quinta-feira, 14 de maio de 2009

O JABACULÊ DE RÁDIO FM MUDOU!!


Coitados dos chamados "líderes de opinião", esses que fazem coquetel para lançar um simples blog e são festejados pela mesma mídia gorda que tais "líderes" dizem odiar. Tão pretensamente atualizados, tão arrogantemente tidos como "sensatos", tão vaidosamente informados (só que pelas mesmas fontes da mídia gorda que dizem odiar), eles estão parados no tempo em relação a determinados assuntos, e mais congelados do que homem das cavernas fossilizado (pelo menos o organismo deste se ajusta com o passar do tempo).

Quanto ao jabaculê do rádio FM, a abordagem "crítica" deles está defasada em 25 anos. Sim, meus amigos, 25 anos!! Duas décadas e meia!! As mesmas questões de 1984, quando o Brasil ainda era governado por militares e não existia Internet!!

Contam eles que o jabaculê consiste tão somente numa transação secreta entre gravadora e rádio FM para veicular uma música. Uns, mais "corajosos", admitem haver jabaculê na imprensa escrita ou na TV. E, quanto ao culpado do jabaculê, uns atribuem à mundial ganância da indústria fonográfica multinacional, enquanto outros atribuem ao cinismo de certos diretores de rádio FM.

Quanto à Aemização das FMs, uma das maiores e mais ferozes armações da mídia gorda brasileira, todos ignoram veementemente que haja jabaculê. Algum tendenciosismo aqui ou acolá uns chegam a admitir, mas no geral os radialistas das chamadas "rádios AM em FM" são, segundo eles, todos uns "santos".

Pois a Aemização das FMs virou, pasmem, o paraíso astral do jabaculê, a ponto de fazer com que o jabaculê "tradicional", aquele que só envolve música, rádio e gravadora, parecesse troca de figurinhas entre crianças pequenas.

FUTEBOL DOMINA O CARDÁPIO JABAZEIRO

O jabaculê de FM versão Século XXI pouco tem a ver com o universo do dó-re-mi-fá-sol-lá-si. Envolve a chamada "informação" - no sentido mercadológico explicitamente definido pela Folha de São Paulo em seu manual de redação - e sua versão-sobremesa, as "jornadas esportivas", que dependendo do contexto são "entretenimento" (da forma como define a mídia gorda) e "informação" (se levarmos em conta que também são consideradas "radiojornalismo" - ou rádioshowrnalismo).

Mas, se no noticiário "de efiême" o jabaculê é mais sutil, como a interferência de anunciantes e até personalidades políticas na linha editorial de tais emissoras, que pouco causam arranhões na conduta verossímil de tais emissoras, nas "jornadas esportivas" o jabaculê entra mais nos estúdios de FM do que deslizamento de terra nas casas dos morros em dias de chuva.

Na maioria dos casos, a transação ocorre entre o diretor de FM e o representante de uma federação regional de futebol. Às vezes locutores esportivos e equipes desconhecem esta transação, que ocorre nos bastidores da cúpula, mas mesmo assim eles recebem o "jabá" camuflado num adicional de salário.

O jabaculê pode ocorrer em duas mãos. Se o dirigente esportivo enriqueceu demais e o IR está de olho, passa o excedente para o diretor de FM. Noutra oportunidade, este pode também passar o dinheiro arrecadado pela FM (seja por qualquer jabá, seja pela publicidade, e no jabá até a indústria fonográfica, pasmem, paga o "salário extra" das equipes esportivas) para o dirigente esportivo, para criar "camaradagem".

Há também o caso dos "ouvintes de aluguel", um caso gravíssimo que camufla a baixa audiência dessas FMs sem identidade que parasitam o mercado suado das emissoras AM. É claro que essa fraude é um pouco mais cautelosa em São Paulo, mas em outras cidades, como Salvador (BA) - onde o rádio FM, salvo exceções*, tem o 171 como número da sorte - , os diretores e produtores de FM pagam mesmo pessoas para sintonizar as rádios FM durante transmissões esportivas, apelando para a poluição sonora, marketing informal dessas FMs corruptas sem pé nem cabeça.

Por exemplo, um redator-chefe de FM pode, no boteco mais movimentado de um bairro periférico de tal capital, subornar o dono que está ao balcão para ele sintonizar a tal FM durante transmissão esportiva. O dono, claro, a princípio nega, alegando que não precisa de dinheiro e que a poluição sonora vai incomodar a vizinhança. Mas o profissional de FM logo convence o dono do boteco, alegando que o radialista é amigo do pessoal da imprensa escrita e que ninguém vai falar mal da tal poluição sonora, tudo a pretexto do "radiojornalismo" e da "paixão esportiva". E oferece uma quantia que pode ser às vezes modesta, quando é para pagar apenas contas de água e de luz, ou, maiores, quando é para pagar todo o fornecimento mensal de bebidas para o boteco.

Há também casos de produtores e amigos de produtores que rodam com carros atraentes - ainda que semi-novos - , mediante uma "gorjeta amiga", para sintonizar as transmissões esportivas em volumes insuportáveis. Estacionam até, por intenções suspeitas, em estacionamentos vazios de supermercados fechados, ou então vão a acessos dos shopping centers em horários de movimento nos finais de semana. Em outros casos, subornam-se taxistas, frentistas de postos, porteiros de prédios, e até mesmo lojas de varejo e atacado ou papelarias, mediante um abatimento no espaço publicitário de FMs, aderem a esse jabaculê "amigo".

As quantias movimentadas pelo jabaculê das "rádios AM em FM" é bem maior que a movida outrora pelo jabaculê musical. E não há quantia para dar ao ECAD. As FMs envolvidas enriquecem feito doido a essas alturas.

E a "nação bem informada" afirmando que não existe jabaculê...

* As exceções das FMs soteropolitanas são as emissoras A Tarde, Educadora e Nova Brasil, que, se cometem jabaculê, é em índices bem menores que as demais FMs.

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