrigado a usar bermuda e camiseta, além dos impagáveis tênis.

Mas o comportamento sisudo se mantém com as mesmas preocupações de sempre. O Banana carregando a chave do carro, os cartões de crédito e o celular, enquanto disciplina as crianças, em seu agito. Nos passeios, é a mesma coisa, mas no contexto de um pai de família de camiseta, bermuda e os impagáveis tênis. Em ambos os casos (compras e passeio), nada de olhar para o céu, curtir a natureza, ou mesmo os prédios da cidade, ou qualquer outro prazer (palavra não muito fácil de encontrar no dicionário do Banana de Gravata, "racional" até a medula). Para um homem que calcula até o modo de dar uma risada, o que interessa nesses casos é seu papel marital e paternal, além do eventual papel de amigo que reencontra algum conhecido.

O Banana de Gravata pode se tornar facilmente um Banana de Sapatos, já que as pressões sociais e da revista Caras - que está mais pop, para desespero dos antigos engravatados, alérgicos a se misturarem com galãs globais que usam roupa de skatista - o obrigam a tirar o paleto, botar a camisa abotoada para fora ou trocá-la por uma camiseta ou pelo menos por uma camisa pólo. Mas quando a situação exige terno e gravata ou o monótono smoking, aí que o Banana de Gravata se sente realizado. Com sua maneira sisuda de dar um riso bobo na cara, ou seja, fazer um sorriso artificial e largo.

O Banana de Gravata é respeitado pelo mundo dos negócios. É admirado até pela esposa que tem, e o Banana despreza o fato de que sua esposa é desejada por outros homens, até porque é ele que é o marido dela. Ótimo profissional, homem influente, de qualquer modo rico, tido por muitos como formador de opinião.

Mas, no fundo, no fundo mesmo, o Banana de Gravata é um chato. Por isso que ele é um banana.

Nenhum comentário: