quarta-feira, 29 de abril de 2009

CRISE DO RADIALISMO ROCK


Há uns três anos as duas "rádios rock" mais badaladas do país, Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo, abandonaram os estilos que as duas aparentemente assumiram há anos. Mas, apesar do pretensiosismo "roqueiro" e do fato de seus produtores compensarem a falta de rebeldia (afinal, eles também eram "mídia gorda", "gordíssima") com um temperamentalismo que se irritava até com alfinete caindo no chão, as duas rádios estavam muito, mas muitíssimo longe de representar sequer o padrão de uma rádio de rock razoável.

As duas rádios, aliás, abandonaram o rock porque, além do perfil não condizer com a realidade do público de rock autêntico - os produtores das duas rádios e seus adeptos em geral julgavam a "cultura rock" através de seus umbigos - , sendo na prática clones grunge das rádios de poperó (Jovem Pan 2, Energia 97), elas também estavam perdendo feio na batalha com a Internet, que mostrava um gigantesco leque de músicas e músicos de rock que as rádios "roqueiras" do Brasil se recusavam a tocar (isso apesar desses mesmos músicos, quando vêem ao Brasil, receberem o patrocínio pretensioso dessas mesmas rádios).

Há muito o que dizer da crise do radialismo rock, e aqui as coisas serão ditas em partes, no decorrer desse blog.

ÚNICA RÁDIO DE ROCK DO PAÍS É GAÚCHA

No Brasil, há atualmente apenas uma rádio de rock autêntico, a Unisinos FM, de Porto Alegre, única capital do país onde o rock é cultura jovem dominante. Aparentemente a Kiss FM, de São Paulo, é outra "rádio rock", mas sua orientação inicial - que lembrava uma 97 Rock mais light - , foi trocada por uma pálida reprodução do perfil da 89 FM, o que tira os méritos do rótulo, até porque na Kiss as músicas de rock tocadas são cortadas antes do final e recebem a irritante falação em cima dos locutores, que intervém sobre a introdução e o final das músicas.

A última esperança, recentemente, do renascimento do radialismo rock, a Venenosa FM, foi por água abaixo porque o dono da Universidade Salgado de Oliveira, a UNIVERSO, a substituiu pela horrenda Mania FM, de brega-popularesco. A Venenosa havia tido a façanha de entrar em cidades que nunca tinham uma rádio de rock como Uberlândia e Goiânia.

Depois da Rádio Cidade e 89, a Pop Rock FM, a "89 FM Gaúcha", passa também a ter uma orientação do rock autêntico, como as atuais Oi e 89. Essa nova forma de radialismo pop, cujo carro-chefe é a rede Oi FM, derruba de vez a era Transamérica / Jovem Pan 2 das duas redes que, envolvidas com conchavos com "cartolas", passaram a soar, em certos horários, como clones mofadas de rádio AM, afungentando boa parte do público que não compartilha dos delírios dos Fanáticos Modulados que exibem seus egos nas colunas de rádio como Rádio Base e Tudo Rádio.

O novo tipo de radialismo pop é capaz de tocar Strokes e Los Hermanos junto a Christina Aguilera e Lady Gaga, ou então juntar Franz Ferdinand com 50 Cent no mesmo cardápio musical. É um tipo de rádio pop mais moderno, menos restritivo por ser adaptado à Internet. E muito mais sincero do que o pretensiosismo das "rádios rock" dos anos 90, que queriam ser pop mas se sentiam ofendidas quando eram assim chamadas.

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