terça-feira, 5 de maio de 2009

BREGA-POPULARESCO = MÚSICA DE CABRESTO BRASILEIRA


Aquilo que a mídia gorda, os donos do poder e simpatizantes definem como a "verdadeira música popular brasileira" é o brega-popularesco, que busca lotar micaretas, "bailes funk", vaquejadas ou mesmo bordéis com seus ídolos patrocinados por eles.

Pois o brega-popularesco, na verdade, é a Música de Cabresto Brasileira, ditada pelas rádios controladas por empresários inescrupulosos ou políticos corruptos (e seus "laranjas" que dão um tom "apolítico" a certas emissoras) e difundidas pela mídia mais convencional, de forma tão insistente que faz com que o hábito popular a esses ídolos seja assustador. Daí a falsa impressão dos incautos de que isso é a "verdadeira música popular".

Aliás, usa-se "verdadeira", por atrevimento, mas não se usa "autêntica", porque seria covardia. Ídolos que lotam vaquejadas, micaretas, "bailes funk", que estão em cartaz na mídia gorda, não podem ser considerados "cultura autêntica" porque o que eles fazem não é arte, é mero entretenimento, de gosto bastante duvidoso, e de baixa qualidade. E esses ídolos, apesar de serem de origem pobre, estão a serviço dos grandes detentores do poder econômico e político, na "missão" de entreter as massas para evitar grandes revoltas populares.

A Música de Cabresto Brasileira segue a mesma lógica do voto de cabresto do coronelismo de cem anos atrás. Se é para um Calcinha Preta fazer sucesso, se investe pesado para que isso ocorra. Se um Alexandre Pires ameaça cair no ostracismo (sua música, digamos, é de baixíssima qualidade e ele canta mal), os detentores de poder injetam uma grana enorme em notas pagas para recolocar o cantor em "alta" novamente. Investe-se em tudo, até no marketing da rejeição que transforma os ídolos bregas e neo-bregas em "vítimas de preconceito", induzindo as pessoas a se sentirem pena desses ídolos da mediocridade musical brasileira.

BOA PAUTA PARA JORNALISTAS REALMENTE INVESTIGATIVOS

Os prováveis patrocinadores dos ídolos do brega-popularesco indicam que estes não correspondem à "verdadeira cultura popular" que comumente se atribui a eles. Se a cultura popular, para muitos, não deve ser representada prioritariamente por ídolos de classe média como Chico Buarque e Tom Jobim, não serão ídolos como Alexandre Pires, DJ Marlboro, Waldick Soriano, Banda Calypso e Zezé Di Camargo que terão a dignidade de representá-la.

As tendências do brega-popularesco, todas elas, sempre contam com uma tutela de grupos detentores de poder, principalmente políticos de direita, que patrocinam de eventos de axé-music a festivais de pagodão (tipo Psirico e os primórdios do Harmonia do Samba, hoje mais próximo do sambrega paulista) e de óxente-music (ou forró-brega).

É tanto dinheiro, de políticos, fazendeiros, empresários, comerciantes etc., que é bom um jornalista mais atento investigar todo o esquema financeiro que está por trás desses ídolos postiços. Não adianta chorar feito menino malcriado dizendo que a baixa qualidade dos ídolos brega-popularescos não passa de "frescura estética dos intelectuais" porque essa choradeira não vai levar a lugar algum. Por isso questionar e investigar é indispensável, deixando os medinhos para trás.

Os prováveis patrocinadores, quase que tutores dos estilos brega-popularescos, podem ser enumerados a seguir. Leve-se em conta que todos os estilos brega-popularescos também contam com investimentos maciços dos empresários de redes de supermercados, varejo, eletrodomésticos e materiais de construção, cuja divulgação muitas vezes maquia a pseudo-exclusão de certos ídolos das rádios, numa "anti-divulgação" estratégica para não levar os ídolos ao sucesso meteórico de imediato:

BREGA "DE RAIZ" - Os primeiros ídolos bregas teriam sido apadrinhados por fazendeiros dominantes em sua região de origem. Fazendeiros de Minas Gerais e Bahia estariam por trás do sucesso de ídolos como Waldick Soriano e Nelson Ned. O cantor Orlando Dias, lançado em 1958, foi protegido do poderoso empresário Abraão Medina, que bolou um esquema "informal" de divulgação que tomou os executivos da EMI-Odeon, gravadora que contratou o cantor, de surpresa. Daí André Midani, que trabalhava lá, ter acreditado ingenuamente que o sucesso de Dias foi "sem esquema de divulgação", porque este esquema não partiu da EMI, partiu de Medina.

BREGANEJO - A diluição da música caipira brasileira, nos anos 70, a subordinou tanto aos elementos bregas de Waldick Soriano quanto à pieguice chorosa dos Bee Gees. Nesta fase, a música dita "sertaneja" já tinha como padrinhos os grandes fazendeiros do interior de São Paulo, Paraná, Goiás e Minas Gerais, mas desde os anos 80 ganhou o apoio também dos fazendeiros-empresários do agronegócio, que se ascenderam a partir de incentivos do programa agropecuário promovido pela ditadura militar durante o "milagre brasileiro". Considerado um dos ritmos mais conservadores do neo-brega, a suposta "música sertaneja", ou o breganejo, foi a trilha sonora das comemorações eleitorais de Fernando Collor em 1989, candidato a presidente apoiado por latifundiários e direitistas em geral.

AXÉ-MUSIC - Surgida como um braço musical do projeto populista de Antônio Carlos Magalhães, dentro de um plano de incrementação turística da Bahia, a axé-music também é conhecida pela fortuna astronômica dos empresários de blocos carnavalescos, que cobram pesadas taxas para levar seus sócios para a folia. A axé-music é apoiada por políticos de direita da Bahia, mesmo os que, depois do início do governo Lula e da morte de ACM, tornaram-se direitistas enrustidos, uns infiltrados em partidos de oposição (PMDB, PDT, PTB). Os ritmos derivados do esquema axézeiro, como o pagodão e o arrocha, também contam com a mesma base de apoio. Dos empresários axézeiros, poucos são os próprios músicos, como é o caso da banda Chiclete Com Banana.

SAMBREGA - Equivalente sambista do breganejo, o ritmo, marcado pelo conteúdo meloso e pela imitação caricata de elementos da soul music com instrumentos de samba, conta com o apoio de fazendeiros do interior paulista e fluminense que exerçam tráfico de influência na mídia televisiva paulista. No entanto, parte dos fazendeiros de Minas Gerais que apoiam o breganejo também apoiam o sambrega.

"FUNK CARIOCA" - No que diz ao poderio econômico, é a axé-music do Rio de Janeiro. Também é marcado pelos empresários donos dos "artistas" do gênero, o que acontece com a axé-music. Ou seja, os ídolos são praticamente tutelados e controlados por empresários. Mas o empresariado do "funk" não controla blocos carnavalescos, e sim equipes de som, faturando em cima de eventos por eles promovidos, os "bailes funk". Os empresários do "funk", em parte, também exercem a atividade de DJs, como é o caso de Marlboro e Rômulo Costa. A base de apoio do "funk carioca", no entanto, se aproxima do sambrega, sustentado por latifundiários paulistas e fluminenses.

ÓXENTE-MUSIC - Versão "forrozeira" da axé-music. Enquanto a axé-music se concentra na Bahia (Estado nordestino com caraterísticas peculiares que o separam dos demais Estados), a óxente-music se concentra no resto do Nordeste, mas também possui mercado forte na Região Norte. Musicalmente, soa como um breganejo mais dançante e "sensual", pela presença de cantoras e dançarinas, mas seus grupos são liderados por empresários, como na axé-music. Sua base de apoio está, evidentemente, nos latifundiários nordestinos e nortistas, mas também contam com o apoio dos latifundiários que patrocinam o breganejo, que colocam a óxente-music no mercado do Sul e Sudeste. O apoio latifundiário permite que os grupos sejam lançados por gravadoras pequenas - erroneamente chamadas de "independentes" - cujos donos são "laranjas" dos donos do poder do Norte / Nordeste. Daí ser puro mito o sucesso "espontâneo" da Banda Calypso, que contou sempre com uma "ajudinha" do coronelismo nortista e nordestino.

4 comentários:

Lucas Rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Rocha disse...
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Lucas Rocha disse...
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Edilson Trekking disse...

Caro Alexandre , aqui no MS estão lançando uma dupla de braganejo Maria Cecilia e Rodolfo(confere no YOTUB o "musicão bão")sem qualidade nenhuma.E tal dupla irá se apresentar em dois capitulos da novela paraiso da Rede Bobo.O empresário deles usou uma tática diferente está colocando propaganda da dupla em uniformes de time de futebol. É esta dupla apareceu no uniforme do Fortaleza e segundo esse empresário estará estampada na camiseta do Corinthians. Acessa o site www.campograndenews.com.br eu já mandei 3 recados de protesto. Detalhe : essa dupla só tem 1 ano de existencia.