domingo, 31 de maio de 2009

SEPARADAS AO NASCER


KRISTIN CAVALLARI, atriz do seriado norte-americano The Hills, e FLÁVIA FREIRE, jornalista de meteorologia da Rede Globo de Televisão.

HOJE É DIA DE TENTARMOS SALVAR A ANTENA 1!!


A última esperança de salvar a Antena 1 FM e evitar a entrada da Nativa FM é hoje, 31 de maio, na Rua Cândido Gaffrée, na Urca, Rio de Janeiro (RJ). Tragam sua família, vamos fazer o maior barulho no sossegado bairro da Urca. Tudo para evitar que o latifúndio eletrônico da Nativa FM manche a reputação desse simpático bairro carioca.

O protesto, no entanto, é só o começo. Aqui neste blog a Nativa FM vai levar chumbo grosso. E não adianta as ouvintes da Nativa me chamarem de "meu amorzinho" porque não gosto de brega-popularesco e nem namoro garotas fãs da Música de Cabresto Brasileira.

QUAL SERÁ A PRÓXIMA MÍDIA REACIONÁRIA?


Folha de São Paulo "vejou", elogiando a dupla funkeira MC Tucano e MC Democratas e falando em "ditabranda militar". A CBN "vejou", elogiando o neoliberalismo norte-americano, em detrimento até do liberalismo europeu, e andou fazendo mil pequenos serviços em prol da grã-direita brasileira, até bem mais do que o periódico da Editora Abril.

Agora, qual será o próximo veículo da mídia fofinha a se tornar reacionário? Qual deles?

Alguns candidatos ao próximo surto vejista:

GRUPO BANDEIRANTES - Embora a intelectualidade de "centro-esquerda" endeuse o complexo midiático da Bandeirantes (TV e rádio), ela aprontou das suas. Em 18 de abril de 2008, o Jornal da Band veiculou um editorial contra o Movimento dos Sem-Terra, algo que a Caros Amigos não enxergou quando tentou publicar anúncios da Rede Band News FM. A própria Band News, quando foi implantada em Curitiba, em 2005, em primeira hora correu para entrevistar o político conservador Álvaro Dias, do PSDB. No plano musical, a Bandeirantes apoia o mesmo breganejo (Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone etc.) e o mesmo sambrega (Exaltasamba, Alexandre Pires etc.) que a "vênus" da mídia gorda, as Organizações Globo.

REDE BRASIL SUL - Ela é mídia reacionária em caráter regional (leia-se a minha querida região Sul de onde nasci, há 38 anos), mas um desavisado redator de um site sobre rádio, em matéria provavelmente paga, tentou exaltar a clone em FM da Rádio Gaúcha AM como se ela fizesse sucesso antes da hora, aquela velha mania dos defensoras da Aemização das FMs de dizerem que uma nova programação já é sucesso antes de entrar no ar. Provavelmente esse redator pensava que a RBS, dona da Rádio Gaúcha, pudesse ser apelidada de "Rede Bolivariana Socialista", mas a RBS é famosa por ter apoiado entusiasmadamente a governadora gaúcha Yeda Crusius, uma bela mulher mas tão reacionária que nem o marido aguentou mais, e recentemente ela apareceu em denúncias de corrupção.

RÁDIO METRÓPOLE - A emissora de Salvador (BA) e seu derivado, o Jornal da Metrópole, tem a façanha de ter seduzido a esquerda baiana até os neurônios, para depois deixá-la sem as calças na mão, traída até a medula. Ninguém se lembrou que Mário Kertèsz é uma das figuras de alta periculosidade da direita baiana, e houve quem pensasse que ele virou esquerdista de vez. Golpeado, esse cidadão, iludido com a pseudo-militância da Rádio Metrópole, ainda não consegue aceitar que o Jornal da Bahia recebeu o golpe mortal nas mãos de MK (que o transformou em tablóide popularesco), que estava ligado a Antônio Carlos Magalhães quando tornou-se interventor do jornal (ainda vou bater nesta tecla, na próxima edição de "Ingenuidades", sobre os fundadores do JBa). Para dar um aperitivo ao sabor direitista da dupla Jornal/Rádio Metrópole, em várias edições de 2008 o jornal elogiou ACM Neto (chamou-o até de "pegador") e atacou Lula, Jacques Wagner, PSTU e só faltava atacar o MST, se este atreviesse a realizar passeatas na Av. Tancredo Neves, no atual centro financeiro da capital baiana.

REDE TRANSAMÉRICA - A decadente rede de FMs outrora "jovens", que em alguns momentos mais parece uma bolorenta "rádio AM em FM" das mais chapa-brancas dos tempos do AI-5, sai incólume do contestatório público porque aparentemente adota uma postura "apolítica". Mas é só liberar os profissionais da rede para assumirem alguma postura ideológica que a Transamérica (propriedade de um banqueiro que faz conchavos com dirigentes esportivos) mostra sua carranca direitista que certamente assustaria até Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.

REDE JOVEM PAN - O mesmo texto sobre a REDE TRANSAMÉRICA.

OS "LÍDERES DE OPINIÃO"


Já falei da espécie "exótica" chamada "líder de opinião", que sobretudo transforma a blogosfera num debate morno, com uma consciência crítica, se não tetraplégica, bastante paralítica.

Mas o que são os "líderes de opinião"? São os grandes jornalistas que ocupam a mídia gorda?

Não. Os "líderes de opinião" são, por incrível que pareça, pessoas que variam entre os jornalistas da mídia gordinha - segunda divisão da mídia gorda na qual se enquadram veículos que não compartilham do reacionarismo explícito de Globo, Veja e similares - , alguns intelectuais ditos de "centro-esquerda" com senso crítico mais apático e gente de classe média, seja a baixa ou a alta, que viram dublês de articulistas em blogs que mal conseguem disfarçar a chapa branca com uma tinta vermelha-guache a simular "sincero esquerdismo".

São essas pessoas que criam blogs que são o contrário deste blog, O Kylocyclo, que é mídia independente de fato e de direito. O que significa que os "líderes de opinião" contam com algum pistolão - se não contam, eles capricham em evitar falar mal da mídia gordinha ou mídia fofa - , ou seus blogs são de alguma forma badalados, seja pelos sindicatos pelegos, sejam pela intelligentzia mais mainstream, sejam pelas elites universitárias ou pela imprensa regional. E, da noite para o dia, surgem com uma frequência relâmpago de mais de 500 visitantes logo no dia do lançamento.

Os "líderes de opinião" tentam imitar o comportamento dos professores universitários, os trejeitos dos líderes sindicais, a sabedoria dos intelectuais de Comunicação e seu discurso tenta expor uma pretensa sabedoria e uma suposta capacidade de entender a sociedade no seu todo.

Os "líderes de opinião" são consumidores compulsivos de "informação". Entenda-se "informação" aqui não no seu sentido real, que é a relação entre um dado e a sua definição, mas como produto jornalístico. O que influi na veiculação de um discurso que procura sair da "praia" dos cronistas e articulistas reacionários. Por isso o "líder de opinião", neste sentido, se situa, no plano ideológico, entre a centro-direita fisiológica e a esquerda pelega. No que se refere aos partidos políticos, seu apoio varia entre a ala "humanista" do PMDB, os moderados do PSDB, a ala pelega do PT e a ala proto-pelega do PSOL, além das múmias populista-fisiológicas do PDT e PTB.

Sua qualidade de textos e análise crítica mostra o quanto o nosso "líder de opinião" é submisso à mídia fofa. Ele se gaba de criticas "ferozmente" a mídia gorda, noticiando, em primeira mão, alguma batalha judicial entre um pobre cidadão e um articulista tirânico da mídia mais obesa, por exemplo. Mas as críticas sempre são amenas e, em bloco, afinal, se é para criticar algum desmando da TV Bandeirantes, ele prefere citá-la em bloco, junto à Globo, SBT e Record, num discurso que é feito para conquistar a platéia das TVs educativas ou da midia comunitária.

Dependendo da ocasião, o "líder de opinião" trabalha um discurso que tanto pode reproduzir a linha editorial da Isto É e TV Bandeirantes como pode macaquear - sem um pingo de criatividade nem de espontaneidade - a abordagem crítica da Carta Capital e Caros Amigos.

Certa vez, os "líderes de opinião" foram avisados pelos seus amigos que a Folha de São Paulo, periódico endeusado pelos primeiros, passou a engrossar mais sua postura conservadora, atacando o governo Lula e dando apoio entusiasmado para a dupla breganeja PSDB/DEM no governo paulista/paulistano. E aí, o que fez cada "líder de opinião", diante do risco de constrangimento público por ter apoiado a ex-vedete da mídia fofa?

Simples. Felizmente (para eles), a blogosfera não era moda quando eles babavam diante das divagações neoliberais de Gilberto Dimenstein, Otávio Frias Filho & cia., num tempo em que sua classe via esquerdismo até no mau-humor direitista da Rede CBN. Por isso, as pedradas, se haviam, poderiam ser rebatidas por réplicas ao mesmo tempo chorosas e raivosas, do tipo "você não entendeu bem o que eu escrevi, nunca disse que a Folha era bolchevista, você é que é um ranzinza desinformado das coisas!".

Então, eles, diante da chance de terem pecado sem se sujeitarem ao mais grave julgamento social, eles agora atacam a Folha de São Paulo, sobretudo depois daquele episódio da "ditabranda". Pronto, os "líderes de opinião" acertaram o ponteiro com a chamada "esquerda festiva" ou com os "esquerdistas ilustrados" (termo de Juremir Machado da Silva).

O grande defeito dos "líderes de opinião" é a pouca ousadia crítica. Eles geralmente dão um passo para a frente, mas dão dois ou três para trás. Falam mal da mídia gorda mas parecem estar gratos com tudo o que elas oferecem, fora, é claro, o reacionarismo "eldorado dos carajás" da editoria política.

Por isso existem aberrações sérias em seus textos. Falam mal da mídia gorda, usando e abusando do vocabulário dos colunistas de Caros Amigos. Mas pedem a bênção de um veículo de mídia obesa regional, tipo a Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia), feito um beato a um padre. Falam mal das manipulações ideológicas da Rede Globo, mas acham bonito haver o "funk carioca", que eles imaginam ser um "movimento dos sem-mídia" de tanto que falam que o ritmo é (supostamente) ligado às periferias, mas que é uma das armações das Organizações Globo tão vergonhosa quanto Fernando Collor.

O "líder de opinião" também não quer saber de problemas mais graves, e geralmente se comporta como um carneirinho diante de decisões vindas de cima. Não ataca, em seus textos, o Movimento dos Sem-Terra, que ele é obrigado a respeitar para não levar chumbo da esquerda festiva, mas também não dá um pio contra as artimanhas do poder latifundiário, a não ser que sejam envolvidos em crimes contra gente prestigiada, como ocorrem nos redutos de pistolagem do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Outro exemplo de seu desprezo aos problemas graves. Os ônibus de Salvador (Bahia) seguem uma trajetória caótica, com ônibus brancos, falta de distribuição de empresas por região de bairros e bancos duros na maioria dos carros. Ele reclama disso? Não reclama. Ele baixa a cabeça até para a pronúncia maluca do sindicato patronal SETPS ("setépis").

O "líder de opinião", além disso, escreve mais pelo fato de que sua opinião não vale pelas idéias apresentadas, mas por quem veicula tais idéias. É um "poder de opinião" que reacionários de plantão como Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho sonhariam ter mas não possuem. Mas o "líder de opinião", precavido, desmente que é um "líder de opinião", que é só um "trabalhador do saber", um "formador de opinião como todo cidadão", e ele normalmente atribui como "líderes de opinião" justamente os reacionários da imprensa, que podem até ter arrastado, há 45 anos atrás, uma marcha tipo Deus e Liberdade, mas hoje não são referência sequer para o cidadão médio de centro-direita, mais afeito a um Joelmir Betting e Heródoto Barbeiro.

O "líder de opinião" acaba sendo uma pedra no sapato da opinião (realmente) pública. Botar algodão na meia não vai aliviar o incômodo dessa pedra, que impede que o senso crítico coletivo ande com toda sua desenvoltura. O "líder de opinião" é escravo da brincadeira de "libera e esconde" da mídia fofa, que tanto pode esclarecer algumas coisas, quanto pode acobertar outras, num eterno jogo de agradar a centro-direita mais flexível e a centro-esquerda mais fisiológica.

Além disso, na verdadeira democracia, a verdadeira opinião pública não precisa de líderes. Precisa, sim, de gente realmente esclarecida que mostre luz onde há trevas. E isso os "líderes de opinião" não fazem. Dependendo da situação, as trevas podem representar uma sombra bem gostosa para os "líderes de opinião" descansarem, acariciados pelos segundos escalões do poder, que rumam ao primeiro escalão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

CONTRA OS ÔNIBUS BRANCÕES DE SALVADOR


É lamentável que as empresas de ônibus de Salvador (Bahia) insistam com o visual fantasmagórico dos ônibus, sob a desculpa pouco convincente de economia de tintas, ou de padronização de algum suposto serviço. Os passageiros não se enganam com essas mentiras todas e são obrigados a triplicar e até decuplicar a atenção para não pegar ônibus errados, pois o risco de uma pessoa pegar um ônibus de um bairro pensando que vai para outro é altíssimo.

De que adianta mudar o logotipo, colocá-lo bem grande no ônibus, se o visual branco sem graça em nada acrescenta de diferencial.

Colocamos aqui um telefone para os cidadãos reclamarem de tamanha irresponsabilidade, que contraria a utilidade pública, afinal os ônibus não são feitos para os empresários, e sim para os passageiros. Mas o "setépis" só age em causa própria, apesar do site oficial deles ter o domínio "seu transporte"...

O telefone é (71) 3371-1580.

Para comparar, vamos colocar uma empresa de Maricá (RJ), a Viação Nossa Senhora do Amparo, que tinha um visual branquelo mas adotou um visual azulado lindo, lindo. Aqui estão duas fotos dessa conceituada empresa:



Sem falar que a Amparo também adquiriu o mesmo CAIO Apache VIP da Transportes Verdemar, e deu a ele uma pintura realmente personalizada:

quinta-feira, 28 de maio de 2009

DJ MARLBORO ACUSADO DE ABUSO SEXUAL


O ídolo do brega-popularesco - sim, o "funk" também faz parte da Música de Cabresto Brasileira - , DJ Marlboro, tem seu nome envolvido em um escândalo que, se comprovado, pode significar a decadência dele e do estilo que ele desenvolve e promove. Embora nada esteja provado até agora, o "funk" é famoso por incentivar a pedofilia e por não considerar valores éticos, se expondo impunemente ao público infantil, a exemplo do que foi o É O Tchan (que teve um CD produzido pelo DJ carioca, prova de que o "funk" é a bunda-music carioca e sua coreografia lembra muito a dança da "boquinha da garrafa").

Segue nota publicada pela agência O DIA, do Rio de Janeiro:

Empresário e DJ de funk, Dj Marlboro é acusado de ter abusado menina de 4 anos

Após investigação da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), o processo corre em segredo de Justiça, na 21ª Vara Crimina

O Dia Online

O empresário e DJ de funk Fernando Luiz Matos da Mata, conhecido como DJ Marlboro, está respondendo a processo por atentado violento ao pudor e corrupção de menores. Após investigação da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), o processo corre em segredo de Justiça, na 21ª Vara Criminal.

De acordo com as primeiras informações, Marlboro e Junia Duarte, sua então namorada, são acusados de abusar sexualmente de uma menina de 4 anos, que seria prima e afilhada de Junia, em 2008.

A menina, que mora em Belo Horizonte, Minas Gerais, e hoje tem 5 anos, teria sido violentada mais de uma vez pelo casal, quando ficou 10 dias de férias com a madrinha (ex de Marlboro), no Rio de Janeiro.

"A menina veio arredia do Rio", disse o pai, em entrevista exclusiva divulgada nesta quarta-feira pela TV Band. A mãe da menina, que preferiu manter a identidade em sigilo, relatou na entrevista, o sofrimento da criança:

"Amarraram a boca e as mãos dela. Tentaram sufocá-la, tampando o ar, apertando o pescoço dela. Bateram muito na menina. "Ela perdeu a infância. O que queremos é que ela não perca o resto da vida, disse.


Sobre a possibilidade de ter feito exame de corpo de delito, a mãe explicou:

"Ela ficou no Rio durante 10 dias e só veio me relatar isso 10 dias depois. Fomos prejudicados por esse tempo, mas ela ainda chegou com hematomas pelo corpo. Ela ainda está em tratamento. Na época, foi atendida num hospital público para vítimas de violência sexual".

Ainda segundo a mãe, a menina teria apontado, através de bonecos, as parte do corpo que foram molestadas para os legistas.

"Ela contou para o legista o que aconteceu através de bonecos. Chegou a apontar o que o Fernando (DJ Marlboro) fez com ela. Apontou para a mão, a boca, o pênis. Ela relatou que gritava "mamãe, mamãe, mas ninguém a ouvia", contou.

Segundo o advogado da família da menina, Alexandre Correa, "há um relato que, a partir disso, a menina apresentou sintomas alterados. Simulava fazer sexo com outras crianças, o que deixou os pais em pânico".

De acordo com a TV Band, no processo há depoimentos com trechos "impublicáveis". A polícia do Rio apreendeu notebooks da casa do produtor para averiguação, já que os computadores podem ter conteúdo pornográfico.

O DJ e Junia chegaram a prestar depoimento na época. Em nota, ele diz que é inocente e que as provas são "evasivas".

quarta-feira, 27 de maio de 2009

POLUIÇÃO SONORA EM SALVADOR


Em dezembro de 2008, um frentista de um posto de gasolina foi morto por um rapaz que ouvia um som em alto volume, numa determinada área de Salvador (Bahia). O valentão não gostou de ser advertido pela poluição sonora e meteu bala no cidadão.

Certamente o valentão da ocasião, que cometeu um crime, deveria estar ouvindo algum grupo iniciante de "pagodão", porque a mídia gorda baiana não divulgaria uma nota dessas se o rapaz ouvisse grupos "prestigiados" como Psirico e o medalhão da axé-music Chiclete Com Banana, que muitos poluidores sonoros tanto tocam.

Também a nota não seria a mesma se o cara estivesse ouvindo alguma transmissão esportiva, dessas FMs sem identidade que, não tendo o que fazer, viram caricaturas ou arremedos (se verossímeis) de rádio AM, como fazem as emissoras mais "171" da capital baiana, como a Rádio Metrópole, a Itapoan FM e até a afiliada da Rede Transamérica em Salvador. Se fosse este caso, certamente a nota que seria divulgada pela mídia gorda e até pela gordinha da Bahia - principalmente se for na Revista Metrópole - seria mais ou menos esta:

"Cidadão agiu em legítima defesa, impossibilitado de usufruir seu direito de cidadania e entretenimento. Provocado por um frentista agressivo e insensível, que parecia sonhar com o espaço sideral desprovido de som e movimento, o pobre cidadão, impedido de apreciar a paixão nacional do futebol, foi obrigado a reagir baleando mortalmente o frentista, que não dava a menor chance de diálogo. Para evitar mal-entendidos, o cidadão torcedor e cumpridor de seus deveres foi obrigado a fugir".

Nota ridícula seria esta, não?

ÔNIBUS BRANCOS DE SALVADOR NÃO DÃO SOSSEGO AO CIDADÃO


Vamos bater na tecla de repudiarmos a irresponsabilidade dos empresários de ônibus de Salvador em manter ônibus brancões (com algumas honrosas exceções da Vitral, Joevanza e BTU, já que existem boatos de que a Boa Viagem e a Praia Grande podem aderir ao "branquinho básico"). Aqui está uma foto no Iguatemi, mas do lado próximo ao Pernambués, com um ônibus da Modelo tentando enrolar os passageiros com sua "identidade visual" não muito diferente da São Cristóvão e Transol, que também tem este modelo da CAIO Apache S22.

Tudo para obrigar os passageiros que pegam ônibus errados a pagar mais caro com outra passagem ou, pelo menos, obrigá-los a chegar mais tarde em casa ou no trabalho.

A INGENUIDADE DE ÁLVARO PEREIRA JR.


O colunista do caderno Folhateen, da Folha de São Paulo, e também repórter e editor do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, Álvaro Pereira Jr., foi dado a criar muita polêmica na coluna do citado caderno teen, chamada "Escuta Aqui".

Pois Álvaro foi dado a cometer, em 1995, uma das mais constrangedoras e risíveis manifestações de ingenuidade, engrossando a lista dos casos ingênuos que assolam o país e que mostram que o permanente FEBEAPÁ, que sobreviveu à morte do Sérgio Porto, continua com toda a força.

Álvaro, sabe-se, criticou muito o cantor Caetano Veloso, falando da existência de um establishment caetânico cujas caraterísticas Ricardo Alexandre (na época jornalista de O Estado de São Paulo e cuja carreira também se associou à Bizz) escreveu no livro Dias de Luta e Cláudio Júlio Tognolli, outro jornalista, apelidou de "máfia do dendê".

Segundo esses jornalistas, a MPB sucumbiu à mesmice que transformou seu antes impactuante cenário dos anos 60/70, no decorrer dos tempos, em um movimento acomodado artisticamente e dotado de um clima de compadrismos que mistura Academia Brasileira de Letras com colunismo social. E essa mesmice, segundo eles, se deu sobretudo com a supermacia de Caetano Veloso no cenário da MPB.

Só que Álvaro Pereira Jr. investiu numa tese absurda, delirante e completamente fora da realidade: a de que a axé-music não tem a menor relação com o establishment caetânico. Segundo Álvaro, a axé-music era dotada de "despretensiosismo musical" em detrimento ao pretensiosismo que, para ele, eram simbolizados por Caetano Veloso e os Titãs, suas vítimas prediletas.

Álvaro chegou a tal ponto que chegou a atribuir, erroneamente, o movimento mangue beat de Recife (Pernambuco) como um sub-produto do establishment caetânico, enquanto a milionária axé-music, que é o verdadeiro sub-produto, ele não reconhecia nesta condição. Como Chico Science, nos seus últimos meses de vida, deve ter refletido muito sobre os ataques que recebia do badalado jornalista da Folha / Rede Globo...

Aparentemente, Álvaro, famoso também por conhecer bandas de rock obscuras - que, para a gente aqui, nem sempre são necessariamente boas - , apoiava abertamente o medonho grupo baiano É O Tchan, incluído na lista da "música despretensiosa" que só ele acreditava dessa forma.

Só que TODA a axé-music era apadrinhada pelo establishment caetânico com gosto, e de forma muito mais do que explícita. Pior: a axé-music surgiu APADRINHADA por Antônio Carlos Magalhães, político direitista que dominou a Bahia mas que conta com seus herdeiros e seguidores (alguns enrustidos) no poder político e midiático do Estado. E Caetano e companhia apoiaram ACM quando lhes convinha apoiar.

O É O Tchan, armação de fazer o Milli Vanilli parecer, ao menos, uma divertida comédia de ficção, está incluído no establishment caetânico a ponto de ser jogado, através de um mecanismo jabazeiro, num documentário sobre folclore brasileiro narrado pelo cúmplice de Caetano, o cantor e ex-ministro Gilberto Gil.

Álvaro Pereira Jr. não botou o É O Tchan no "Play" de sua avaliação semanal - ele colocava "Play" para coisas que ele aprovava, "Pause" para coisas que ele não odiava mas tinha algum pé atrás e "Eject" para coisas que ele reprovava - , porque aí seria baixar as calças e mostrar os glúetos (especialidade do grupo liderado pelo empresário Cal Adan) em praça pública. Se pondo Spice Girls e Sandy & Júnior deve ter gerado "pedradas", imagine o que seria com o É O Tchan. Até os colegas do Fantástico fariam piada: "Pô, Álvaro, você exagerou demais. Um cara como você, que ouve até Joy Division, curtindo 'bunda-music'?".

Álvaro também apoiava o sambrega. Elogiava grupos como Katinguelê, Negritude Jr., Karametade e Exaltasamba (que na época fazia um som muito mais tosco que o samba falsificado de hoje - eles têm o mesmo empresário do Grupo Revelação, que segue essa linha do "sambrega para turistas ingleses e técnicos do ISO 9000 verem").

Só que um integrante dos Titãs, grupo atacado por Álvaro, também gostava desses grupos. Foi justamente o guitarrista Marcelo Fromer, que, nos seus últimos meses de vida, havia lançado um livro sobre culinária e queria presentear esse livro para o Álvaro, talvez grato pelo gosto musical comum. Quem te viu, quem te vê.

Determinada cantora de axé-music faz aniversário


Como, a exemplo do pessoal do Toma Lá, Dá Cá, não se pode dizer o nome da dita cuja porque senão ela aparece, então vocês já devem saber de quem falo. Além disso, se eu citar o nome, cairá nos sites de busca e os fanáticos dessa cantora lotarão o espaço dos comentários só para me espinafrar e me fritar em rede mundial.

Infelizmente essa cantora teve até uma chance de entrar na MPB. Isso foi até 1992, 1993, quando não se vendeu para a axé-music, entrando numa viagem popularesca sem volta. Ela era uma semi-desconhecida que só a imprensa baiana conhecia muito bem. Mas hoje ela se agigantou demais, virou um mito, muito maior do que poderia ser, símbolo da megalomania máxima da axé-music que, hipócrita, barra o acesso a todos os outros estilos musicais (a não ser que tais estilos sejam cooptados pelo establishment axézeiro), mas quer entrar até em mercados que lhes são hostis, como no Sul do Brasil.

Ela tornou-se uma versão burra do Caetano Veloso, no sentido de querer se apropriar de tudo que for gênero musical, na esperança de associar tudo isso à sua imagem e promoção pessoal. Caetano, pelo menos, tem informação musical, faz músicas de qualidade e, em que pese o apoio a estilos popularescos, possui coerência e personalidade artística inegáveis. Já essa cantora, infelizmente, só tem o oportunismo, investindo em dueto com cantor de ópera, tributo de música breganeja, tributo de cantoras ao Clube da Esquina, participação em DVD de banda do Rock Brasil etc., etc., etc.. A onipresença dela é de torrar o saco.

Dizem que ela é rainha da MPB. Com uma trajetória chinfrim, alternando canções fajutas da mais enjoada axé-music com alguns covers de MPB, nem para boba da corte da Música Popular Brasileira ela está habilitada.

Por outro lado, temos cantoras bem melhores do que ela, como Marisa Monte, Maria Rita Mariano e Roberta Sá, fora uma geração de cantoras novas que mostram um talento muito, muito superior, que não precisa das arenas móveis dos trios elétricos para se promoverem. São cantoras cuja arte fala por si só, não precisam de Rede Globo para dizer que "elas são o máximo", não precisam do pistolão da mídia gorda para virarem (pretensas) unanimidades nacionais.

domingo, 24 de maio de 2009

PARECEM IRMÃS


CHRISTIANE PELAJO e DANI CALABRESA são duas gracinhas lindas, gostosas, graciosas, sexy. E ainda por cima são parecidas. Uau!!

MORRISSEY


Não me esqueci do aniversário de Morrissey na última sexta-feira. É porque estava muito ocupado e não pude atualizar todos os sites que faço. Além disso, havia o impacto do falecimento do Zé Rodrix, mais um grande nome da música a ir embora neste planeta tomado pela mediocridade galopante.

Pois Morrissey é uma das raras vozes anti-mediocridade que resiste bem. Dizem, todavia, que ele está doente. Espero que não seja grave. Saúde e longa vida para ele.

O GADO DA NATIVA FM É MAIS ECLÉTICO


A Rádio Nativa FM, que tirará do ar a Antena Um, é de propriedade dos irmãos Júnior e Neneto Camargo, que em outros tempos eram os donos da patética "rádio rock" 89 FM de São Paulo. O pai deles, José Camargo, foi até filiado do PDS (o partido político que foi UDN e ARENA e depois veio a ser o PFL e hoje o DEM).

Seu perfil popularesco é eclético, embora toque muito breganejo que é o cardápio único da Tupi FM paulista que, do contrário que inicialmente pensamos, não entrará no dial carioca.

Por isso mesmo, o gado, ou melhor, o público-alvo da Nativa, é bem mais eclético, mas uma coisa é certa: SÃO TODOS UNS CARNEIRINHOS.

CORREÇÃO SUBSTITUI NOTÍCIA RUIM POR OUTRA IGUALMENTE RUIM


Uma correção que não representa alívio algum para os verdadeiros radiófilos - só entusiasma os fanáticos modulados - a respeito da dança das cadeiras radiofônicas que tirará do ar a Antena 1 FM do Rio de Janeiro. A Rádio Tupi que entrará no lugar da Nativa, que migrará para o espaço da Antena 1, não é a FM breganeja paulista, mas a clone da Super Rádio Tupi AM.

É uma grande decepção essa notícia envolvendo uma das tradicionais emissoras AM do Rio de Janeiro, que, como quem corre da raia, prefere criar clone em FM do que investir na digitalização do rádio AM. Embora os fanáticos modulados e outros deslumbrados achem esta nota um exagero, e que uma "rádio AM em FM" é melhor do que FM de breganejo - no fundo, isso soa como trocar seis por meia-dúzia, até porque dá ao rádio FM um jeitão de coisa matuta e atrasada - , a notícia é da mesma forma ruim.

Poucos reconhecem a farsa da dupla transmissão AM/FM, que na verdade é uma armação que visa o superfaturamento das emissoras de rádio. Para o ouvinte, é uma rádio que tem duas frequências, mas para as autoridades, as agências de telecomunicações e sobretudo os bancos financiadores, são duas rádios diferentes.

A farsa, tão docilmente apelidada de "rádios AM + FM" mas cuja transmissora FM apelidamos de "papagaio eletrônico" (papagaio porque não produz mensagem, só emite), significa o seguinte: UMA RÁDIO FAZ UM TRABALHO SÓ E FATURA DUAS VEZES POR ISSO. O que significa que, na hora de pedir empréstimos aos bancos para pagar equipamentos, técnicos, profissionais etc., o empresário de rádio cita o nome jurídico das duas emissoras, a AM e a FM, a mesma dupla que é vista como um "gracioso" monstro de duas cabeças pela "galera" (atenção para as aspas; a gíria não é jargão nosso) que adora overdose de informação, rádio FM e mídia gordinha.

Só um exemplo. Tem duas rádios: Jaboticaba FM e Abacate AM. As duas unificaram a transmissão e na mesma região irradiam a Rádio Abobrinha. Você liga o rádio, compara as duas sintonias, e vê que a programação é uma só, até os comerciais são os mesmos. Mas, na hora de recorrer aos bancos para financiar investimentos de alto custo, o dono vai logo alertando que são duas rádios, Jaboticaba e Abacate, não a Rede Abobrinha que os ouvintes conhecem, os "líderes de opinião" fazem oba-oba e os colunistas de rádio babam ovo.

É uma versão doméstica das infames redes via-satélite que desregionalizaram as programações de rádio e demitiram um monte de gente. E, o que é pior, a Rádio Tupi investe na Aemização da FM quando as rádios CBN e Band News Fluminense tomam uma violenta surra no Ibope.

Bom, para todo efeito, vamos combinar uma coisa: a Super Rádio Tupi continua sendo TÃO SOMENTE a emissora AM, enquanto seu papagaio eletrônico será apelidado, a partir de junho, de INFRA RÁDIO TUPI.

LUÍZA BRUNET


Eu adoro essa mulher desde meus 10 anos de idade, em 1981. Classuda, sensual, lindíssima, com um corpão sedutor, até hoje, quando completa 47 anos de idade. E, embora tenha se casado cedo e tendo passado por outro casamento (este mais longo e com filhos), ela hoje reforça o ainda escasso time das lindas solteiras interessantes de nosso país.

Parabéns, saúde e longa vida, adorável Luíza.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

AEMIZAÇÃO DAS FMS É NEOLIBERALISMO NO RÁDIO


A pretensa "racionalidade" da mídia gordinha (aquela mídia gorda que fica de fora das críticas dos "líderes de opinião"), junto à aplicação da ideologia capitalista selvagem dentro do meio rádio. A Aemização das FMs, que inclui populismo de direita, neoliberalismo, "livre iniciativa" que é desculpa para a concentração de poder de uns privilegiados, overdose de informação para confundir as massas, esporte para alienar a moçada.

Tudo isso deixa o rádio FM brasileiro com um forte odor direitista, que infelizmente os colunistas de rádio não enxergam (os "líderes de opinião" também não). E ainda tem gente que espera que o pensamento de esquerda circule livre, leve e solto nessas FMs. Grande ilusão.

ZÉ RODRIX


Morreu Zé Rodrix, representante do rock rural brasileiro dos anos 70.

Pelo menos pude pegar no eMule, semanas atrás, a música "Mestre Jonas", que ele gravou com Sá & Guarabira e que marcou minha infância, lá por 1976.

Vai-se mais uma referência de música de qualidade, de inteligência e de humor, numa época em que a mediocridade cultural atinge níveis alarmantes.

CABO ANSELMO E O PLAYBOY DA BARRA DA TIJUCA


UMA FICÇÃO QUE DIZ MUITO A REALIDADE

Um típico playboy de classe média alta, desses que se irritam quando são chamados de playboys. Cerca de 25 anos, robusto, mas inclinado a um "baseado", mora num condomínio de luxo da Barra da Tijuca, mas diz que mora numa casa modesta da Pavuna, bairro onde ele, na verdade, compra a sua "merenda". Membro de "honra" de comunidades como "Eu odeio acordar cedo" do Orkut, ele está revoltado até hoje pelo fim da fase "roqueira" da Rádio Cidade carioca. Pseudo-esquerdista, ele está para conhecer, do relato de seu pai - um advogado de pessoas abastadas, sejam criminosos passionais, políticos corruptos ou apenas celebridades - , que se dirige ao rapaz enquanto este envia um e-mail com vírus para um sujeito que entrou em discussão por texto com o playboy numa comunidade do Orkut.

- Filho, vou lhe falar um pouco mais de uma personalidade que você precisa conhecer, o Cabo Anselmo. Ele hoje vive recluso numa localidade do Piaui.

- Puxa, é mermo, véio? - diz o playboy, com uma dicção que mistura débil-mental com brutamontes - Caraca, me diz aê qual é a boa do Cabo Anselmo.

- Pois ele criou uma manifestação de sargentos para enganar o então presidente João Goulart. Filho, eu era ainda um estudante de direito, seu avô militava no IPES e eu tinha amigos no Comando de Caça aos Comunistas.

- Caraca!! É mermo, véio?

- Pois é. Cabo Anselmo seduziu os sargentos, que fizeram um protesto com algumas reivindicações, quebrando a hierarquia militar, e Jango prendeu mas soltou os caras. Aí veio uma crise que depois deu na ditadura militar. E Cabo Anselmo, que todo mundo imaginava ser de esquerda, revelou-se agente da CIA e denunciou seus antigos aliados do protesto para os órgãos de tortura e repressão.

- Puxa, cara!! O Cabo Anselmo é duca...

- Pois é, eu falei nele porque pensei em você. Você não está enganando demais as pessoas, se dizendo "esquerda-liberal" e se associando à comunidade do Che Guevara?

- Não, véio. Eu vou lá, faço que sou miguxo da esquerda, a galera passa a se amarrar em mim, e aê quando tiver manifestação da esquerda eu vou prum prédio e apedrejo uma vidraça, aê os tiras vão prender outro cara no meu lugar, porque fujo de fininho. É assim, véio, me faço de amigo da esquerda, o pessoal acredita em mim, depois eu estrago a esquerda lá dentro, como um vírus, sacou?

- Puxa, eu tinha mesmo que falar do Cabo Anselmo!! Você é igualzinho ao que ele foi há 45 anos!!

- Na moral, pai!! Vim aqui pra bombar mesmo, fazer zuêra, quem não concordar comigo leva encrenca, falô?

- Certo, filho. Você só precisa ser mais discreto, para você não se ferrar com a polícia. Tome aqui sua ajuda de custo para você ir para a boate do Leblon.

- Brigadão, paiê!! Você é déiz, na moral!!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FABIANA SCARANZI


A maravilhosa jornalista e apresentadora Fabiana Scaranzi, que hoje está na Rede Record, é também uma das adeptas da camisa abotoada para dentro da calça, tipo de traje muito comum nas reportagens que ela faz. Ela é uma das mulheres mais charmosas da TV brasileira.

Uma curiosidade também é esta foto dos tempos de modelo, datada de 1985, o que prova que, passados 24 anos, sua beleza continua encantadora e deslumbrante.

O PÚBLICO-ALVO DA "SERTANEJA" TUPI FM: O GADO


Como a maioria dos cariocas ainda torce o nariz para o breganejo, vai ser difícil carregar toda essa patota animada aí da foto para as praias do Rio de Janeiro.

Mas, com a obstinação dos latifundiários, um pouco de marketing, o apoio das grandes redes de lojas e, acima de tudo, da mídia mais do que gorda, a Tupi FM vem com muita sede ao pote.

A não ser que nós todos compareçamos na Rua Cândido Gaffrée, 165, na Urca, no Rio de Janeiro (RJ), para pedirmos a permanência da Rádio Antena Um, no dia 31 de maio próximo, às 14 horas.

Vamos ser pontuais e chegar lá pouco antes da hora marcada. Cidadania também é responsabilidade.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

RÁDIO DE "SERTANOJO" TIRARÁ ANTENA 1 DO AR


Infelizmente, a ganância dos donos de rádio no Brasil tira bons projetos do rádio. No Rio de Janeiro, é a vez da rádio Antena Um desaparecer do dial, a partir do dia 31 de maio. No seu lugar, entrará a horrenda rádio Tupi FM, dedicada ao breganejo.

É o segundo golpe da Música de Cabresto Brasileira no dial FM carioca, nos últimos seis meses. Em dezembro, a rádio de rock Venenosa FM, que não era transmitida no Grande Rio embora fosse aí sua sede - seu sinal no Estado era nos arredores de Rio Bonito e de Parati - , saiu do ar para dar lugar a outra emissora medonha, a Mania FM, espécie de Beat 98 mais capenga.

A entrada da Tupi FM no rádio carioca faz a alegria dos coronéis latifundiários, grandes proprietários de terras improdutivas, mas que são os maiores patrocinadores dos ídolos breganejos, de Chitãozinho & Xororó a Victor & Leo, passando por zilhões de duplas, cantores ou grupos que empastelam a música caipira e, às vezes, vampirizam o repertório da MPB autêntica, sobretudo o Clube da Esquina, vítima predileta dos breganejos (que sentem a maior inveja dos mineiros, pela poesia e musicalidade destes).


Já a Antena Um é uma rede de rádios que tocam pop adulto, com um repertório bem mais criterioso do que rádios como a JB FM do Rio de Janeiro e a Globo FM de Salvador, que sucumbem às frescuras pop que descaraterizam sua postura light.

É verdade que a Antena Um comete o erro de não tocar música brasileira, com exceção da carioca, que tem esta virtude. Mas o repertório geral prima pela qualidade, principalmente tocando o som dos anos 60 e 70.

Não é qualquer rádio que toca nomes como Rupert Holmes e Laura Nyro, nomes respeitáveis da música internacional que, no entanto, pouca gente ouve e admira no Brasil. Por isso mesmo, apesar de tantas outras rádios com o rótulo de "pop adulto", o fim da Antena Um carioca representará uma lacuna irreparável, além de ser uma grande falta de respeito substituir seu perfil pelo do breganejo ou sertanojo, pois, apesar dos ídolos breganejos como Zezé Di Camargo & Luciano reclamarem de falta de espaço no dial carioca, eles já entram facinho, facinho nas rádios de brega-popularesco, além do fato da Nativa já divulgar amplamente seus ídolos.

O rádio, como meio de comunicação, perde com o fim da Antena 1, assim como perdeu com o fim da Fluminense FM e com a conversão "roqueira" de muito mau gosto da Rádio Cidade. Só ganham os empresários e o mercado jabazeiro, além daqueles ouvintes sem personalidade que são tratados feito um sorridente gado bovino pelos coronéis radiofônicos e pela mídia popularesca, que é mídia gordíssima do mesmo jeito.

Mas a última esperança da Antena 1 ficar no ar depois de maio existe, se todos nós formos para a Rua Cândido Gaffrée, na Urca, no Rio de Janeiro, em frente ao prédio da (por enquanto) Antena 1 para protestar contra seu fim. Segue o protesto escrito pelo amigo Marcelo Delfino, do Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro (http://www.radiorj.com.br).

PROTESTO CONTRA O FIM DA ANTENA 1 FM 103,7

Data: Domingo, 31 de maio de 2009

Hora: 14:00

Local: Porta da Rádio Antena 1 FM

Cidade: Rio de Janeiro

Endereço da rádio: Rua Cândido Gaffree, 165 - Urca - Rio de Janeiro - RJ

Antena 1 - A Lite FM do Rio

A hora é de protestar. Nada de assistir passivamente o fim da última grande boa rádio do Rio de Janeiro em FM. Prevista para a virada deste mês de maio para junho, a saída da Antena 1 do dial representará o fim da última trincheira de resistência do rádio FM carioca dos anos 80, o melhor dial FM da história desta cidade.

Estejamos lá na porta da Antena 1 protestando pacificamente contra mais essa arbitrariedade e mais essa negociata com uma concessão pública, que é propriedade do povo, que nunca é consultado sobre o que fazer com os canais de rádio.

Sugerimos que os amigos compareçam vestindo camisetas pretas, em sinal de luto pelo fim da Antena 1.

PATSY KENSIT


Mais uma mulher lindíssima usando camisa abotoada para dentro da calça, um tipo de roupa que talvez dê muita coceira nas mulheres-frutas brasileiras ou mesmo nas ex-dançarinas de pagode que viram dublês de ativistas sociais ou de atrizes de teatro.

Trata-se de Patsy Kensit, atriz inglesa que começou criancinha em O Grande Gatsby, de 1974, que foi casada com um integrante do Big Audio Dynamite - não, não foi o Mick Jones - , com o vocalista do Simple Minds, Jim Kerr, e com o cantor do Oasis (que recentemente se apresentou no Brasil), Liam Gallagher.

Como toda mulher classuda e de beleza e jeito sofisticados, Patsy acabou de se casar pela quarta vez, com um DJ, o que mostra que não é só no Brasil que as belas não param em serviço. E mostra o quanto as mulheres classudas têm mais vantagem sobre as mulheres "jecas" vidradas em Exaltasamba, Bruno & Marrone, Chicletão, "funk" e outras barbaridades.

DESRESPEITO COM OS CIDADÃOS DE SALVADOR



Vejam que absurdo nos ônibus de Salvador. Esses ônibus são de três empresas diferentes, Modelo, São Cristóvão e Transol, e das três só as duas primeiras são associadas entre si. Mesmo assim, não é desculpa alguma para todas adotarem um visual idêntico, ou seja, apelando para o visual fantasmagórico que vai contra a tradição multicolorida da capital baiana.

Torna-se crescente risco dos sofridos cidadãos baianos pegarem ônibus errados, principalmente os trabalhadores, e, além deles, deficientes, idosos e analfabetos, que já tem dificuldade em diferenciar o ônibus mesmo através das cores. E, pegando ônibus errado, são obrigados a pegar outro ônibus, o que é perda de tempo e dinheiro para quem paga e de tempo para quem usa a gratuidade, o que também não é menos incômodo.

Mas é esse risco de pegar os ônibus errados que garante a fortuna extra e abusiva dos gananciosos empresários baianos, que, de tão ignorantes, matutos e maus administradores, mantém até um sindicato patronal com sigla confusa e pronúncia risível, o SETPS, popularmente (e erroneamente) pronunciado como "Setépis".

Por isso é que Salvador conta com um dos piores sistemas de transporte coletivo do país. É bom que todos saibam desta triste realidade.

A INGENUIDADE DA REVISTA CAROS AMIGOS


Neste blog, temos uma seção que mostra as diversas ingenuidades de gente que deveria defender a cidadania integralmente, mas cometem algum deslize em virtude do deslumbramento, da credulidade, para não dizer a compactuação com o "sistema", numa e noutra ocasião.

É um alerta que se faz, aqui, para a opinião realmente pública, para que desilusões como a do envolvimento dos históricos políticos José Dirceu e José Genoino em episódios de corrupção ou da reviravolta ultra-reacionária da ex-vedete da "mídia fofinha" Folha de São Paulo não peguem desprevenidos os cidadãos.

Pois a personagem desta seção é agora a revista Caros Amigos, que vem se despontando como expressivo veículo da midia de esquerda de nosso país, resistindo mesmo com o falecimento de três de seus fundadores nos últimos meses. Caros Amigos comete até a façanha de falar do Oriente Médio, segundo a ótica esquerdista, quebrando um tabu de décadas, afinal esquerdista falar de Oriente Médio era tido como coisa inútil, supérflua. Sem falar que o periódico afrontou a tirania da Folha de São Paulo, que, a pretexto de condenar os governos populistas da América Latina, chamou a ditadura brasileira de "ditabranda", como se amenizasse o terrível papel histórico do regime dos generais de 1964-1985.

Mas, apesar das inúmeras virtudes da Caros Amigos, há o grande defeito do aspecto da cultura brasileira. Até agora, Caros Amigos não conseguiu enxergar a sombra da direita político-econômica que está por trás dos ídolos brega-popularescos (a Música de Cabresto Brasileira) que são apoiados, explicitamente, pela mídia gorda que Caros Amigos condena no plano político-ideológico. Mas o mal não para por aí. Está na ingenuidade do periódico ter contratado um funkeiro para escrever coluna em suas edições.

Apesar de por vezes o discurso soar bem intencionado, MC Leonardo nada tem a ver com a mídia de esquerda. Como também nada tem a ver o PSOL lutar pela preservação do "funk carioca". São grandes tolices que só fazem as elites da direita política, econômica e midiática brasileira caírem nas gargalhadas, afinal, neste caso, os "professores" são odiados, mas suas lições, ao serem seguidas, comprovam o êxito da influência da direita até mesmo na intelectualidade de esquerda do Brasil.

MC Leonardo faz parte do tempo em que o horrendo "funk carioca" era chamado de "rap", mesmo nada tendo a ver com o rhythm and poetry do hip hop original. É do tempo, também, que o "funk" não tinha o tal "tamborzão", mas a reles batida do "pum" que acompanhava o vocal que simulava um arremedo de cantiga de roda. Mas Leonardo, o MC - mas que completa a trinca brega-popularesca de Leonardos com o irmão do breganejo Leandro e com o irmão do Michael Sullivan - , adota um discurso igualzinho ao de gente como MV Bill e Mano Brown, o que valeu a inclusão do funkeiro na equipe de articulistas da Caros Amigos.

O que Caros Amigos não sabe, no entanto, é que MC Leonardo voltou à tona com a ajuda da mídia gorda, através da inclusão do risível "Rap das Armas" na trilha sonora do filme Tropa de Elite, que até o reino mineral reconhece como uma produção da Globo Filmes.

Outra coisa que até o reino mineral está careca de saber é que o discurso de MC Leonardo em prol do "funk carioca" é exatamente o mesmo discurso, com todos os verbetes, verbos e pontuações, que o Segundo Caderno de O Globo e a Ilustrada da Folha de São Paulo veicularam anos atrás, um discurso que as empresas dos irmãos Frias e dos irmãos Marinho defendem até hoje, embora não se tenham repetido aquelas reportagens sobre o "funk carioca" nos cadernos culturais (talvez para não irritar a intelectualidade menos ingênua, capaz de derrubar uma Ilustrada com uma simples monografia de um periódico universitário de Comunicação).

Em outras palavras, foi justamente a mesma mídia gorda que condena o movimento dos sem-terra, as manifestações contra o imperialismo em Davos e outras manifestações de similar envergadura, que criou e difundiu esse discurso "social" que promove o "funk carioca".

Para piorar, é essa mesma mídia gorda que tirou o MC Leonardo do limbo, e que o põe em cartaz na mídia. Afinal, pouco importa se é "funk de protesto", "funk proibidão" ou "funk do popozão", a baixa qualidade e a indigência artística do "funk" é uma só, e que promovê-lo como "movimento social", "patrimônio artístico" e "rebelião dos sem-mídia" só faz a mídia gorda dar gargalhadas, porque esse discurso todo só comprova e reforça o poder da mídia grande, à qual interessa promover a mediocridade cultural e o remexer de popozões para ludibriar o povo e manter o controle social.

PASSEATA DOS ENCALHADOS


Uma comunidade do Orkut organizou, recentemente, uma passeata para o Rio de Janeiro e São Paulo, com um tema hoje insólito: os manifestantes protestam contra carência na vida amorosa.

Certamente a vida amorosa brasileira vive uma realidade dramática. O Brasil é um país dos desencontros amorosos, onde os casais errados se juntam. O triplo conflito entre a tradição machista e os padrões das classes dominantes, a emancipação feminina e os valores populistas de direita lançados pela Música de Cabresto Brasileira, geram verdadeiras aberrações conjugais, onde a afinidade pessoal, que é o mais importante, todavia quase nunca é levado em conta.

Num passado recente, aliás, milhares de mulheres perderam a vida por causa da escolha de maridos errados, na base do pragmático-maquiavélico tripé força, dinheiro e convenções sociais. Ou seja, elas preferiram escolher homens que eram muito cuidadosos nos gestos comportamentais em um jantar de velas, mas que não tinham equilíbrio psicológico suficiente para suportar um fim de noivado ou casamento. Acabaram levando tigre por lebre. De 1977 até agora, a fúria machista levou a melhor até nos tribunais, mas esses machistas mal desconhecem que outros homens também se irritam com a fúria dos primeiros. Se para um machista, todo homem é amigo, essa tese não passa de uma tola fantasia.

Mas, fora do âmbito violento, também ocorrem os desencontros. Empresários sisudos que se casam com jornalistas ou ex-modelos de personalidade brilhante. Cinquentões ou idosos sem a menor disposição para a jovialidade que se casam com mulheres bem mais jovens que eles. Mulheres provincianas que sonham com o Fábio Jr. mas se recusam a namorar os sósias dele que por ela se apaixonam, preferindo os excêntricos nerds que elas conheceram no Orkut (e que certamente não as querem para namoro). Funkeiras e pagodeiras que rejeitam funkeiros e pagodeiros por causa de divergências tolas, mas que assediam universitários com divergências bem mais sérias e inconciliáveis.

Até pouco tempo atrás, a mídia gorda tentava dar a impressão de que bares e boates eram os únicos lugares para paqueras. Só que essa campanha, além de esconder o lobby dos empresários de bares e boates com a mídia, também teve como consequência negativa a violência conjugal movida pelo álcool, mas não apenas a violência conjugal, mas a geral. Só de 2003 para cá, inúmeros casos de violência e morte nos bares e boates, além de brigas com feridos, ocorreram, causando aflição em famílias que não raro perdiam seus entes queridos em incidentes assim. E, convenhamos, é raro alguém ir para as noitadas sem tomar alguma dose de álcool.

Com isso, nos últimos três anos, a mídia mudou seu discurso. Os bares e boates foram trocados por restaurantes. Já não se trata mais de enfatizar qualquer pessoa procurando qualquer pessoa para namorar, mas colegas de trabalho ou faculdade em azaração com outros colegas do mesmo ambiente. Há também as paqueras em academias de ginásticas e escolas de dança, que tomaram o lugar dos agitos noturnos movidos a bebedeira gratuita e drogas, sobretudo sintéticas. Não é o paraíso, ainda, mas é uma evolução significativa.

Agora temos a novidade das passeatas. Uma ocorreu no Rio de Janeiro, na última sexta-feira. Outra, ontem em São Paulo. Já é uma volta da prática das paqueras ao ar livre, depois de tantos anos condenada ao confinamento etílico de bares e boates. No entanto, os solteiros em questão ainda pecam em qualidade. Não preciso falar dos homens, porque muitos dos defeitos de certos machos são óbvios (sobretudo a "galinhagem", querer namorar só por curtição e às vezes cometer infidelidade). As mulheres, sim, precisam ser questionadas, sobretudo pela personalidade marcada por referenciais culturais rasteiros e uma submissão aos valores da grande mídia mais popularesca (Rede TV! e SBT, principalmente, mas a Rede Globo também).

Ter referenciais culturais rasteiros influi na personalidade, sim, do contrário que certos otimistas insistem em afirmar. Imagine eu, que nunca fui de referenciais cafonas e nunca tive interesse pela Música de Cabresto Brasileira, namorar uma fanática justamente desses referenciais.

O orkuteiro mais debilóide cairá em delírio, afinal frases lindas da demagogia brasileira chegam à tona, como "As diferenças se superarão", "O preconceito vai cair", "A magia do amor resolve tudo". Pimenta nos olhos dos outros é refresco, diz o ditado. Para o papel que o "sistema" determina às mulheres classudas, esse ditado seria adaptado para "Pimenta Neves na vida amorosa das outras é refresco".

Só que a falta de afinidade não corresponde à harmoniosa utopia exaltada pelos hipócritas, que, imitando na forma o discurso pacifista e humanitário de gente como Mahatma Gandhi, no conteúdo estão mais próximos do Amigo da Onça.

A falta de afinidade significa brigas, conflitos, divergências sérias, imposição de limites de ambas as partes do casal. Brigas conjugais nada têm a ver com as músicas que ícones da Música de Cabresto Brasileira, como Leandro & Leonardo, Calcinha Preta e outros, tanto cantam nas letras. Falta de afinidade gera complicações, mal-estar, e sabemos que ninguém é totalmente igual, mas há uma grande diferença entre as divergências que dão para um convívio harmonioso e outras que geram conflitos sérios.

Sei que surgirão rapazes com aquela retórica de faquir que dirão coisas do tipo "só curto jazz e Bossa Nova e namoro uma pagodeira numa boa", que certamente não convencerão e não farão regra alguma às relações amorosas. O grande mal dos anos 90 foi justamente isso:as exceções queriam ser regras, os penetras queriam ser os donos das festas, as elites minoritárias queriam ser a voz da maioria, de preferência absoluta, da humanidade.

Portanto, em que pesem casos excepcionais, a falta de afinidade conjugal é uma realidade que não pode ser menosprezada. No futuro, certamente vários casais "solidamente" reunidos pela conveniência sócio-econômica se dissolverão, enquanto solteironas bregas desistirão de esperar por nerds excêntricos e se casarão com aqueles mesmos sósias de Fábio Jr., Alexandre Pires, do "imperador" Adriano e do Zezé Di Camargo que elas haviam dado o fora na quermesse passada.

E aí as passeatas dos encalhados darão um salto diferenciado de qualidade.

AS DEZ MAIS DO LIXO CULTURAL DAS SOLTEIRAS BRASILEIRAS


Nas consultas do Orkut e nas pesquisas pelas ruas, o que se vê na maioria das mulheres solteiras brasileiras é a predominância de um gosto musical rasteiro (a aqui conhecida Música de Cabresto Brasileira), submisso à mídia grande, de valor cultural bastante duvidoso. Pior: é um gosto musical obsessivamente defendido, e, não obstante, as solteiras sabem que esse gosto musical faz os rapazes torcerem o nariz para elas. E, mesmo assim, elas não abrem mão desse gosto musical canhestro, duvidoso, rasteiro, embora ultra-badalado pela mídia gorda. Infelizmente, são raras as solteiras que, no Brasil, possuem um gosto musical decente.

Pois esse lixo cultural tem suas dez mais, baseado nessas pesquisas. Certamente causarei polêmica, porque alguns desses ídolos são totens sagrados, para os quais alguma vírgula apontada contra eles pode render reações violentas dos fanáticos. Os ídolos incluem também derivados (como, no caso de Ivete Sangalo, há a Cláudia Leitte, e no caso do Exaltasamba, há o Pixote, junto com o Alexandre Pires, há os igualmente "românticos" Leonardo, Daniel e o "pai" de todos, Fábio Jr. - não destacado na lista porque ele já está meio gasto - e com o DJ Marlboro vai todos os seus apadrinhados). Aqui vai a lista:

1. IVETE SANGALO
2. CHICLETE COM BANANA
3. ALEXANDRE PIRES
5. BRUNO & MARRONE
6. EXALTASAMBA
7. CALCINHA PRETA
8. BANDA CALYPSO
9. PSIRICO
10. DJ MARLBORO

sábado, 16 de maio de 2009

RARIDADES DE SOLTEIRAS


As lindíssimas Paola Oliveira (E) e Camila Rodrigues estão solteiríssimas. Notícia por demais excelente, num país de poucas solteiras interessantes que é o Brasil. Até quando?

KALEY CUOCO


Há quem diga que a atriz do seriado norte-americano The Big Bang Theory - seriado tipicamente nerd - é feia. Dá para acreditar nisso?

Kaley Cuoco é um sonho de mulher. Só que ela segue o padrão de linda nerd que os marmanjões em busca de musas mais "badaladas" não gostam. Eu gosto da Kaley Cuoco. Docinho de cuoco. Se ela aparecer na próxima passeata dos sem-namoro aqui no Brasil, corro para ela.

Para os desavisados: não há parentesco algum entre ela e um veterano ator brasileiro.

CRISE DO RADIALISMO ROCK - II


Foi o início dos anos 90 e o poder de influência do radialismo rock escapou das mãos das emissoras originais e autênticas e passou para o controle oportunista de emissoras supostamente "simpatizantes".

A partir de 1989, emissoras pop ou popularescas passaram a ser "converter" para o formato rock, sem fazer qualquer tipo de adaptação real ao formato. Elas, no máximo, contratavam dois ou três produtores roqueiros ou algo parecido, e o repertório era bancado todo pelas gravadoras, pela MTV e pela Billboard.

Algumas emissoras do Brasil podem ser citadas: RPC FM (Rio de Janeiro), 98 FM (Belo Horizonte), 96 FM (Salvador), Atalaia FM (Aracaju), 100 FM (Fortaleza), JC FM (Recife). E ainda havia a afiliada da paulista 89 FM de Recife.

A visão míope dos diretores dessas FMs, ao assimilar as novidades do Sudeste, cometiam sérias confusões. Em suma, não discerniam as novidades lançadas pela Rádio Cidade carioca em 1977 e pela Rádio Fluminense de Niterói em 1982. Juntando alhos com bugalhos, as "rádios rock" faziam seu caminho de pedras sem muito rock'n'roll.

Muitas dessas rádios começavam com o repertório gororoba, misturando nomes do pop erroneamente chamados de "roqueiros", como Michael Jackson, Madonna, Roxette, Mc Hammer e Black Box, com alguns nomes mais acessíveis como Oingo Boingo, Midnight Oil, Outfields, os medalhões do Rock Brasil, e nomes do "metal farofa" como Bon Jovi e Guns N'Roses. Às vezes se colocava um Lloyd Cole, um Clash, um Smiths, um Ira!, um Violeta de Outono (este, muito raro de ocorrer), na programação, mas somente era a música de trabalho. Em 199o foram introduzidas bandas de funk metal e uns poucos grupos ingleses associados ao indie dance.

A estrutura era igualzinha das rádios de hit-parade: locução em cima das músicas, vinheta entre uma música e outra, cardápio musical muito limitado (não mais do que 60 músicas por dia),e toda uma filosofia de rádio pop: promoção para namorados, propagandas de lojas infantis alternando com as de motéis, sem falar da própria linguagem dos locutores, que variavam apenas entre clones piorados dos locutores originais da Rádio Cidade e versões esquizofrênicas dos locutores da Jovem Pan 2. Isto é, ou era uma cópia debilóide do Fernando Mansur, ou era um arremedo mal-assombrado do Emílio Zurita.

O FENÔMENO GRUNGE - Com a onda grunge, todo um simulacro de "cultura alternativa" foi armado pela grande mídia. As gravadoras multinacionais armaram selos pseudo-independentes (Banguela, Radical, etc.), as grandes editoras bancavam zines, as rádios comerciais se fantasiavam de "rádios rock", mega-grupos musicais tentavam fazer "rock mais sujo", mega-produtoras de eventos armavam "pequenos" festivais de rock em busca do equivalente brasileiro do Nirvana. Houve até tentativa de "parada indie" bancada pelo Estadão.

É verdade que tudo isso não passava de fachada, afinal o tal "rock sujo" era super bem-mixado demais para ser "sujo" feito fitas-demo, e que era nojento o André Forastieri transformar a Bizz na versão diogo-mainardiana da Melody Maker ou na versão roberto-campista do lendário zine punk Sniffin' Glue.

As rádios, então, nem se fala. Os locutores e diretores puxavam o saco dos roqueiros locais ou dos roqueiros do Sul e Sudeste que apareciam nas referidas regiões e deles retiravam algum "palpite" sobre uma banda mais "difícil" para ser tocada. O lobby tentava ser feito até nas lojas de rock locais, que recebiam um adesivo da emissora e, às vezes, deixavam o rádio ligado na mesma, sendo uma grande estranheza você entrar numa dessas lojas independentes e ouvir o rádio rolando "You belong to the city" do Glenn Frey e "Invisible Touch" do Genesis, músicas pasteurizadas de antigos ícones do rock e que eram figuras fáceis nas rádios nada roqueiras.

Com o grunge, o repertório deixou de ser gororoba, mas continuava restritivo. Continuavam as 60 músicas diariamente tocadas, só que com as mesmas bandas grunge como Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains e Soundgarden. Só Nirvana e Pearl Jam conseguiam comparecer com mais de duas músicas na programação.

Nesta fase, a programação tentava ser correta, até porque a rádio paulista 89 FM - cujos donos eram favorecidos politicamente por aliados de Fernando Collor - era protegida da Editora Abril e Grupo Folha da Manhã, e era vendida como "referência" de radialismo rock ante a crise financeira que abalou a Fluminense FM.

Mesmo assim, alguns "micos" poderiam ser notados. Em Salvador, a 96 FM colocava música de Ave-Maria, algo inadmissível em rádio de rock não porque seu pessoal é contra religião ou algo relacionado, mas porque é forçar a barra com algo que nada tinha a ver com a filosofia roqueira. Além disso, nem todos os roqueiros eram receptivos ao cantor soul Stevie Wonder, intérprete da versão da música de Schubert. A 96 ainda tinha um programa de música romântica e outro de pop dançante, e nem as tentativas de colocar algo mais próximo do rock nesses programas, como baladas do cantor Sting (admirado pelos roqueiros como membro do Police, mas abominado por sua carreira-solo ser marcada por baladas - músicas lentas, atenção moçada!!) ou alguma remix do New Order.

Outros pecados que as supostas "rádios rock" dessa época cometiam era evitar tocar músicas que não eram indicadas pelas gravadoras, que assinalavam até a música determinada no vinil, com um traço escrito a caneta. Não era raro as rádios tocarem músicas mais obscuras e, bem antes do primeiro refrão, pararem de tocar e substituir pela música de trabalho.

Essas rádios tentavam lançar novas bandas, e quase sempre era um desgaste, porque elas sempre imitavam, de uma forma ou de outra, os "medalhões" do rock nacional e internacional. Muitas dessas bandas, por mais badaladas que fossem, desapareceram no tempo.

Com a crise do grunge - cuja mesmice musical irritava os alternativos autênticos, que eram bem diferentes dos "alternativos" estereotipados pela moda grunge - , as rádios começaram a viver sua crise, apesar da suposta perseverança das mesmas. Nas faculdades, defensores e detratores se irritavam uns com os outros. Nos zines e jornais locais de surf, colunistas espinafravam quem falasse mal das ditas "rádios rock" alegando que elas contribuíam para divulgar a cena musical local.

Mas tanta choradeira não foi suficiente para evitar o desfecho final. Todas essas rádios que, entre 1989 e 1993, tentaram explorar (mal) o segmento rock, abandonaram definitivamente o estilo, indo para outros caminhos. Até a afiliada pernambucana da 89 FM acabou, encerrando o primeiro projeto de rede da emissora paulista.

No entanto, a crise também afetou as rádios originais de rock, que na virada dos anos 80 e 90 viveram outra crise, a financeira, que as fizeram impotentes diante da máquina publicitária da 89 FM.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"BALADA" - A GÍRIA DA MÍDIA GORDA


Não sou contra gírias e sei que elas fazem parte da vida social humana. Também não sou contra gírias mudarem contra o tempo, afinal elas movem com a vida. O que sou contra, porém, é gíria sem a menor serventia social, que mostra todo seu jeito de gíria artificialmente criada por gente "lá de cima" (leia-se executivos da mídia gorda).

Existe, nos últimos anos, uma gíria inventada pela grande mídia que no entanto não quer ter vida de gíria (dessas que nascem, crescem e morrem em pouco tempo, conforme a vontade popular), mas se impõe como se fosse "verbete sério". Essa gíria, arrogantemente, não queria se vincular a uma "tribo", queria ser de todos, queria ser a gíria do Terceiro Reich, feito uma praga vitalícia.

Além disso, é uma gíria que não se explica, não se justifica, não tem relevância, mas se impõe aos jovens como qualquer diretora crápula de colégio interno reacionário e fascista impõe. Mas, como veneno dado pelas colheradas da mídia tem gosto doce...

Essa gíria se chama BALADA, com o sentido dado a "agito noturno" ou, em tese, a qualquer festa realizada numa boate. "Qualquer festa", em tese, porque do contrário que a mídia gorda, verdadeira dona desse verbete coloquial, tanto prega, "balada" não é qualquer festa, mas um tipo de festa que os chamados clubbers tanto frequentam.

Falaram que havia "baladas" na noite dos anos 80. Mentira. O que tinham eram danceterias e remanescentes de festas antigas, como gafieiras, quermesses, bailes de debutantes etc.. Falaram que havia "baladas" de todo estilo musical. Mentira. As chamadas "baladas" se limitam a ser festas cuja figura central é o DJ, mas num contexto de culto à personalidade dado a ele, e sua trilha sonora é o pop dançante convencional, indo do "funk carioca" ao trance ou lounge, mas não indo além desse universo poperó.

Recebi até e-mail de carinha fazendo propaganda de "balada" de punk rock. Mandei outro e-mail dando uma bronca nele, porque ele é fã de um estilo que não se vende ao establishment e por isso nunca adotaria gírias clubber como "balada". O cara não mais repetiu a dose, deve ter se mancado.

ESTUPIDEZ

A gíria "balada" é o que há de mais estúpido no colóquio juvenil. Isso porque uma gíria de verdade tem sua razão de ser e seus motivos, e "balada" não tem motivo algum. Mesmo as possíveis suposições quanto ao porque da gíria são duvidosas e bastante vagas. Algumas dessas suposições:

DERIVATIVO DA GÍRIA "BALA" - Nos anos 90, correu uma gíria chamada "bala" que é algo como a versão brasileira da gíria sure shot, que ao pé da letra significa "tiro certo". Mas ninguém chamaria de "balada" uma festa marcada pelo imprevisível, onde incertezas como se a pessoa vai sobreviver a uma embriaguez ou vai conquistar a garota de sua vida ou não acontecem. Além disso, quando a gíria "balada" foi lançada, a gíria "bala" havia caído em desuso. Suposição dificilmente provável.

CORRUPTELA DA EXPRESSÃO "BADALA" - Muito estranha esta suposição, porque não se observou algum interesse do pessoal diminuir a palavra "badalação" por "badala". Também ninguém trocaria "pedalação" por "pedala". Suposição dificilmente provável.

PRONÚNCIA TROPEÇADA DA PALAVRA "BADALADA" - Não, porque se fosse considerada "badalada", então toda festa teria terminado à meia-noite, seguindo o conto da Cinderela. Mas o pessoal da "noite" quer curtir seus agitos até, pelo menos, às três da manhã. E não parece que a expressão "badalada" fosse atraente para os clubbers atuais. Suposição também dificilmente provável.

A gíria não tem serventia alguma, e o pior é que ela está em voga na mídia há dez anos, esperando algum lugar no Aurélio. Pura arrogância. A gíria é humilde, quando é para terminar, terminou. Mas a gíria "balada" não quer cair em desuso, mas pelo menos teve que reconhecer que não é a "gíria universal da juventude brasileira", se exilando nos sites de celebridades e no vazio dos agitos clubbers contemporâneos. Uma gíria tão vazia quanto o pessoal do Big Brother Brasil.

ORIGEM

Na verdade, a gíria "balada" foi lançada numa reunião entre empresários das boates noturnas, disc-jóqueis, radialistas e executivos de FMs jovens e publicitários. Isso foi em 1999. Provavelmente um deles lançou a gíria "balada" porque foi a primeira palavra que veio em sua mente, a partir do seguinte raciocínio:

- Até que ponto a mídia gorda dedicada ao público juvenil pode influenciá-lo?

- Se, ao ser lançada e difundida uma gíria artificialmente criada, até que ponto ela pode ser tomada como se fosse o "símbolo" de uma geração?

- Até que ponto essa gíria pode ser considerada de uma "tribo" ou se expandir para várias "tribos", garantindo o controle da mídia gorda entre os jovens?

Uma coisa é certa. A gíria "balada", pelo seu comportamento como expressão coloquial, não tem a menor serventia social, porque não quer ter a breve vida das gírias nem a relativa representação de uma "tribo". Queria ser "a gíria de todos", mas teve que se contentar com a mídia bocó. Queria ser "a gíria de todos os tempos" e agoniza dentro da mídia fofoqueira ou clubber, ou de toda mídia do mau gosto e da imbecilização gratuita.

Quando se fala de "balada", se pensa logo em som poperó, em curtição compulsiva, em fofocas, Big Brother Brasil, mulheres-frutas, Jovem Pan 2, Caldeirão do Huck e outros símbolos do vazio despejado ao público juvenil.

"I GO TO THE PARTIES WITH MY FRIENDS"

Enquanto os jovens alienados do Brasil falam "vô pra balada com a galera" (sem escrúpulos para converter "com a galera" no cacófato "c'a galera"), os jovens dos EUA e Reino Unido, muitíssimo mais informados e modernos que os brasileiros, ainda investem no tradicional "I go to the parties with my friends", que, traduzindo, significa, em alto e bom som, "Eu vou para as festas com meus amigos".

Sem graça, não é mesmo? Eu não acho.

O que diferencia o pessoal estrangeiro do brasileiro é que o jovem convencional brasileiro, com medo de ter boas idéias - até porque mesmo os mais burgueses contam com uma escolaridade defeituosa e uma formação midiática rasteira - , tenta se prevalecer com um vocabulário desesperadamente coloquial, além de escrever muito mal no computador e sobretudo no telefone celular. Escreve tão mal que eu mesmo não consigo entender o que eles dizem. Eles devem falar o dialeto imbecilês, muito novo aqui no Brasil.

Uma vez, eu vi no canal SIC, da televisão portuguesa, um programa em que pessoas aparecem contando, cada uma, alguma piada. Pois apareceu uma moça, bem bonita por sinal, que fez uma piada sobre brasileiros. Ela ridicularizava a obsessão dos brasileiros pelas gírias. Certamente a arrogância dos midiotas brasileiros vai insistir que essa piada "num tem nada haver", mas a verdade é essa mesma. E, como disse o Sting, "a verdade machuca todo mundo".

Até as modelos brasileiras, há oito anos atrás, abusavam dos colóquios, dizem coisas como "aí, quando cê (você, na edição da entrevista) vai pra balada c'a (com a, na edição) galera, você está bombando geral". Aí, pegou muito, muito mal, principalmente porque várias modelos brasileiras trabalham para a agência Victoria's Secret e são observadas por muita gente boa do mundo inteiro. Por isso, as modelos de carreira internacional maneiravam o discurso, passando a falar melhor (e trocando "balada" por "festa", "galera" por "pessoal", "família", "equipe" etc.), e as modelos de carreira nacional passaram a fazer o mesmo.

Por isso a gíria "balada" sofreu uma boa derrota, apesar da insistência dos sites de celebridades e da mídia gorda teen. Virou gíria de mauricinho, patricinha, mulher-fruta, BBB, junkie, pitboy e outros tipos da fauna imbecilizada de nosso país.

O JABACULÊ DE RÁDIO FM MUDOU!!


Coitados dos chamados "líderes de opinião", esses que fazem coquetel para lançar um simples blog e são festejados pela mesma mídia gorda que tais "líderes" dizem odiar. Tão pretensamente atualizados, tão arrogantemente tidos como "sensatos", tão vaidosamente informados (só que pelas mesmas fontes da mídia gorda que dizem odiar), eles estão parados no tempo em relação a determinados assuntos, e mais congelados do que homem das cavernas fossilizado (pelo menos o organismo deste se ajusta com o passar do tempo).

Quanto ao jabaculê do rádio FM, a abordagem "crítica" deles está defasada em 25 anos. Sim, meus amigos, 25 anos!! Duas décadas e meia!! As mesmas questões de 1984, quando o Brasil ainda era governado por militares e não existia Internet!!

Contam eles que o jabaculê consiste tão somente numa transação secreta entre gravadora e rádio FM para veicular uma música. Uns, mais "corajosos", admitem haver jabaculê na imprensa escrita ou na TV. E, quanto ao culpado do jabaculê, uns atribuem à mundial ganância da indústria fonográfica multinacional, enquanto outros atribuem ao cinismo de certos diretores de rádio FM.

Quanto à Aemização das FMs, uma das maiores e mais ferozes armações da mídia gorda brasileira, todos ignoram veementemente que haja jabaculê. Algum tendenciosismo aqui ou acolá uns chegam a admitir, mas no geral os radialistas das chamadas "rádios AM em FM" são, segundo eles, todos uns "santos".

Pois a Aemização das FMs virou, pasmem, o paraíso astral do jabaculê, a ponto de fazer com que o jabaculê "tradicional", aquele que só envolve música, rádio e gravadora, parecesse troca de figurinhas entre crianças pequenas.

FUTEBOL DOMINA O CARDÁPIO JABAZEIRO

O jabaculê de FM versão Século XXI pouco tem a ver com o universo do dó-re-mi-fá-sol-lá-si. Envolve a chamada "informação" - no sentido mercadológico explicitamente definido pela Folha de São Paulo em seu manual de redação - e sua versão-sobremesa, as "jornadas esportivas", que dependendo do contexto são "entretenimento" (da forma como define a mídia gorda) e "informação" (se levarmos em conta que também são consideradas "radiojornalismo" - ou rádioshowrnalismo).

Mas, se no noticiário "de efiême" o jabaculê é mais sutil, como a interferência de anunciantes e até personalidades políticas na linha editorial de tais emissoras, que pouco causam arranhões na conduta verossímil de tais emissoras, nas "jornadas esportivas" o jabaculê entra mais nos estúdios de FM do que deslizamento de terra nas casas dos morros em dias de chuva.

Na maioria dos casos, a transação ocorre entre o diretor de FM e o representante de uma federação regional de futebol. Às vezes locutores esportivos e equipes desconhecem esta transação, que ocorre nos bastidores da cúpula, mas mesmo assim eles recebem o "jabá" camuflado num adicional de salário.

O jabaculê pode ocorrer em duas mãos. Se o dirigente esportivo enriqueceu demais e o IR está de olho, passa o excedente para o diretor de FM. Noutra oportunidade, este pode também passar o dinheiro arrecadado pela FM (seja por qualquer jabá, seja pela publicidade, e no jabá até a indústria fonográfica, pasmem, paga o "salário extra" das equipes esportivas) para o dirigente esportivo, para criar "camaradagem".

Há também o caso dos "ouvintes de aluguel", um caso gravíssimo que camufla a baixa audiência dessas FMs sem identidade que parasitam o mercado suado das emissoras AM. É claro que essa fraude é um pouco mais cautelosa em São Paulo, mas em outras cidades, como Salvador (BA) - onde o rádio FM, salvo exceções*, tem o 171 como número da sorte - , os diretores e produtores de FM pagam mesmo pessoas para sintonizar as rádios FM durante transmissões esportivas, apelando para a poluição sonora, marketing informal dessas FMs corruptas sem pé nem cabeça.

Por exemplo, um redator-chefe de FM pode, no boteco mais movimentado de um bairro periférico de tal capital, subornar o dono que está ao balcão para ele sintonizar a tal FM durante transmissão esportiva. O dono, claro, a princípio nega, alegando que não precisa de dinheiro e que a poluição sonora vai incomodar a vizinhança. Mas o profissional de FM logo convence o dono do boteco, alegando que o radialista é amigo do pessoal da imprensa escrita e que ninguém vai falar mal da tal poluição sonora, tudo a pretexto do "radiojornalismo" e da "paixão esportiva". E oferece uma quantia que pode ser às vezes modesta, quando é para pagar apenas contas de água e de luz, ou, maiores, quando é para pagar todo o fornecimento mensal de bebidas para o boteco.

Há também casos de produtores e amigos de produtores que rodam com carros atraentes - ainda que semi-novos - , mediante uma "gorjeta amiga", para sintonizar as transmissões esportivas em volumes insuportáveis. Estacionam até, por intenções suspeitas, em estacionamentos vazios de supermercados fechados, ou então vão a acessos dos shopping centers em horários de movimento nos finais de semana. Em outros casos, subornam-se taxistas, frentistas de postos, porteiros de prédios, e até mesmo lojas de varejo e atacado ou papelarias, mediante um abatimento no espaço publicitário de FMs, aderem a esse jabaculê "amigo".

As quantias movimentadas pelo jabaculê das "rádios AM em FM" é bem maior que a movida outrora pelo jabaculê musical. E não há quantia para dar ao ECAD. As FMs envolvidas enriquecem feito doido a essas alturas.

E a "nação bem informada" afirmando que não existe jabaculê...

* As exceções das FMs soteropolitanas são as emissoras A Tarde, Educadora e Nova Brasil, que, se cometem jabaculê, é em índices bem menores que as demais FMs.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Retórica nem sempre diz a realidade


Certa vez, a atriz inglesa Keira Knightley disse em uma entrevista que se achava inculta por não ter nível universitário e que precisava ler muitos livros e pesquisar muito, tanto para obter conhecimentos quanto para se preparar para uma nova personagem. Ela acrescentou que se esforça em ler bastante, apesar das dificuldades eventuais de concentração.

Enquanto isso, a Mulher Melancia, ícone da imbecilização cultural inerente ao "funk carioca", disse ser uma mulher "inteligente", em resposta ao fato de que sua similar de quinze anos atrás, a ex- dançarina do É O Tchan (outro ícone da imbecilização), Carla Perez, ter dito, anos depois de deixar seu grupo e num programa de TV, que escola começa com "i".

Sabemos que os imbecis e os burros se acham inteligentes porque sua ignorância é tanta que não conhecem o que é a verdadeira inteligência, logo atribuindo sua burrice como se fosse "sua inteligência", porque é a "inteligência" que eles se limitam a conhecer.

Louvamos, portanto, a humildade da srta. Knightley, que reconhece seus limites e se esforça para superá-los, sem medo nem arrogância. E só temos que lamentar a arrogância da Mulher Melancia, uma das várias mulheres-objeto que infestam a mídia gorda, ou melhor, a mídia popozuda, que ainda por cima se acha "inteligente" por nada. Se perguntá-la por que, ela deve provavelmente dizer "porque sim", a resposta preferida de quem nada tem a dizer.

Como se vê, nem sempre a retórica corresponde à realidade.