segunda-feira, 18 de maio de 2009

A INGENUIDADE DA REVISTA CAROS AMIGOS


Neste blog, temos uma seção que mostra as diversas ingenuidades de gente que deveria defender a cidadania integralmente, mas cometem algum deslize em virtude do deslumbramento, da credulidade, para não dizer a compactuação com o "sistema", numa e noutra ocasião.

É um alerta que se faz, aqui, para a opinião realmente pública, para que desilusões como a do envolvimento dos históricos políticos José Dirceu e José Genoino em episódios de corrupção ou da reviravolta ultra-reacionária da ex-vedete da "mídia fofinha" Folha de São Paulo não peguem desprevenidos os cidadãos.

Pois a personagem desta seção é agora a revista Caros Amigos, que vem se despontando como expressivo veículo da midia de esquerda de nosso país, resistindo mesmo com o falecimento de três de seus fundadores nos últimos meses. Caros Amigos comete até a façanha de falar do Oriente Médio, segundo a ótica esquerdista, quebrando um tabu de décadas, afinal esquerdista falar de Oriente Médio era tido como coisa inútil, supérflua. Sem falar que o periódico afrontou a tirania da Folha de São Paulo, que, a pretexto de condenar os governos populistas da América Latina, chamou a ditadura brasileira de "ditabranda", como se amenizasse o terrível papel histórico do regime dos generais de 1964-1985.

Mas, apesar das inúmeras virtudes da Caros Amigos, há o grande defeito do aspecto da cultura brasileira. Até agora, Caros Amigos não conseguiu enxergar a sombra da direita político-econômica que está por trás dos ídolos brega-popularescos (a Música de Cabresto Brasileira) que são apoiados, explicitamente, pela mídia gorda que Caros Amigos condena no plano político-ideológico. Mas o mal não para por aí. Está na ingenuidade do periódico ter contratado um funkeiro para escrever coluna em suas edições.

Apesar de por vezes o discurso soar bem intencionado, MC Leonardo nada tem a ver com a mídia de esquerda. Como também nada tem a ver o PSOL lutar pela preservação do "funk carioca". São grandes tolices que só fazem as elites da direita política, econômica e midiática brasileira caírem nas gargalhadas, afinal, neste caso, os "professores" são odiados, mas suas lições, ao serem seguidas, comprovam o êxito da influência da direita até mesmo na intelectualidade de esquerda do Brasil.

MC Leonardo faz parte do tempo em que o horrendo "funk carioca" era chamado de "rap", mesmo nada tendo a ver com o rhythm and poetry do hip hop original. É do tempo, também, que o "funk" não tinha o tal "tamborzão", mas a reles batida do "pum" que acompanhava o vocal que simulava um arremedo de cantiga de roda. Mas Leonardo, o MC - mas que completa a trinca brega-popularesca de Leonardos com o irmão do breganejo Leandro e com o irmão do Michael Sullivan - , adota um discurso igualzinho ao de gente como MV Bill e Mano Brown, o que valeu a inclusão do funkeiro na equipe de articulistas da Caros Amigos.

O que Caros Amigos não sabe, no entanto, é que MC Leonardo voltou à tona com a ajuda da mídia gorda, através da inclusão do risível "Rap das Armas" na trilha sonora do filme Tropa de Elite, que até o reino mineral reconhece como uma produção da Globo Filmes.

Outra coisa que até o reino mineral está careca de saber é que o discurso de MC Leonardo em prol do "funk carioca" é exatamente o mesmo discurso, com todos os verbetes, verbos e pontuações, que o Segundo Caderno de O Globo e a Ilustrada da Folha de São Paulo veicularam anos atrás, um discurso que as empresas dos irmãos Frias e dos irmãos Marinho defendem até hoje, embora não se tenham repetido aquelas reportagens sobre o "funk carioca" nos cadernos culturais (talvez para não irritar a intelectualidade menos ingênua, capaz de derrubar uma Ilustrada com uma simples monografia de um periódico universitário de Comunicação).

Em outras palavras, foi justamente a mesma mídia gorda que condena o movimento dos sem-terra, as manifestações contra o imperialismo em Davos e outras manifestações de similar envergadura, que criou e difundiu esse discurso "social" que promove o "funk carioca".

Para piorar, é essa mesma mídia gorda que tirou o MC Leonardo do limbo, e que o põe em cartaz na mídia. Afinal, pouco importa se é "funk de protesto", "funk proibidão" ou "funk do popozão", a baixa qualidade e a indigência artística do "funk" é uma só, e que promovê-lo como "movimento social", "patrimônio artístico" e "rebelião dos sem-mídia" só faz a mídia gorda dar gargalhadas, porque esse discurso todo só comprova e reforça o poder da mídia grande, à qual interessa promover a mediocridade cultural e o remexer de popozões para ludibriar o povo e manter o controle social.

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