sexta-feira, 17 de abril de 2009

CLUBE DA ESQUINA CUMPRE TUDO O QUE OS MODERNOS "SERTANEJOS" SÓ PROMETEM


No ano de 1968, vários universitários de Belo Horizonte, amantes dos Beatles, dos Byrds e do rock progressivo, além da música rural autêntica e da MPB que vibrava nos festivais musicais, resolveram formar um movimento que, ao lado da Bossa Nova, é um dos mais sofisticados da MPB autêntica: o Clube da Esquina.

São vários cantores, músicos e até poetas, que integraram o movimento desde então: Milton Nascimento (que havia lançado um surpreendente primeiro LP em 1967 e era apadrinhado pelo grande Agostinho dos Santos), Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta, os letristas Fernando Brant e Ronaldo Bastos, entre outros.

Musicalmente, a influência varia da música rural mineira ao rock progressivo de grupos como Yes e Gentle Giant. No canto, as influências de Beatles e Byrds são nítidas. A poesia, influenciada pela melhor poesia mineira (não precisamos dizer quais poetas). Os temas variam de letras de amor, temas ecológicos e letras sobre fraternidade.

Enfim, o Clube da Esquina é uma espécie de dream team da moderna música brasileira. Assume sua regionalidade, pois tem um sabor mineiro evidente, embora tenha tido discípulos no Rio de Janeiro como Sá & Guarabira, Guilherme Arantes, Boca Livre e a fase inicial do Roupa Nova. Tem influências estrangeiras que não ofuscam a brasilidade. Tem boas melodias e bons vocais, e são a música ideal para solteiras em tempo de fossa.

Então, para que ouvir a tal "música sertaneja" desses ídolos neo-bregas que aparecem na televisão? Grande perda de tempo.

Também não adianta "também gostar" de Clube da Esquina e mesmo assim preferir os breganejos, esperando que um Leonardo da vida grave "Sol de Primavera" certamente triturando a música, que na sua versão original é de uma beleza ímpar. Também para que esperar que um sambrega da vida grava "Noites com Sol" de Flávio Venturini com um vocalista ruim abusando dos vibratos?

O Clube da Esquina faz o que breganejos (e, junto a eles, os sambregas) apenas prometem. Certamente breganejos e similares têm mais pompa, tem mais marketing e, para quem está acostumado em ser manipulado pela mídia gorda, "mais divertido". Mas, no final das contas, são gente como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Lô Borges e outros que dão o tom da beleza musical.

Os breganejos, aliás, sentem muita inveja do Clube da Esquina, porque não surgiram em Minas Gerais (só tardiamente surgiram duplas breganejas mineiras, e ainda assim elas não emplacam), não contam com bons letristas como Fernando Brant e nem trabalham boas melodias, de tão medíocres e incompetentes os "sertanejos" atuais são. Os breganejos só ganham do Clube da Esquina porque possuem uma máquina de mídia poderosa, além do "despretensioso" apoio dos grandes proprietários de terras, que hospedam as duplas breganejas como se fossem seus parentes mais queridos.

No final das contas, porém, os mineiros do Clube da Esquina prevalecerão, por causa de seu talento, de sua integridade, de sua musicalidade verdadeira, sem a ilusão do marketing. É hora do pessoal tirar seus discos de breganejos de suas coleções e substituí-los pelos artistas mineiros que são sinceros quando falam de amor, natureza, amizade, vida. Sem pieguices.

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