quinta-feira, 9 de abril de 2009

NO BREGA-POPULARESCO, CADA UM PUXA A BRASA PARA SUA SARDINHA


É compreensível a atitude de Eugênio Raggi quanto à defesa do sambrega, no Sudeste. No brega-popularesco, é comum que tendências dominantes em dadas regiões sejam defendidas em detrimento de outras que se permite falar mal. É aquela coisa de dizer que "a prata da casa não é brega, brega são os outros!".

No Sudeste, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, costuma-se defender o sambrega, como se o samba nunca tivesse sido diluído por oportunistas e que até o mais picareta dos sambregas é tido como "sambista sério", mesmo se limitando a imitar Lionel Richie botando pandeiro e cavaquinho em cima.

Em Minas Gerais, uns defendem também o sambrega, mas, no grosso, a defesa cai para o breganejo., por influência da vizinhança com o Centro-Oeste. Neste caso pode-se falar mal do sambrega, mas o breganejo é "sagrado", por mais que o mais picareta dos breganejos se limite a imitar Bee Gees botando violão e acordeão em cima.

Na Bahia, defende-se a axé-music e seus subprodutos (pagodão e arrocha). No resto do Nordeste, por influência da Região Norte, se defende o forró-brega. No Sul, defende-se o brega "de raiz" (Waldick Soriano, Odair José), por influência de São Paulo. Também se defende o "funk carioca", por influência de São Paulo, que "nacionalizou" o ritmo carioca, embora o "pancadão", como sabemos, se propagou com a "pequena ajuda" das Organizações Globo.

E assim se forja uma pseudo-diversidade que na prática não existe. Porque tudo isso não passa de uma música brega com seus diversos aparatos para todo tipo de freguesia. E nada disso vai acrescentar coisa alguma à cultura brasileira. Nada mesmo.

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