quarta-feira, 29 de abril de 2009

UM CONTO DE FICÇÃO

Numa boate de São Paulo, um empresário de seus 45 anos entra com seu sócio para curtirem uma happy hour depois de uma cansativa jornada de negócios.

Ainda casado, o empresário quarentão enfrenta uma crise de relacionamento com sua esposa, uma belíssima jornalista de 39 anos, com quem tem um filho de 12 anos. As diferenças de personalidade tornam-se irreconciliáveis.

- Toda vez que a gente combina para sair, não nos acertamos. Se eu quero viajar para o Guarujá, ela quer ir para Petrópolis. Se eu quero viajar para Nova York, ela quer as praias do Rio de Janeiro. Além disso, eu, tão ocupado com negócios, tenho que entender de artes plásticas, teatro e música mais do que eu tenho condições de entender. Puxa, mal posso ler um livro de Administração e tenho que estar a par da Bossa Nova, que eu não gosto?... - diz o empresário quarentão.

- Pois é, meu caro Rubens. - disse Rodolfo, o outro empresário sócio. - Ela é muito linda e inteligente, a mulher dos sonhos. Vocês dois são pessoas importantes, mas chega um ponto em que você, homem de negócios, não consegue acompanhar nem ficar feliz com o ritmo de vida da esposa. A única coisa comum entre vocês é o fato de terem atingido o sucesso pessoal. Mas a rotina de vocês acaba criando divergências.

- Pois é. Eu tenho, com você, uma empresa. Veja, Rodolfo, eu fico viajando, telefonando para contatos no exterior, fazendo consultoria, mexendo com o quadro do pessoal, e no lazer mal dá para fazer alguma coisa, fico com a mente marcada no trabalho. E ela, aparecendo sozinha em eventos profissionais, porque eu não posso acompanhá-la sempre. Do jeito que ela aparece sozinha nas fotos, ela parece solteira!!

Em uma mesa próxima, aparece uma ex-dançarina de pagode, de 30 anos, que toma um refrigerante tipo Aquarius com uma amiga. As duas conversam banalidades, coisa que não interessa narrar aqui. Mas uma coincidência acontece, quando a amiga da dançarina sai do seu assento para ir ao banheiro, enquanto Rodolfo deixa Rubens para telefonar para sua mulher.

O empresário e a dançarina suspiram, não necessariamente ao mesmo tempo. Ele se dirige então à mesa onde a dançarina está situada. O empresário não sabe que ela foi dançarina de um conhecido grupo de pagode, até porque a moça não vestia, na ocasião, aqueles trajes grotescos de cores aberrantes.

- A senhorita está sozinha^- pergunta ele.

- Estou. Vê se tem algum jornalista por perto.

Rubens observa o ambiente em volta. Não parece haver jornalista algum.

- Não tem jornalista olhando, não.

- Que sorte. Já inventaram dez namorados para mim. Não que eu não esteja procurando um, mas é cada coisa. Você, pelo jeito que veste, é empresário, não é? Pelo jeito está bonitão com este terno preto (risos).

- Mal saí do trabalho. E você, o que faz?

- Bom, fui dançarina de um grupo de pagode, o Pagodelícia, que fez muito sucesso há dez anos. Tento ser atriz, modelo, apresentadora de tevê, fiz umas reportagenzinhas (risos).

- Hummm. Você não tem uma vida profissional muito agitada?

- Não. Nem tenho um programa de tevê semanal (risos). Mas me adapto ao ritmo de vida de um homem. Basta ele ser compreensivo comigo.

- Hummm. Quero fazer umas perguntas.

- Pode fazer. Seu nome?

- Rubens Prado, empresário do setor financeiro. E o seu?

- Joseane Rocha, formada em Publicidade, ex-dançarina e hoje atriz e modelo.

- Ótimo. Qual é o primeiro lugar que vem à sua cabeça quando o assunto é viagem para o exterior?

- Roma. Gosto dos seus prédios, do seu luxo, dos seus monumentos.

- Que coincidência. É o lugar que eu mais quero viajar quando penso no exterior. Qual o tipo de pintura que você gosta?

- Bom, eu gosto daquelas pinturas bonitas e antigas, sei lá. Acho que é Monet, Renoir, algo que seja como eles.

- Ah, pintura impressionista. Minha mulher já me falou disso.

- Ah, você é casado? - diz Joseane, com tom de leve decepção.

- Calma, calma. Sou, mas vivo uma séria crise conjugal. Por isso decidi falar com você. Me vem a idéia de me separar de minha mulher.

- Sério? - disse Joseane, com discreta alegria. - Você é bonito e elegante, não é igual aos homens que costumava atrair. Você, sabe, cantores de pagode, jogadores de futebol, ídolos de axé, atores cômicos de TV. Achava que teria que ficar com aqueles chatos universitários com óculos de aros grossos que ficam sobrando. Eles são daquele tipo intelectual, sabe. Muito complicados.

- Minha esposa é desse tipo, embora tenha pinta de modelo francesa. Muito complicada. Eu sou um homem de negócios, e quero viver uma vida sossegada, e não para ir a praias cariocas ou para ir a exposições de arte e cultura. Quero acampar, pescar com meu filho, ouvir música clássica ou canções românticas. Meu estilo é clássico, aprendi porque sou ligado muito a meu pai, que me colocou desde cedo para a profissão de empresário. Se bem que a empresa que eu tenho não é da família de meu pai, é um negócio que eu e meu amigo Rodolfo montamos.

Falando nisso, Rodolfo chega e vê Rubens falando com a dançarina. Rodolfo falou:

- Rubens, então você já começou uma paquera?

- Ah, Joseane, este é o meu amigo Rodolfo, meu sócio. - disse Rubens.

- Prazer, sou Rodolfo.

- Joseane, com todo o prazer.

Esta, por sua vez, em dez segundos viu a amiga se aproximar.

- Uau, você arrumou um cara novo? Ele é muito bonito, embora um pouco grisalho.

- Não tem problema, não. Ele é sincero e gentil. Melhor do que pegar os mesmos caras de sempre ou pegar meninos quatro-olhos que só sabem falar coisas difíceis.

E assim, os quatro se levantam e se despedem, com seus cordiais cumprimentos de despedida, comuns em duplas que se conhecem numa noitada.

Passados seis dias, é anunciado o divórcio da bela jornalista, que ficou com a guarda do filho. Rubens tomou a iniciativa, alegando diferenças irreconciliáveis. Descasado, ele tornou-se namorado de Joseane, que até se cansou do papel de "solteiríssima" que as revistas de celebridades alardeavam, a despeito dos muitos supostos namorados atribuídos a ela. Mas a relação entre Rubens e Joseane se confirmou e ambos, descobrindo maiores afinidades, se casaram um ano após terem se conhecido.

CRISE DO RADIALISMO ROCK


Há uns três anos as duas "rádios rock" mais badaladas do país, Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo, abandonaram os estilos que as duas aparentemente assumiram há anos. Mas, apesar do pretensiosismo "roqueiro" e do fato de seus produtores compensarem a falta de rebeldia (afinal, eles também eram "mídia gorda", "gordíssima") com um temperamentalismo que se irritava até com alfinete caindo no chão, as duas rádios estavam muito, mas muitíssimo longe de representar sequer o padrão de uma rádio de rock razoável.

As duas rádios, aliás, abandonaram o rock porque, além do perfil não condizer com a realidade do público de rock autêntico - os produtores das duas rádios e seus adeptos em geral julgavam a "cultura rock" através de seus umbigos - , sendo na prática clones grunge das rádios de poperó (Jovem Pan 2, Energia 97), elas também estavam perdendo feio na batalha com a Internet, que mostrava um gigantesco leque de músicas e músicos de rock que as rádios "roqueiras" do Brasil se recusavam a tocar (isso apesar desses mesmos músicos, quando vêem ao Brasil, receberem o patrocínio pretensioso dessas mesmas rádios).

Há muito o que dizer da crise do radialismo rock, e aqui as coisas serão ditas em partes, no decorrer desse blog.

ÚNICA RÁDIO DE ROCK DO PAÍS É GAÚCHA

No Brasil, há atualmente apenas uma rádio de rock autêntico, a Unisinos FM, de Porto Alegre, única capital do país onde o rock é cultura jovem dominante. Aparentemente a Kiss FM, de São Paulo, é outra "rádio rock", mas sua orientação inicial - que lembrava uma 97 Rock mais light - , foi trocada por uma pálida reprodução do perfil da 89 FM, o que tira os méritos do rótulo, até porque na Kiss as músicas de rock tocadas são cortadas antes do final e recebem a irritante falação em cima dos locutores, que intervém sobre a introdução e o final das músicas.

A última esperança, recentemente, do renascimento do radialismo rock, a Venenosa FM, foi por água abaixo porque o dono da Universidade Salgado de Oliveira, a UNIVERSO, a substituiu pela horrenda Mania FM, de brega-popularesco. A Venenosa havia tido a façanha de entrar em cidades que nunca tinham uma rádio de rock como Uberlândia e Goiânia.

Depois da Rádio Cidade e 89, a Pop Rock FM, a "89 FM Gaúcha", passa também a ter uma orientação do rock autêntico, como as atuais Oi e 89. Essa nova forma de radialismo pop, cujo carro-chefe é a rede Oi FM, derruba de vez a era Transamérica / Jovem Pan 2 das duas redes que, envolvidas com conchavos com "cartolas", passaram a soar, em certos horários, como clones mofadas de rádio AM, afungentando boa parte do público que não compartilha dos delírios dos Fanáticos Modulados que exibem seus egos nas colunas de rádio como Rádio Base e Tudo Rádio.

O novo tipo de radialismo pop é capaz de tocar Strokes e Los Hermanos junto a Christina Aguilera e Lady Gaga, ou então juntar Franz Ferdinand com 50 Cent no mesmo cardápio musical. É um tipo de rádio pop mais moderno, menos restritivo por ser adaptado à Internet. E muito mais sincero do que o pretensiosismo das "rádios rock" dos anos 90, que queriam ser pop mas se sentiam ofendidas quando eram assim chamadas.

MULHERES DE CLASSE ADOTAM CAMISA ABOTOADA PARA DENTRO DA CALÇA


Vemos aqui a Michelle Loreto e a Leila Schuster, duas moças classudas e belíssimas, com a camisa abotoada para dentro da calça, contribuindo para o fim do monopólio dos "tops" que, de tão banalizado, faz muita mulher fora de forma ou então as boazudas vulgares mostrarem a barriga sem necessidade.

Qual ex-dançarina de pagode vai usar camisa abotoada para dentro da calça? Qual mulher fruta? Qual mulher-coitada, que sonha com o Fábio Jr. mas cisma com sósias do John Lydon ou do Morrissey? Qual delas, se até quando se fantasiam de vaqueiras, nem se dão ao luxo de comprar camisas abotoadas grandes para colocar para dentro das calças? Qual delas, se até nos dias de frio põem seus tops de nylon que elas ficam abaixando a toda hora para proteger a barriga sempre à mostra?

Sem falar que camisa abotoada muito curta que as mulheres comuns usam dá má impressão, fica soando apelação barata, falsa sensualidade.

SE O BANQUEIRO DANIEL DANTAS FICASSE POR DENTRO DA "CULTURA BRASILEIRA"...


...ele daria preferência a ritmos tão "íntegros" quanto ele, como o "funk".

terça-feira, 28 de abril de 2009

GLOBO EMPURRA "FUNK" USANDO CELEBRIDADES


No último domingo, dois dias antes desta postagem, o portal Ego, das Organizações Globo, enumerou uma lista de celebridades que supostamente não resistem a um "funk". Certamente, devem cobrar um bom cachê para aparecer dançando o ridículo ritmo, já que nossa conhecida Samara Felippo disse, pelo exemplo dela, que atores são contratados para se envolverem com axé, "funk", "sertanejo" e outras tendências do brega-popularesco.

Propaganda é isso aí. A mídia gorda usando atores de TV para fazer propaganda de um ritmo grotesco que no entanto enriquece muito empresário que está por trás disso.

domingo, 26 de abril de 2009

MICHELLE LORETO FAZ O NOSSO SOL RAIAR


A estonteante jornalista que anuncia as previsões do tempo no Bom Dia Brasil (Rede Globo), pernambucana radicada em São Paulo e descendente de gaúchos, tem um corpão maravilhoso, uma voz graciosa, um jeito meigo e um rosto marcante. Uma das mais belas do telejornalismo brasileiro.

BANDEIRANTES É MÍDIA GORDA NO RÁDIO PAULISTANO


Para quem ainda acha que o Grupo Bandeirantes de Comunicação (TV Bandeirantes, Rádio Bandeirantes, Band News FM) não faz parte da mídia gorda, mas da mídia "fofinha, quase enxuta", vale aqui uma informação.

O Grupo Bandeirantes participa, mesmo indiretamente, de um quarto do rádio FM paulistano, incluindo parcerias com a família Camargo (Nativa FM, 89 FM, Alpha), com a Sul América Seguros (Sul América Trânsito FM) e arrendamento de horários na Brasil 2000 FM. Além disso, tem a clone em FM da Rádio Bandeirantes AM, tem a Band FM (rádio de brega-popularesco) e também a Band News FM.

É um apetite guloso, típico da mídia obesa. Mas os "líderes de opinião" que reinam na blogosfera vip ainda teimam em ver o Grupo Bandeirantes como uma mídia nanica com mais dinheiro.

A INGENUIDADE DE KATE LYRA


Ela é bonita, inteligente, admirável. Norte-americana naturalizada brasileira, ela foi até comediante, marcada pelo bordão "Brasileiro é tão bonzinho". Foi casada com o cantor e compositor Carlinhos Lyra e os dois são pais da bela cantora Kay Lyra.

Mas como nem todo mundo é perfeito, Kate afirmou, certa vez, que as funkeiras são "feministas". Ela não é a única a fazer esse discurso, mas embarcou nesse "etnocentrismo do bem" que, sob a influência da mídia gorda, tenta mascarar a mediocridade musical dominante com uma falsa imagem de "inteligência intuitiva".

As funkeiras - tal qual as similares que curtem o pagodão de Psirico, Guig Guetto, Parangolé e similares em Salvador, Bahia, tidas como "emancipadas" pelo antropólogo Roberto Albergaria - não podem sequer de longe serem consideradas feministas, e isso não é uma questão de preconceito.

Ser feminista não significa uma mulher falar mal de homens ou ir e voltar sozinha dos agitos noturnos. Além disso, essas jovens que curtem brega-popularesco são tão grosseiras quanto os machistas. Isso não é preconceito contra pobre. E há grosseiras de classe média, também, vide as jovens patricinhas que aparecem no Orkut colocando o "funk carioca" e outras barbaridades no seu gosto musical.

O feminismo se baseia na verdadeira consciência da mulher sobre sua realidade. É muito mais do que rejeitar a opressão masculina, é lutar também pela reafirmação feminina, pela decência, pela dignidade. As "feministas" do "funk" e do pagodão não querem dignidade, afinal desde quando balançar o popozao é dignidade? E, para elas, tanto faz namorarem caras grosseirões, porque há uma verdadeira competição de gritos na hora das brigas conjugais. Por outro lado, se essas moças grosseiras "paqueram" nerds, elas estão geralmente à procura de trouxas para fazerem tudo que elas mandam, e elas imaginam que os nerds iriam pagar pau para ter glúteos enormes nos seus colos. Ou seja, essas mulheres são puramente machistas. O que elas fazem é machismo de saias. E os nerds, jovens "tolos" por fora e inteligentíssimos por dentro, nunca dariam mole para mulheres vulgares e grosseiras assim.

MÍDIA DE ESQUERDA AINDA NÃO ENTENDE O PROBLEMA DA MPB


A mídia considerada de esquerda, como Carta Capital e Caros Amigos, ainda não entende a questão que se relaciona com a crise da Música Popular Brasileira.

Os recentes textos sobre Música Popular Brasileira apenas se limitam a atribuir à crise a uma aparente elitização da música brasileira, algo que eu defino como a síndrome da Academia Brasileira de Letras. Em outras palavras, a MPB periga se tornar a ABL musical, restrita apenas aos grandes mestres.

Só que a mídia esquerdista até agora não conseguiu ver o outro lado, que é o império da mediocridade musical que representa o brega-popularesco, até porque a intelectualidade dominante, seja de direita ou de esquerda, é, em sua maioria, de formação de classe média. Por isso que os mesmos que defendem Waldick Soriano, Zezé Di Camargo, Exaltasamba, DJ Marlboro e Banda Calypso contribuem muito mais para a elitização da MPB do que para a verdadeira valorização da cultura popular brasileira.

Quem observa bem as coisas sabe muito bem que o brega-popularesco de waldicks, zezés, marlboros, ivetes, chitões, créus, tchans, leozinhos, belos, xanddys, sandys, brunos, marrones, mulheres-frutas, calcinhas, aviões, asas, chicletes etc., etc. e etc., NÃO representa a verdadeira cultura popular brasileira.

O brega-popularesco é a chamada Música de Cabresto Brasileira. Por trás desses ídolos "naturalmente populares", existem latifundiários, empresários, políticos de direita, investindo horrores, fazendo até lavagem financeira para manter seus ídolos em evidência. Se um Alexandre Pires entra em decadência, milhões são jogados na mídia para anabolizar o marketing e manter o cantor em evidência, novamente. Se o Calcinha Preta tem que fazer sucesso em Florianópolis, é mais dinheiro ainda. O mesmíssimo recurso da política de cabresto de cem anos atrás, quando se investia horrores para os candidatos dos "coronéis" vencerem sempre qualquer parada eleitoral.

Por isso soa muito estranho que a Carta Capital tenha colocado Zezé Di Camargo & Luciano na foto de última página. Protegidos da mídia gorda - em especial, a Rede Globo, que co-produziu um filme sobre a dupla - , os breganejos simbolizam os interesses dos empresários de agro-negócio e os latifundiários de gerações mais recentes, "filhos" das políticas agro-pecuárias do "milagre brasileiro" (1969-1974), que gerou uma elite de grandes proprietários de terras que, nos anos 90, patrocinou toda a dita "música sertaneja" e toda a chamada "oxente-music".

Espera-se um pouco de semancol ao Pedro Alexandre Sanches, jornalista que Carta Capital "importou" da Folha de São Paulo, e que ele não caia na tentação de aplaudir nomes como Waldick Soriano e derivados, porque mal sabe ele que o "grande prestígio" que o cantor de "Eu não sou cachorro, não" se deu com muito apoio de latifundiários donos de rádios. E que não é surpresa alguma Waldick ter sido censurado, porque numa ditadura em que os generais não se entendiam e os censores tinham um grau variável de frescura, Waldick pode ter sido censurado por qualquer motivo, menos por ameaçar a ditadura, que aliás gostava muito do cantor, tinha aquele mesmo olhar do João Figueiredo e um jeitão de chefe do SNI.

Também soa estranho que a Caros Amigos tenha no seu quadro de colaboradores um funkeiro como o MC Leonardo, que, apesar da postura de pretenso militante, é também outro protegido da mídia gorda, sobretudo a mais popozuda delas, a Rede Globo. TODO o "funk carioca", sem exceção (não se fala, aqui, do funk autêntico de Tim Maia e afins, que é outríssima coisa), tem as bênçãos da Rede Globo e da Folha de São Paulo, e mesmo o aparente mau-humor de Veja e seu método Justo Veríssimo de ver os movimentos populares não é mais do que um outro apoio aos funkeiros, porque para os fascistas de Veja é melhor que os pobres curtam MC Créu e MC Serginho do que curtir Jackson do Pandeiro, Cartola e João do Vale.

A coisa é tão grave que o discurso que MC Leonardo faz ao seu "funk" (ele é responsável, ao lado do irmão MC Júnior, do tal "Rap das Armas" que virou tema do filme Tropa de Elite, co-produzido pela Globo - que de "rap" não tem coisa alguma) é RIGOROSAMENTE O MESMO que a Folha de São Paulo, no caderno Ilustrada, fez ao gênero, anos atrás. É RIGOROSAMENTE O MESMO discurso que o jornal O Globo fez, no Segundo Caderno.

O discurso de MC Leonardo rima muito bem com mídia gorda e, se a "filosofia" dele se afina muito bem com a visão da Folha de São Paulo sobre o "funk", fica pouco eficaz combater a mídia gorda e suas "ditabrandas", se os mesmos combatentes aplaudem a suposta "música popular" que essa mesma mídia dominante patrocina até de forma escancarada.

É por isso mesmo que, nos bastidores da grande mídia, o pessoal dá gargalhadas porque os mesmos que combatem seus editoriais políticos são os mesmos que consentem no que seus braços "culturais" impõem para o povo consumir. E que a própria direita política, do general Castello Branco ao sociólogo Fernando Henrique Cardoso, apoiou decisivamente todos os ídolos bregas e neo-bregas.

sábado, 25 de abril de 2009

CAMISA ABOTOADA PARA DENTRO DA CALÇA



Um traje pouco comum entre as mulheres em geral mas eventualmente usado pelas mulheres de beleza mais sofisticada, é a combinação de uma calça justa (em inglês, tight pants) com camisa abotoada, geralmente de manga comprida, colocada para dentro da calça.

Combinação muito comum nos anos 70 e 80 mas infelizmente em desuso devido ao uso e abuso de tops (blusas curtas), que banalizou tanto que virou meio de mulheres pouco ou nada atraentes parecerem mais "gostosas" (mas umas mostrando mais as barrigas fora de forma).

A combinação da camisa abotoada para dentro da calça justa dá um tom de elegância e sensualidade a uma mulher. Combinando a camisa e a calça com cinto e sandálias, realça a sensualidade sem ir para o vulgar ou o apelativo. Em se tratando de mulheres atraentes e charmosas, esse conjunto de camisa, calça e sandália (com ou sem cinto), dá um ar de equilíbrio entre imponência e simplicidade e fica melhor até do que muito traje pretensamente sexy das dançarinas de pagode e "funk", por exemplo.

Seria muito bom que esse conjunto vestuário voltasse a ser mais comum, para mostrar uma beleza ao mesmo tempo sensual e sem vulgaridade.

Nas fotos acima, da esquerda para a direita, vemos as belíssimas Eliza Dushku, Luíza Brunet, Sienna Miller e Elza Pataky, todas esbanjando charme e sensualidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Aemização das FMs - Defensores cometem equívocos e absurdos


A Aemização das FMs consiste numa imitação, por emissoras FM, do tipo de programação produzido pelas emissoras AM: noticiário prolongado, "programas de locutor" e "jornadas esportivas".

Esse fenômeno, "endeusado" pelos colunistas de rádio e seus adeptos, tornou-se, sob o pretexto da "liberdade de informação", "prestação de serviço" e outras expressões bonitinhas, um recurso para a concentração de poder de uma minoria de empresas de radiodifusão, tanto as de caráter regional quanto "nacional" (redes sediadas em São Paulo).

Tais pretextos não compensam as inúmeras desvantagens que as FMs que adotam este tipo de programação - seja produzindo programas que imitem o formato AM, seja reproduzindo transmissões de emissoras ou programas AM - , que são bem maiores que as relativas vantagens que elas oferecem, que no entanto podem ser compensadas pelas próprias AMs ou por outros veículos de mídia.

Entre as desvantagens, a maior é a concorrência desleal com as emissoras AM, que certamente não afeta seriamente a primeira ou a segunda AM mais ouvida, mas da terceira em diante a "saudável competição" - notem como os colunistas de rádio lêem muito Veja e adotam para o tema rádio toda uma lógica neoliberal - causa sérios danos, que influem principalmente no quadro profissional.

No rádio FM, o prejuízo é relacionado sobretudo à segmentação cultural, prejudicada porque um punhado de FMs - não raro chegam a representar um terço ou metade do total de FMs numa cidade - passa noticiário prolongado e esportes. Isso porque quem perde o espaço na Frequência Modulada não é a música de má qualidade (desculpa usada pelos defensores da Aemização das FMs), mas a música de melhor qualidade, como o jazz, o rock alternativo, a MPB alternativa, as preciosidades da música do passado. Já os popularescos, que a Aemização das FMs prometia expulsar do "dáiou", estão tranquilos, tranquilos no playlist.

Mas os colunistas de rádio, insensíveis e parecendo devotos de Pôncio Pilatos, acham que essas emissoras AM sucumbem porque são "fracas" por si só. Esses colunistas, assim, adotam o raciocínio de quem defende a "lei do mais forte". Para eles, bastam somente meia dúzia de FMs, que ofereçam o cardápio pragmático de "informação e entretenimento", como noticiários, esportes e humor besteirol.

Pouco lhes importa, por outro lado, se a segmentação é afetada, porque eles não percebem a diferença entre Wando e Chico Buarque, Beatles e Menudo, Jackson do Pandeiro e Tiririca. ou Tati Quebra-Barraco e Clara Nunes. Ou, se "percebem", tanto fez que tanto faz, porque imaginam que todo mundo tem i-Pod para ouvir música na rua ou é fácil se virar para pegar aquela raridade que o rádio não toca.

Francamente, para compensar que as AMs são tomadas pelas crenças cristãs, as rádios "AM em FM", embora não assumam, preferem mesmo o pragmatismo desdenhoso de Pôncio Pilatos. As emissoras AM estão em crise? Os defensores das rádios "AM em FM" lavam suas mãos, por sinal podres de sujas.


O MUNDO FANTASIOSO DOS DEFENSORES DA AEMIZAÇÃO DAS FMS

Eles, em quantidade, mal conseguem lotar uma partida entre o Íbis e o XV de Jaú nas divisões subalternas do Brasileirão. Mas sua ganância em fazer prevalecer seus pontos de vista é comparável ao dos antigos empresários do IPES (o "instituto" que lutou para derrubar o trabalhista João Goulart), outra minoria que queria ter peso de maioria nas grandes decisões da sociedade.

As próprias FMs que eles defendem são herdeiras do IPES. A CBN está mais próxima das abordagens do general Golbery do Couto e Silva. A Rádio Bandeirantes / Band News, como a maioria dos militantes do IPES, mostram o lado cor-de-rosa do neoliberalismo. A Rede Transamérica faz o mesmo, mas no contexto similar ao dos núcleos estudantis do IPES (que se opunham à UNE). A Rádio Gaúcha, da Rede Brasil Sul, segue a linha Golbery à maneira gaúcha que nem o Ildo Meneghetti, do lado ideológico oposto a Leonel Brizola e governador golpista de 1964, conseguiu seguir. A Rádio Metrópole FM, de Salvador, se reaproxima das raízes carlistas (de Antônio Carlos Magalhães), depois de enganar os baianos com uma pseudo-militância de causas "sociais".

Mas, apesar de tudo isso, os defensores da Aemização das FMs costumam se auto-proclamarem "de centro-esquerda", como os pseudo-esquerdistas de plantão. Mas não é difícil ver que eles são neoliberais, porque sua abordagem do mercado radiofônico segue exatamente a mesma lógica neoliberal que vemos nos livros , com todas as palavras dóceis que favorecem os detentores do poder: "livre mercado", "cidadania", "democracia" etc., que gente como Goubery do Couto e Silva, Roberto Campos, André Petry e Otávio Frias defenderam ou defendem com paixão.

Alguns absurdos dos defensores da Aemização das FMs, que chamaremos de Fanáticos Modulados:

1. "FIM DA HISTÓRIA" DO RÁDIO AM - Desrespeitando a memória histórica, os Fanáticos Modulados acham que a história do rádio AM chegou ao fim e que, se alguém quiser, que transforme a trajetória em museu. Para eles, basta a meia-dúzia de FMs de grande porte (CBN, Band News, Transamérica, a emissora regional tal) que lhes oferece as mesmas rações informativas, anedóticas ou esportivas de todo dia. Esse raciocínio é uma aplicação das idéias do historiador de direita Francis Fukuyama (que falou em "fim da história") ao universo radiofônico.

2. ACREDITAM QUE AS RÁDIOS "AM EM FM" IRÃO SALVAR A HUMANIDADE - Submissos ao poder da grande imprensa, só que na sua facção boazinha (ainda não é a "mídia gorda" propriamente dita, mas a "mídia gordinha", a "mídia fofa"), acham que as FMs vão salvar a humanidade, resolver milagrosamente todos os problemas das cidades, transformar o país num grande fórum de debates e transformar até mendigo em sábio. Para eles, basta ouvir horas e horas de CBN para qualquer mortal virar cientista político num piscar de olhos. Ah, e esse raciocínio míope é complementado pelo fanatismo esportivo, com aquela visão equivocada de que esporte salva o mundo e substitui até a Educação. Quanta ingenuidade!!

3. PESSOAS QUE OUVEM RÁDIO NO CARRO SÃO SUPERIORES - No mundo encantado das rádios "AM em FM", o público tido como de "maior conceito" são aqueles que ligam as tais FMs no rádio do carro. É sério, as colunas de rádio ficam babando com tipos assim. Isso é um absurdo. Quem ouve rádio (ou CD) no carro não é inferior nem superior. Mas, a julgar pelos brutamontes que ouvem brega-popularesco nos equipamentos de som dos carros, a tendência pesa hoje pelo lado inferior.

4. RÁDIO É MAIS HONESTO QUE A TELEVISÃO, PORQUE NÃO COMETE O PECADO DA EDIÇÃO DE IMAGEM - Idéia absurda, esta, mas, infelizmente, defendida pelos Fanáticos Modulados (que se julgam os mais inteligentes do planeta ou, pelo menos, agem neste sentido, se assim não o assumem) com um certo entusiasmo e convicção. Só que o rádio, por não mostrar imagem, pode também mascarar pessoas com vozes que não condizem com as aparências, além de sua retórica, sem o recurso da imagem, ter mais possibilidades de fraude. Quem pensa que o rádio é mais honesto que a TV porque não edita imagens, mal tem idéia do simulacro que se pôde fazer em radionovelas, como os efeitos especiais e o contraste entre voz e aparência de quem fala.

Maiores informações sobre esta realidade lamentável estão no meu site Preserve o Rádio AM: http://br.geocities.com/preserveoam

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ATORES PODEM ESTAR MENTINDO QUANDO DIZEM QUE GOSTAM DE RITMOS POPULARESCOS


A atriz da Rede Globo, Samara Felippo, falou de um escândalo e revelou logo outro.

Sabe-se que ela se queixou do fato de que a Câmara dos Deputados usou dinheiro público para pagar viagens para celebridades, e o deputado Fábio Faria chegou até a pagar passagem até para a apresentadora Adriane Galisteu, então sua namorada.

Mas o que chama a atenção na declaração da Samara Felippo é a expressão "contratada", revelando uma suspeita que muitas pessoas, que entendem de cultura popular e rejeitam a farsa do brega-popularesco, sentem: a de que o suposto gosto musical de atores de televisão a ritmos popularescos não passa de uma jogada de marketing, de um mero compromisso contratual.

Observando os atores que, aparentemente, aparecem a eventos de axé-music (como micaretas), de "funk carioca" e de breganejo, entre outros ritmos bregas e neo-bregas, eles se encontram numa posição de "emergentes", pois muitos deles variam entre atores do seriado juvenil "Malhação" e o início da carreira em novelas da Rede Globo.

Aí, é aquela ladainha: ator que grava sua primeira novela aparece no trio elétrico do Chiclete Com Banana. Atriz fala que não abre mão do "funk carioca" no seu i-Pod, e outra corre "entusiasmada" para dançar ao som do DJ Marlboro. Outra atriz aparece abraçada ao cantor Zezé Di Camargo, e por aí vai.

Mal sabem muitos dos mortais que esse "gosto musical" não passa de uma mera obrigação contratual, e que esses atores e atrizes, na verdade, não gostam coisa alguma daquilo que eles são obrigados a "adorar" diante dos repórteres de revistas e sites de celebridades.

Como os ídolos do brega-popularesco, como os acima citados, possuem uma posição de poder e influência dentro da nossa conhecida "mídia gorda", eles conseguem fazer com que atores e atrizes jovens e uns adultos mas sem posição confortável no star system, por motivos meramente contratuais, apareçam em micaretas, vaquejadas, eventos "sociais" que incluam o "funk carioca", se quiserem ter um papel importante na próxima novela da Rede Globo. Caso contrário, não terão papel algum, e não farão sequer comerciais de TV.

Atriz que se recusa a ir ao "baile funk", ou a dizer para a imprensa que "adora 'funk' e axé", além de perder o papel numa novela, perde também a chance de fazer comerciais de qualquer tipo, seja de cerveja ou de produtos de beleza.

Ator que cria caso para não ir ao evento de "pagodão" em Salvador, além de perder o papel estreante mas promissor no núcleo cômico da novela das sete, estará proibido de fazer comerciais de calçados, refrigerante, curso de inglês, qualquer coisa.

Atores são atores, e até quando dizem que "adoram 'funk', 'sertanejo' e axé-music", eles estão apenas interpretando personagens. Na intimidade, o gosto musical médio dos atores da Rede Globo não ultrapassa os parâmetros da MPB FM.

domingo, 19 de abril de 2009

NATALIE PORTMAN NOS FAZ SORRIR


Lindíssima, talentosa, formosa, sexy, graciosa, simpática, inteligente. Natalie é a mulher de todos os sonhos de um homem de bem.

MÍDIA GORDA MANIPULA O POVO COM "FUNK CARIOCA"


Cuidado. Se você for daqueles que pensa que o "funk carioca" é a "genuína expressão cultural da população sem-mídia das favelas", pode tirar o cavalinho da chuva. Usando a gíria carioca, podemos definir todo esse papo "social" do "funk" como caô e seu universo "artístico" como um legítimo 171 (corrupto).

A mídia gorda, ou melhor, a mídia obesa, ou, sendo mais claro, a mídia mais popozuda, usa o "funk carioca" para seduzir e enganar o povo e até a intelectualidade. Tem associação disso, projeto para "patrimônio" ali, e tanto aparato "sério" que disfarça a ruindade musical deste ritmo lamentável. Tomem cuidado: a mídia gorda patrocina, com gosto, o "pancadão" em todas as vertentes. A mesmíssima mídia gorda que ataca MST e chama a ditadura militar de "ditabranda".

O "pancadão" tem 25 anos de jabaculê nas rádios e o pessoal ainda pensa que isso é folclore de verdade? Fala sério!!

PERGUNTA PARA RECENSEADOR


Quantos homens estão presentes nesta sala de estar?

Resposta: Dois homens. Neste típico aposento, nota-se uma decoração típica de uma casa onde mora, provavelmente, uma mulher de 32 anos presumíveis e cuja profissão varia entre arquiteta, engenheira, advogada, publicitária e micro-empresária. Sendo neste perfil, ela deve certamente ter um marido e um filho varão em idade escolar.

A TRAJETÓRIA DO VIOLONISTA BADEN POWELL




A TRAJETÓRIA DO VIOLONISTA BADEN POWELL

Alexandre Figueiredo - O Kylocyclo zine - número um, outubro / novembro de 2000.

A juventude tem um grande ímpeto de tocar violão. Nas escolas de segundo grau, sobretudo, são comuns os jovens que, na hora do recreio ou em horários de aula vagos, se reúnem com os colegas em roda para cantarem sucessos que ouvem no rádio ou nos discos. Logicamente, o amadorismo mostra na maioria dos casos músicos medíocres que são eficazes talvez numa base de violão, mas não podem ser considerados violonistas.

Com o estímulo aos talentos rudimentares da música, herança tanto do punk rock inglês como do popularesco pós-Tropicália, muitos jovens hoje não compreendem a trajetória de um dos mais talentosos violonistas da música brasileira, Baden Powell, falecido na manhã de 26 de setembro último por infecção generalizada, consequência de uma pneumonia bacteriana. Juntamente com Tom Jobim e João Gilberto, Baden era um dos instrumentistas de maior repercussão mundo afora, por seu talento peculiar de formação erudita, sem no entanto renegar o popular (aqui se fala popular, como uma arte espontaneamente popular, e não o popularesco, este uma música popular diluída e “trabalhada” por executivos do meio artístico e fonográfico).

Baden Powell de Aquino nasceu em 03 de agosto de 1937, no interior do Rio de Janeiro. O nome foi escolhido em homenagem ao fundador do escotismo. Tão cedo Baden começou a aprender violão, aos oito anos de idade iniciou suas aulas com Jaime Florence que, entusiasmado com o talento promissor do pupilo, resolveu levá-lo para tocar na Rádio Nacional, emissora de maior sucesso no Brasil dos anos 40. Ele se apresentou até no programa de Ary Barroso, o célebre autor de “Aquarela do Brasil”. O então calouro mirim da Rádio Nacional se tornava um artista promissor, ganhando a amizade e o respeito de Pixinguinha, Donga (o primeiro compositor de samba a ter uma canção registrada em disco, “Pelo telefone”), Garoto (autor da instrumental “Gente humilde”, que vários anos após a morte deste ganhou letra de Vinícius de Morais e Chico Buarque).

Foi em 1952 que Baden, adolescente, iniciou sua carreira de músico profissional. Acompanhou vários artistas da época, da chanchada de Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo (esta uma grande estrela dos filmes da Atlântida), ao samba de Cyro Monteiro. Baden foi um dos precursores da Bossa Nova, apoiado pelos amigos Billy Blanco e Vinícius de Morais, este um poeta que havia sido diplomata de profissão e que seria bossanovista por paixão. Baden Powell acompanhou até mesmo as primeiras gravações do então pouco conhecido Roberto Carlos, no ano de 1959.

Em 1966 Baden e Vinícius gravam o LP Os Afro-Sambas de Baden e Vinícius, influenciado fortemente pelo candomblé e cuja música “O canto de Osanha” foi gravado no ano seguinte por Maysa. A dupla fez mais de 50 canções. Em entrevista feita em 1998, Baden, convertido para uma seita evangélica no ano anterior, renegou o álbum – considerado um dos grandes clássicos da MPB – , a exemplo do católico Roberto Carlos que hoje renega um de seus maiores sucessos, “Quero que você me aqueça neste inverno” cujo refrão cita o trecho “e que tudo vá para o inferno”.

Com o estouro da Bossa Nova nos EUA nos anos 60, e mais tarde na Europa e Japão, o talento de Baden se projetava no exterior, embora sua repercussão no Brasil era insignificante. No entanto, ele fez sucesso através de cantoras como Elis Regina, que gravou “Quaquaraquaquá” e “Aviso aos Navegantes”, com letra do sambista Paulo César Pinheiro, que foi marido de Clara Nunes.

Baden também musicou letras de Ruy Guerra, o moçambicano naturalizado brasileiro, cineasta do Cinema Novo que atualmente divulga o filme “Estorvo” (baseado no livro homônimo de Chico Buarque) e que em 1964 realizou o filme “Os Fuzis”. Mas outro parceiro de Baden seria mais inusitado: Geraldo Vandré, compositor que se tornou famoso por sua canção de protesto “Pra não dizer que não falei de flores”. Baden teve muitos outros parceiros (recentemente um de seus filhos se tornava violonista como o pai), com os quais trabalhou seu estilo de fazer melodias, uma combinação de jazz, música afro-brasileira, música clássica e música popular brasileira.

Apesar do talento peculiar e da poderosa bagagem musical que desenvolveu, Baden era uma figura simples, não afeita ao estrelismo. Era discreto, mas se dedicava de forma excepcional ao violão, com seus solos e melodias. Era mais conhecido no exterior do que no Brasil, e certa vez buscou exílio voluntário na França. O desbunde tropicalista que em seus maus fluídos resultou no popularesco a partir dos anos 70 estimulou os talentos amadorescos e postiços em detrimento de músicos como Baden Powell, que se tornou cada vez mais esquecido em seu próprio país.

No final dos anos 90, Baden foi contratado pela gravadora Trama, um dos melhores exemplos de dedicação à memória da Música Popular Brasileira. O selo tem como um dos donos o músico João Marcelo Bôscoli, filho de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, e tem o apoio do meio irmão Pedro Mariano (filho de Elis e César Camargo Mariano), dos filhos de Wilson Simonal, Simoninha e Max de Castro, de Jair Rodrigues, Jairzinho de Oliveira e Luciana Mello, jovens que compõem o movimento “Artistas Reunidos”, de renovação e resgate da Música Popular Brasileira, algo que era impensável há 15 anos atrás, quando o esnobismo dos paga-paus tentava impor que jovem só gostava de rock e que a MPB se perderia na curtição dos velhos. E hoje o rock brasileiro anda numa crise mal-disfarçada com uma sucessão de clones de Charlie Brown Jr. e Raimundos sendo vendida como a “nova força” do rock nacional. Mas a MPB começa a reagir, mostrando ir bem além do establishment caetânico conivente ao axé e pagode que contaminam o mercado.

Baden Powell gravou dois discos para a Trama, quando adoeceu este ano. Foi internado na clínica Sorocaba, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, em agosto. Estava em estado grave. Uma apresentação dele no ATL Hall, no Via Parque Shopping, também no Rio, já estava sendo anunciada até nos jornais e teve de ser cancelada. Houve uma pequena melhora, mas depois piorou e faleceu em setembro, deixando uma lacuna na música brasileira. Resta o consolo dos mais de 50 discos que gravou, entre compactos, discos de 78 rotações e LPs, além dos dois álbuns que ainda virão, um deles em novembro próximo. Baden Powell se torna hoje um nome que merece ser urgentemente estudado nas escolas de música do Brasil e do mundo.


OBS.: Atualmente, os dois filhos de Baden Powell, o violonista Louis Marcel e o pianista Philippe Baden Powell seguem carreira musical seguindo as boas lições do pai.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

KRISTEN BELL


E Deus criou Kristen Bell. Este rosto diz tudo: encanto, beleza, charme, doçura, sensualidade.

COMO OS PSEUDO-ESQUERDISTAS HOMENAGEARIAM O DIOGO MAINARDI


Os pseudo-esquerdistas, que existem aos montes por aí, desde a comunidade EU ODEIO ACORDAR CEDO do Orkut até a boate mais próxima de sua casa, caro leitor, têm um Diogo Mainardi morando confortavelmente em seus corações.

Claro, como pseudo-esquerdistas, eles têm que manter as aparências, fingir que adoram o comunismo e dar a falsa impressão de que só criticam o governo Lula porque viraram trotskistas.

Pois essa juventude, que estranhamente sente uma profunda admiração por Fernando Collor, Roberto Campos e Diogo Mainardi - só odiavam o George W. Bush mais por ele ser patético e nem sabem explicar direito porque "odeiam" o FMI - , é direitista até a medula, e aqui imaginamos como esses jovens homenageariam o Diogo Mainardi, travestindo-o de "esquerdista" para seus deleites e para profundo escárnio com Che Guevara, que dizem "admirar muito" (claro, Che está morto; se estivesse vivo, essa "galera irada" o odiaria tal como Veja odiaria o Hugo Chaves).

CLUBE DA ESQUINA CUMPRE TUDO O QUE OS MODERNOS "SERTANEJOS" SÓ PROMETEM


No ano de 1968, vários universitários de Belo Horizonte, amantes dos Beatles, dos Byrds e do rock progressivo, além da música rural autêntica e da MPB que vibrava nos festivais musicais, resolveram formar um movimento que, ao lado da Bossa Nova, é um dos mais sofisticados da MPB autêntica: o Clube da Esquina.

São vários cantores, músicos e até poetas, que integraram o movimento desde então: Milton Nascimento (que havia lançado um surpreendente primeiro LP em 1967 e era apadrinhado pelo grande Agostinho dos Santos), Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta, os letristas Fernando Brant e Ronaldo Bastos, entre outros.

Musicalmente, a influência varia da música rural mineira ao rock progressivo de grupos como Yes e Gentle Giant. No canto, as influências de Beatles e Byrds são nítidas. A poesia, influenciada pela melhor poesia mineira (não precisamos dizer quais poetas). Os temas variam de letras de amor, temas ecológicos e letras sobre fraternidade.

Enfim, o Clube da Esquina é uma espécie de dream team da moderna música brasileira. Assume sua regionalidade, pois tem um sabor mineiro evidente, embora tenha tido discípulos no Rio de Janeiro como Sá & Guarabira, Guilherme Arantes, Boca Livre e a fase inicial do Roupa Nova. Tem influências estrangeiras que não ofuscam a brasilidade. Tem boas melodias e bons vocais, e são a música ideal para solteiras em tempo de fossa.

Então, para que ouvir a tal "música sertaneja" desses ídolos neo-bregas que aparecem na televisão? Grande perda de tempo.

Também não adianta "também gostar" de Clube da Esquina e mesmo assim preferir os breganejos, esperando que um Leonardo da vida grave "Sol de Primavera" certamente triturando a música, que na sua versão original é de uma beleza ímpar. Também para que esperar que um sambrega da vida grava "Noites com Sol" de Flávio Venturini com um vocalista ruim abusando dos vibratos?

O Clube da Esquina faz o que breganejos (e, junto a eles, os sambregas) apenas prometem. Certamente breganejos e similares têm mais pompa, tem mais marketing e, para quem está acostumado em ser manipulado pela mídia gorda, "mais divertido". Mas, no final das contas, são gente como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Lô Borges e outros que dão o tom da beleza musical.

Os breganejos, aliás, sentem muita inveja do Clube da Esquina, porque não surgiram em Minas Gerais (só tardiamente surgiram duplas breganejas mineiras, e ainda assim elas não emplacam), não contam com bons letristas como Fernando Brant e nem trabalham boas melodias, de tão medíocres e incompetentes os "sertanejos" atuais são. Os breganejos só ganham do Clube da Esquina porque possuem uma máquina de mídia poderosa, além do "despretensioso" apoio dos grandes proprietários de terras, que hospedam as duplas breganejas como se fossem seus parentes mais queridos.

No final das contas, porém, os mineiros do Clube da Esquina prevalecerão, por causa de seu talento, de sua integridade, de sua musicalidade verdadeira, sem a ilusão do marketing. É hora do pessoal tirar seus discos de breganejos de suas coleções e substituí-los pelos artistas mineiros que são sinceros quando falam de amor, natureza, amizade, vida. Sem pieguices.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

CUCA LAZZAROTTO SOLTEIRA!!!!


Enfim uma mulher lindíssima, sofisticada, inteligente, que agora está livre, leve e solta. Trata-se da ex-VJ da MTV, Regina Lazzarotto, mais conhecida como Cuca.

Ah, se essa Cuca me pegasse, o arrepio não seria de medo, mas de prazer.

A INGENUIDADE DE RICARDO CRAVO ALVIM


No seu dicionário sobre Música Popular Brasileira, o pesquisador da MPB, Ricardo Cravo Alvim, talvez por sua formação urbana não tivesse entendido a diluição da música caipira pelos breganejos. E também não reconheceu que a ascensão dos breganejos se deu a partir da vitória de um político conservador pois, como todo ritmo popularesco, o breganejo tem que ter um apoio de um figurão conservador.

Alvim ingenuamente pensou que o breganejo - que ele credita como "música sertaneja" e trata como se não houvesse diferença entre a música caipira original e os diluidores cafonas atuais - tinha se lançado na novela Pantanal, quando a verdade é que seus ídolos praticamente nada seriam se não fosse o apoio decisivo de Fernando Collor.

Sempre aquela mania das pessoas dizerem que os cantores e grupos cafonas não tem pistolão...

BREGANEJO: A "MÚSICA SERTANEJA" QUE A MÍDIA GORDA APÓIA


Um dos ritmos do brega-popularesco que dominam o país está a dita "música sertaneja", ou o breganejo, um dos primeiros da onda neo-brega que assola o Brasil a ponto de ameaçar a sobrevida da Música Popular Bem Brasileira (para usar um termo do saudoso Sérgio Porto), a MPB autêntica, que hoje em dia, pasmem, praticamente inexiste em muitas regiões do interior do país. Isso mesmo: não há um cenário de MPB autêntica em várias partes do interior do país.

O breganejo, na verdade, é a música derivada do poder latifundiário que existe no interior do Brasil e em regiões como o Norte e Nordeste. Sabemos que o poder latifundiário é a principal face do coronelismo, porque o poder dos grandes proprietários de terras é expresso principalmente pelos grandes fazendeiros, mas não só por eles.

Vamos entender o que é o coronelismo. A expressão vem do título dado pela Guarda Nacional do Segundo Império, no século XIX, aos fazendeiros ou delegados do interior do país que treinavam e enviavam soldados para a Guerra do Paraguai, além de dar aval financeiro às campanhas dessa guerra que durou entre 1865 e 1870. Essa guerra, na verdade, foi uma armação do império britânico para destruir um país que se prosperava, que era o Uruguai, com o governo populista de Solano Lopes (o Hugo Chavez da época). Brasil, Argentina e Uruguai foram chamados pelo Exército britânico para lutar contra o Paraguai, que perdeu a batalha final e, decadente, tornou-se o "paraíso" dos contrabandos e do comércio clandestino. Os grandes fazendeiros e delegados ganharam o título de "Coronel da Guarda Nacional" por conta de sua colaboração.

O coronelismo, no século XX, foi expresso pela concentração de poder dos grandes proprietários, que entraram em conflito com agricultores e trabalhadores sem-terra. Os conflitos eram lamentavelmente trágicos. Havia até listas de gente que deveria ser exterminada por pistoleiros. A pistolagem virou um mercado forte com o coronelismo. Isso dura até hoje, e vítimas como o seringueiro Chico Mendes e a missionária Dorothy Stang mostram esse lado sombrio do coronelismo.

Por isso, o coronelismo, que já derramou sangue demais, não poderia manipular só com a pistolagem. Deveria também manipular o povo pobre pelo entretenimento. Por isso mesmo é que, no final da década de 1950, requentando o já superado modismo das serestas e boleros (que fizeram sucesso no país até às vésperas da Bossa Nova), o poder coronelista, em especial o latifundiário, começou a investir em rádios e alto-falantes, além de apadrinhar ídolos da chamada MÚSICA CAFONA, quando ainda não havia o termo "cafona" (lançado em 1962) e nem mesmo o célebre termo "brega" (lançado em 1972).

Eram versões caricatas dos seresteiros, carregadas de pieguice, e que nos últimos anos tentam ser reabilitados pela mídia gorda, sobretudo as Organizações Globo e a Folha de São Paulo (o verniz "cult" da cultura brega se deve muito ao mesmo jornal que chamou a ditadura militar de "ditabranda"), como se fossem um "movimento de vanguarda". Os ídolos cafonas dessa época são muito conhecidos: Waldick Soriano, Aguinaldo Timóteo, Nelson Ned e até o hoje esquecido Orlando Dias, apadrinhado pelo poderoso Abraão Medina, pai de Rubem e Roberto (do Rock In Rio).

A música cafona da linha Waldick Soriano foi a fonte inicial para a diluição da música caipira brasileira, a partir de 1968. O sucesso de ídolos religiosos como o Padre Zezinho, que inspiraram os cafonas no padrão das capas de discos e na postura moralista-religiosa dos ídolos cafonas, além da influência de Hollywood que queria que a música caipira brasileira fosse "menos regional", ganhavam reforço com a música romântica que era lançada naquele ano das barricadas como forma de combater a fúria do rock psicodélico. Essa música romântica tinha nomes pouco conhecidos como Salvatore Adamo, mas seu principal expoente foram os Bee Gees, e ficou marcada por músicas chorosas, cheias de arranjos de cordas.

Tudo isso, aliado ao cenário da ditadura militar - que se empenhou em eliminar o espírito nacionalista brasileiro em prol de uma "brasilidade" subordinada aos ideais imperialistas dos EUA (por sinal assustados com a repetição da tragédia de John Kennedy com o irmão Bob) - , a música caipira passou a se diluir com os elementos estereotipados do tex-mex (country music
texana mais mariachis e boleros mexicanos), com a religiosidade exagerada (influência distante da Marcha Deus e Liberdade e do catolicismo ortodoxo que combatia a Teologia da Libertação e criava ídolos como Padre Zezinho) e com a pieguice musical reciclada pelos irmãos Gibb.

Essa deturpação da música caipira não tardaria a criar seus produtos, como a dupla paranaense Chitãozinho & Xororó, que lançou seu primeiro disco em 1970. Foi essa mesma dupla que, em 1989, ao lado dos seguidores Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, que comemoraram a vitória eleitoral do "moderno" conservador Fernando Collor de Mello, inaugurando toda a onda neo-brega de nosso país.

O breganejo é um parasita da "música caipira". No circuito da mídia gorda, o breganejo, hipócrita, faz se passar pela "própria música caipira", adotando apenas alguns elementos mais manjados da música caipira tradicional. É musicalmente esquizofrênico, podendo virar arremedo de country music num disco e, no seguinte, uma paródia, de mau gosto e não-assumida, da poesia do Clube da Esquina. Tem uma confusa obsessão em ser regional e global (pop) ao mesmo tempo, entre ser rural e urbano de uma vez, e sua regionalidade é só aparência, pois pode-se montar uma dupla breganeja até no condomínio de luxo do Morumbi, em São Paulo, inventando até dramalhão similar ao transmitido pelos filmes Os Dois Filhos de Francisco e O Menino da Porteira (versão 2009, com o breganejo Daniel no elenco).

Além disso, a suposta "música sertaneja" é marqueteira e se apóia nos valores conservadores da sociedade brasileira, os mesmos evocados pela Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade de 19.03.1964, a marcha que praticamente impulsionou o golpe militar e a infame "ditabranda" brasileira que arrasou o país. Por isso mesmo é que o breganejo se apóia em valores de direita, como a visão conservadora de "família", de "tradição", de "respeito humano" que não é mais do que uma mera subordinação dos fracos aos fortes, dentro de um moralismo ortodoxo travestido de "modernidade". A direita sabe ser retrógrada de um jeito mais "moderno".

Por isso mesmo é que se confundem os valores humanistas, verdadeiramente solidários, verdadeiramente progressistas, com o moralismo mofado dos breganejos. Zezé Di Camargo & Luciano tentaram vender uma falsa imagem de "petistas" e daí para um idiota botar no blog que a "música sertaneja" (breganejo) é a trilha sonora do MST é um pulo. Mas nem a mídia fofa (Bandeirantes, Isto É) queria associar os "adoráveis" breganejos aos abomináveis sem-terra, que acendem uma chama "vejista" até no mais cordato cronista da Band News FM. Por isso ninguém chega ao ponto de associar o breganejo ao MST, o pessoal apenas fica calado quando a esquerda diz que o breganejo é a música dos grandes donos de terra.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ELIZA DUSHKU


Muitos consideram ela a terceira atriz mais sexy da TV norte-americana. Discordo completamente. Ela é a primeira. Ela é estonteante, belíssima até depois de dizer chega (e quem é que vai dizer "chega"?), tem um corpão maravilhoso, voz linda, olhar marcante, sensualidade natural, é inteligente e talentosa. Tudo de bom que uma mulher pode oferecer a Elizinha tem, de sobra.

NÃO FALTA OFERTA PARA DANÇARINAS DE PAGODE E POPOZUDAS EM GERAL


As dançarinas de pagode, as "mulheres-frutas" do "funk" e outras popozudas - mulheres que, cá para nós, não fazem o meu tipo (odeio mulher vulgar) - reclamam de falta de homem, porque vivem da ameaça de solidão etc., etc., etc..

Tem dançarina de pagode que até desmente estar namorando cantor de sucesso, ator, jogador de futebol, funkeiro, pitboy, lutador de jiu-jitsu, pastor evangélico e o escambau, e que, namoradeira na adolescência, jura que na vida adulta simplesmente só está dormindo com o ursinho de pelúcia que ela tem desde criança. Dá para acreditar?

Mulheres assim tão vulgares e com QI baixíssimo que nem trabalho em peça de teatro resolve, têm pretendentes, sim, é só terem paciência e ir fundo.

Duas boas opções para elas são os estádios de futebol e seus torcedores brutamontes, ou as bolsas de valores e seus executivos sisudos. Se elas esperarem que algum nerd saia da Faculdade direto para os braços delas, podem tirar o burrico do temporal porque nerd odeia mulher vulgar. Como todo homem que tenha cérebro exercendo atividades normalmente.

Ou elas vão para os estádios de futebol e pegam os homens grosseiros, ou então elas vão para a Bovespa pegar algum economista ou empresário. Ou então, algum coroa empresário ou profissional liberal nos bailes de gala. Fora isso, sem chance, é chorar na sarjeta (e não adianta mentir para as revistas de celebridades dizendo que são "solteiras e felizes").

sábado, 11 de abril de 2009

LACEY CHABERT


Está vendo essa menina adorável do seriado "O Quinteto", que foi produzido nos anos 90?

Pois essa menina tornou-se uma mulheraça estonteante e deliciosa. Vejam:

CENTROS POPULARES DE CULTURA DA UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (CPC-UNE)


Há uma injustiça em torno da reputação que os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC - UNE) tiveram do chamado "senso comum". Levando ao exagero os erros e equívocos cometidos, certas pessoas classificam a experiência como um "bando de pequenos burgueses frustrados querendo ensinar a 'sua' visão de cultura popular ao povo brasileiro".

Numa época em que o brega-popularesco - que é, de fato, a "cultura popular" estereotipada pelas elites, pra piorar investida não pela elite universitária, mas pelos latifundiários, grandes empresários regionais e políticos de direita - se deixa valer de supostos "preconceitos" para manter sua hegemonia sob a tutela da mídia gorda, os verdadeiros idealistas é que são as verdadeiras vítimas de preconceito.

Os CPC's da UNE podem ter sido um projeto romântico, utópico, mas tinha seus propósitos sólidos. Sua influência maior são as análises e os projetos debatidos e pensados no seio do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), uma entidade independente que surgiu reunindo pensadores de esquerda e de direita, mas que depois virou uma entidade de direita até ser destituída pela ditadura militar.

Entre os fundadores do Centro Popular de Cultura (a sede, daí o termo inicialmente em singular), estavam:
- O poeta concretista Ferreira Gullar - que os leigos podem conhecer como o letrista da versão de uma música de Juan Luiz Guerra gravada por Fagner sob o título "Borbulhas de Amor";
- O dramaturgo e ator Oduvaldo Vianna Filho (pelo nome, filho de um célebre ator de teatro). Conhecido como Vianinha, o dramaturgo, que morreu jovem em 1974, foi mentor do seriado A Grande Família, da Rede Globo, chegando a escrever episódios para a primeira versão da série, nos anos 70;
- O líder estudantil Carlos Estevam Martins;
- O cineasta Carlos Dieges, ou Cacá Diegues, um dos integrantes do Cinema Novo;
- O professor de violão e músico de Bossa Nova Carlos Lyra, ou Carlinhos Lyra, que descobriu a música de protesto no final dos anos 50 e, mesmo sem largar a BN, rompeu com o purismo amoroso de Ronaldo Bôscoli, um dos letristas do gênero.

Os CPC's tiveram adesão de várias pessoas e tinham uma visão idealista de resgatar a cultura popular de raiz, ao mesmo tempo em que incentivava ao povo a adotar uma postura política engajada. Como os membros que organizavam os centros tinham uma formação de universitários de classe média, era natural que ocorressem erros. Mas o grande triunfo dos CPC's foram a coragem de fazer alguma coisa, talvez se dessem tempo a essa iniciativa, os acertos futuros e sólidos pudessem vir. Mas não houve tempo: três anos após sua criação, o CPC encerrou suas atividades porque a UNE foi cassada pela ditadura militar. Para piorar as coisas, o Comando de Caça aos Comunistas incendiou a sede da UNE, em 1964. A UNE se limitou à atuação clandestina, depois do AI-2 que cassou a entidade.

ECOS DOS CPC'S

Com a redemocratização, os CPC's não voltaram. À inicial reeducação musical do povo brasileiro, a direita empurrou a música brega para o consumo coletivo. A música brega, que inicialmente usava a matéria-prima obsoleta de ritmos estrangeiros (quando eles estavam fora de moda), em paralelo ao uso de tecnologia obsoleta nos projetos "desenvolvimentistas" da ditadura militar, passou a desenvolver uma falsa brasilidade conforme exigiam os projetos regionais populistas, como os do baiano Antônio Carlos Magalhães, o verdadeiro pai da axé-music.

Com isso, o povo ganhou a falsa reputação de gostar de música medíocre. A atitude paternalista da intelectualidade burguesa, que era apenas um falso pretexto no caso dos CPC's da UNE, tornou-se uma realidade concreta do brega-popularesco, em que ídolos como Waldick Soriano, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e MC Leozinho são tratados com o maior chamego.

Com isso, apagou-se a idéia de que o povo gostava de música de qualidade. Em outros tempos, a favela ouvia gente muito boa como Cartola, Pixinguinha, Luís Gonzaga, João do Vale. Elza Soares, lançada no final dos anos 50 e gravando primeiro LP em 1960, tem muita informação musical. Coisa que os brega-popularescos de hoje não têm, apesar de conhecerem as diversas tendências musicais à distância, como leigos.

O que fez o povo pobre gostar de brega-popularesco foram as rádios controladas por empresários, políticos e fazendeiros que representavam o poder coronelista e que apoiaram a ditadura militar. Desviaram do povo a influência cepecista que pouco antes atuava em excursões ao longo do país com peças de teatro, apresentações musicais, exibição de filmes e venda de discos, revistas e outros artigos, a preços acessíveis.

O LEGADO CEPECISTA HOJE: ONG'S QUE EDUCAM O POVO POBRE

Felizmente, algumas organizações não-governamentais acabam por fazer, à sua maneira, a reeducação cultural do povo pobre, para evitar que ele seja manipulado pela criminalidade ou pelo poderio dos "coronéis" que dominam a zona rural e os subúrbios e fazem o tráfico de influência até em cidades como São Paulo.

São poucas essas ONG's e certamente não financiadas por ícones popularescos - lamentavelmente, por um acesso de presunção, a Banda Calypso tentou se inscrever para o Nobel da Paz, como se "grife de sucesso" fosse justificativa para premiar uma ação filantrópica - , porque os ícones popularescos certamente vão ensinar tudo errado para a criançada.

As ONG's mais sérias, que pouco se preocupam em aparecer no Criança Esperança (se divulgar, ótimo, mas se não, é tocar pra frente mesmo assim) ou ganhar o Nobel da Paz, se preocupam com os verdadeiros ganhos sociais. No âmbito musical, se ensinam música clássica e música popular autêntica, de raiz, com muita coisa se perdido da memória popular. Ensinam também coisas como Jacob do Bandolim, Baden-Powell, Ernesto Nazareth, ensinam de chorinho à moda-de-viola autêntica (não confundir com as "releituras" de Bee Gees que se vendem como "sertanejo"), da Bossa Nova ao mangue-beat.

Certamente os alunos dessas escolas de música ouvem o brega-popularesco de nomes como Exaltasamba, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Banda Calypso e todo o "funk carioca". Mas com o aprendizado, essas crianças, no decorrer do tempo, vão fazer comparações e ver que o brega-popularesco que o rádio toca não é tão bom assim quanto se diz, e que a música popular autêntica fará a diferença. Como sempre faz diferença, numa análise atenta e, de fato, sem preconceitos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

NO BREGA-POPULARESCO, CADA UM PUXA A BRASA PARA SUA SARDINHA


É compreensível a atitude de Eugênio Raggi quanto à defesa do sambrega, no Sudeste. No brega-popularesco, é comum que tendências dominantes em dadas regiões sejam defendidas em detrimento de outras que se permite falar mal. É aquela coisa de dizer que "a prata da casa não é brega, brega são os outros!".

No Sudeste, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, costuma-se defender o sambrega, como se o samba nunca tivesse sido diluído por oportunistas e que até o mais picareta dos sambregas é tido como "sambista sério", mesmo se limitando a imitar Lionel Richie botando pandeiro e cavaquinho em cima.

Em Minas Gerais, uns defendem também o sambrega, mas, no grosso, a defesa cai para o breganejo., por influência da vizinhança com o Centro-Oeste. Neste caso pode-se falar mal do sambrega, mas o breganejo é "sagrado", por mais que o mais picareta dos breganejos se limite a imitar Bee Gees botando violão e acordeão em cima.

Na Bahia, defende-se a axé-music e seus subprodutos (pagodão e arrocha). No resto do Nordeste, por influência da Região Norte, se defende o forró-brega. No Sul, defende-se o brega "de raiz" (Waldick Soriano, Odair José), por influência de São Paulo. Também se defende o "funk carioca", por influência de São Paulo, que "nacionalizou" o ritmo carioca, embora o "pancadão", como sabemos, se propagou com a "pequena ajuda" das Organizações Globo.

E assim se forja uma pseudo-diversidade que na prática não existe. Porque tudo isso não passa de uma música brega com seus diversos aparatos para todo tipo de freguesia. E nada disso vai acrescentar coisa alguma à cultura brasileira. Nada mesmo.

O QUE É A FALTA DE DISCERNIMENTO, ATÉ QUANDO SE TENTA DISCERNIR


Em 2007, eu tive uma polêmica com um sujeito chamado Eugênio Raggi, no fórum sobre Samba & Choro, em que eu participei entre 2006 e 2008.

Eu escrevi um texto criticando os diluidores do samba brasileiro, como Alexandre Pires, Exaltasamba e outros, e surgiu um cara para me espinafrar. Quando citei, por exemplo, que Alexandre Pires e Belo são produtos de mídia, Raggi, de uma forma bem arrogante, tentou desmentir.

Tentei ver no Google o nome Eugênio Raggi e os resultados deram ora num rapaz que mora em Belo Horizonte, ora num pensador católico. Mas prestando atenção à pesquisa, descobri que se trata de um professor de Belo Horizonte, Eugênio Arantes Raggi, que aparece como figurinha fácil em várias mensagens em fóruns na Internet. Além dos tópicos que o tal do Raggi escreveu no fórum Samba & Choro.

Mas pouco importa aqui quem é esse tal de Raggi. Sabe-se que é reacionário, arrogante e esquentadinho. A julgar pelo comportamento que ele adota no fórum Samba & Choro, ele parece ser um cruzamento entre Diogo Mainardi e Hermano Vianna. Ele diz não gostar de "funk carioca" e a dita "música sertaneja", e ele falou mal do cantor Daniel, aquele breganejo sem hit próprio que agora tenta ser ator. Mas abre defesa a nomes como Belo e Alexandre Pires, que ele não acredita serem mitos trabalhados pela mídia mais-do-que-gorda.

Pois, se observarmos bem, falar mal de Daniel e não de Alexandre Pires ou Belo é odiar o número seis e preferir o número meia-dúzia. Ou então é odiar abóbora e adorar jerimum.

Alexandre Pires, Exaltasamba, Belo e outros canastrões do samba fazem com este ritmo o que Daniel, Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano fazem com a música caipira. O ponto alto da canastrice - quando ela consegue enganar pessoas com algum senso de discernimento - está em ambos os casos, com o Grupo Revelação fazendo sambrega disfarçado de "samba autêntico" (devem ter contratado um arranjador da pesada) e a dupla Chitãozinho & Xororó vendendo uma falsa imagem de "grande dupla de moda de viola".

Para perceber o quanto o "discernimento" que Raggi faz entre o sambrega e o breganejo não faz sentido algum, é só perceber três casos em que os dois estilos de neo-brega se irmanam, explicitamente.

1. No CD / DVD de despedida de Alexandre Pires nos vocais do Só Pra Contrariar, uma das músicas incluídas foi "Solidão", composição de Zezé Di Camargo, que fazia músicas para Leandro & Leonardo, além da dupla que fazia com Welson, vulgo Luciano. Pois além de ser uma cover de um sucesso breganejo, a versão de Alexandre Pires contou com a participação de Leonardo (sim, o sobrevivente da dupla Leandro & Leonardo), e não é preciso dizer que os dois estiveram muito à vontade no dueto neobrega com arranjos pseudo-sofisticados.

2. A dupla breganeja Rick & Renner, num disco que revisita seus "grandes sucessos", há uma música em arranjo de sambrega.

3. Repetindo a dose feita com Leonardo, Alexandre Pires, no seu recente CD / DVD, chamou o breganejo Daniel (o mesmo Daniel sem sobrenome, ex-João Paulo & Daniel, o cantor sem hit próprio que agora virou ator) para um dueto e não é preciso dizer que foi um dueto de verdadeiros compadres, com os dois plenamente à vontade.

Mas é compreensível a atitude de Eugênio Raggi (ou será Ingênuo Raggi?) em rejeitar o seis do breganejo para ficar com o meia-dúzia do sambrega. Deve ser amigo de um figurão que trabalha numa emissora de TV aberta. Ou deve estar sonhando em ser jurado do Faustão, ou ao menos do Raul Gil.

terça-feira, 7 de abril de 2009

WILSON SIMONAL: A PERDA DE UM ÍDOLO INJUSTIÇADO

Este texto eu escrevi no meu zine, há cerca de nove anos atrás.


WILSON SIMONAL: A PERDA DE UM ÍDOLO INJUSTIÇADO


Alexandre Figueiredo – O Kylocyclo zine, número zero – 20 de agosto de 2000.


Os tempos eram outros. Nos anos 60 houve um ídolo popular de grande repercussão, um cantor autêntico de música brasileira, que cantava Bossa Nova, jazz e até tango com desenvoltura. Este ídolo, Wilson Simonal, foi tão popular quanto Roberto Carlos, e naquela época a música comercial popularesca que hoje domina as paradas se reduzia a um pálido cenário de cantores bregas.


Simonal iniciou sua carreira de cantor em 1956, quando prestava serviço militar. Começou fazendo Bossa Nova, mas ele não se encaixava rigorosamente no gênero porque seu estilo destoava da formalidade vocal do gênero. Descoberto em 1961 por Carlos Imperial, Simonal lançou seu primeiro LP em 1963 e apresentou o programa de TV “Wilson em Si Monal”, na TV Record. Neste programa ele criou até um boneco, o Mug, para agradar as crianças.


O estilo de Wilson Simonal, como cantor negro, se situa num parâmetro entre a formalidade de Agostinho dos Santos e a jovialidade “moleque” de Jair Rodrigues. Todos cantores prestigiados na MPB, embora Jair tenha tido uma fase lamentável, ao lado dos breganejos, a partir do dueto com Chitãozinho & Xororó em “Sua majestade o sabiá”, de Roberta Miranda.


Simonal tinha uma postura inspirada nos negros norte-americanos. Era explícita a influência da soul music na música de Wilson Simonal, bem como do jazz. Mas Simonal também não abria mão da “malandragem” carioca, que o ajudou nas incursões heterodoxas da Bossa Nova, no início da carreira. Ele até inventou um estilo, “pilantragem”, nome que não deve ser visto no sentido pejorativo, pois “pilantra” aparece aqui como sinônimo de “bom malandro” (“malandro” também é palavra muito usada pejorativamente). A “pilantragem” de Simonal era um estilo que misturava samba, Bossa Nova, soul music e jazz, que alçaram o cantor à estrondosa popularidade, seja através de canções próprias (como “Tributo à Martin Luther King”, feita com Ronaldo Bôscoli), ou por canções alheias, como “País Tropical”, de Jorge Ben (atual Benjor) e “Meu limão, meu limoeiro”, de Antônio Adolfo. Numa apresentação no Maracanazinho, em 1969, Simonal fez a platéia toda cantar o refrão de “Meu limão...”. Num de seus recursos vocais, Simonal, para descontrair a platéia, ao cantar “País Tropical”, suprimiu algumas sílabas: “Moro...num pa-tro-pi...”.


Simonal não se comprometia a causas políticas. Apenas não descartava a consciência política, tanto que fez “Tributo a MLK”, em homenagem ao célebre líder político dos EUA. A letra desta música, aliás, foi dedicada ao filho do cantor, Wilson Simonal Jr., o “Simoninha”, hoje também músico, a exemplo do outro filho do “Simona”, Max de Castro, que aprenderam muito com o universo musical do pai, do qual observavam quando pequenos.

Simonal foi o primeiro negro a gravar um comercial de TV, e foi para a filial brasileira da Shell, em 1969. Nesta época sua popularidade era enorme, seu prestígio idem. Até Tom Jobim se declarou seu fã e, em 1970, Simonal se sente à vontade cantando, de igual para igual, com Sarah Vaughan, a diva do jazz, que se divertia com o senso de humor do brasileiro. “Simona” tinha carro de luxo, mulheres e vaidade. Pena que a situação política brasileira não era das melhores e a popularidade do cantor acabou sendo confundida com o cenário político em que o país vivia. E que lhe aprontou uma armadilha terrível, em 1971. Simonal, ao voltar de uma bem sucedida turnê por todo o país, foi avisado de que um contador roubou seu dinheiro. Obviamente Simonal se irritou, mas os dois seguranças que lhe deram a notícia espalharam o boato de que o cantor, para se vingar, sequestrou e torturou o contador. Nada foi confirmado. Nesta época era comum seguranças de casas de espetáculos ou de artistas trabalharem no Estado, no caso o Departamento de Operação Política e Social (DOPS), órgão policial da ditadura.


Foi outro boato, no entanto, que acabou com a carreira de Simonal, que do sucesso estrondoso passou para o ostracismo humilhante, que o levou ao alcoolismo, à depressão e, recentemente, à morte em consequência desses males. Este boato, também lançado pelos seguranças, atribuía ao cantor a função de “dedo-duro”, de denunciar à ditadura o envolvimento de artistas e intelectuais com práticas consideradas subversivas. O boato foi reforçado pela campanha difamatória do cartunista Jaguar no Pasquim. Jaguar afirmou orgulho por ajudar a destruir a carreira de Simonal. Num momento lamentável do cartunista, ele recentemente afirmou que está velho para se arrepender de erros passados.


Nas três iniciativas de Simonal e seus familiares de reverter a péssima imagem, foram solicitados documentos que indiquem a suspeita sobre o músico, à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República em 1991 e ao Centro de Inteligência do Exército, em 1998. Nenhum deles comprovou o envolvimento de Simonal com a ditadura. Em janeiro de 1999, o então Secretário de Direitos Humanos do Governo Federal, José Gregori, mais tarde ministro da Justiça, assinou uma declaração reafirmando os dois pareceres anteriores.


Mas aí Simonal já havia se deprimido e virado alcoólatra. Em 04 de maio de 2000, foi internado por problema no fígado, no Hospital Sírio-Libanês (São Paulo). Em junho recebeu a visita insólita do cantor Geraldo Vandré. Conversaram muito e Vandré, delirando, planejava um dueto entre os dois e uma orquestra. Simonal e Vandré foram dois artistas peculiares e diferentes, que sofreram na ditadura, sendo que Vandré foi preso e torturado por causa da letra de “Para não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, que convida o povo para a ação política. Vandré hoje sofre problemas mentais e atualmente se preocupa em fazer estranhos tributos a Força Aérea Brasileira.


Simonal morreu em 25 de junho de 2000, com 62 anos. Nos anos 90 já havia lançado um álbum, Brasil (1994) pela Movieplay. Fazia algumas apresentações, tendo feito um concerto em 1998 no projeto “Pelourinho Dia e Noite”, em Salvador. Uma coletânea da série “Meus Momentos”, da Warner-EMI, foi lançada também em 98. Quando faleceu, seus familiares iriam promover um resgate artístico do cantor. Não houve tempo. Resta o consolo de que seus filhos Max e Simoninha seguem o legado do pai, apresentando o especial sobre o cantor transmitido em julho pela TV Cultura. No Vídeo Music Brasil, Simoninha apareceu fazendo um tributo a Wilson Simonal. Era não apenas um presente que Simoninha daria ao pai se vivo estivesse, mas também uma amostra para os mais jovens da música de um ícone esquecido da MPB, cuja vida se encerrou numa época em que os grandes ídolos não possuem um talento à altura da popularidade.

A OUTRA "DITABRANDA" DA FOLHA DE SÃO PAULO



Ninguém percebeu, mas a Folha de São Paulo, no dia 28 de março de 2008, despejou comentário comparável ao da "ditabranda" que despejou no editorial de 17 de fevereiro de 2009. Para comparar, vamos colocar os dois comentários sobre as duas "ditabrandas" defendidas pelo periódico paulista cada vez mais reacionário:

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente." ("Limites a Chavez". Editorial. Folha de São Paulo, 17 de fevereiro de 2009)
"Críticos anticarnaval, moralistas de plantão, guardiões da "qualidade" da música brasileira, horrorizai-vos: a axé music veio, mandou tirar os pés do chão e jogar as mãozinhas para o alto e venceu." ("Axé triunfa com artista 'fiel' e 'pegação'", de Marco Antônio Canônico. Folha de São Paulo, 28 de março de 2008)

Certamente os "líderes de opinião", cheios de (falsa) moral, irão perguntar para mim "E daí?". Felizes porque, para a chamada
"opinião pública" dominante, armadilhas da direita e da mídia gorda só existem no âmbito da política, no entretenimento funciona a lei do "peido na cara dos outros é perfume".

Pois as duas "diferentes" frases parecem escritas pela mesma pessoa, tal o nível agressivo e irônico, não fosse o autor Marco Antônio Canônico um repórter da sucursal baiana da Folha.

E por que ninguém percebeu a semelhança ideológica dos dois textos? Por que a axé-music teve um lobby tão fortíssimo que invadiu aparentemente os vários terrenos ideológicos, e os pseudo-esquerdistas, tão falados aqui neste blog, foram os que mais divulgavam a axé-music, só faltando vestir o cadáver de Che Guevara de abadá e bandana na cabeça, o que seria um ataque à figura manjada mas nem sempre devidamente compreendida que foi o guerrilheiro latino americano.

No texto da "ditabranda" propriamente dito, a Folha de São Paulo faz um ataque a Hugo Chavez, presidente venezuelano, controvertida figura de extrema-esquerda que tem lá seus erros, mas é cegamente trucidado pela mídia gorda e até pela mídia fofinha (atenção, "líderes de opinião"!!). No texto sobre a axé-music quem é atacado são pos intelectuais que reclamam pela música brasileira de qualidade e que são ridicularizados pelo establishment opinativo por serem supostamente "moralistas", porque não aceitam ver a MPB escravizada por um remexer de glúteos.

Em compensação, os dois textos também têm seus pólos de defesa. No texto "Limites a Chavez", a defesa está nos regimes neoliberais, a ponto de classificar a ditadura militar como "muito branda", daí o neologismo "ditabranda". No texto "Axé triunfa com artista 'fiel' e 'pegação'", a defesa vai para a axé-music, esse ritmo pretensioso, imperialista, concentrador de poder, musicalmente frouxo e de valores artístico e cultural duvidosos, mas que é tutelado pela mídia gorda como se fosse a "música-síntese da humanidade planetária" (alguém conta esta lorota para outro, que aqui não colou).

E, pasmem os leigos, vibrem os melhor informados, a axé-music e a ditadura militar possuem um elo de ligação, e isso não é tese conspiratória, é fato histórico devidamente documentado e comprovado. A ligação foi o falecido senador e ex-governador da Bahia ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES.



AXÉ-MUSIC SURGIU COMO PROJETO CARLISTA

Como governador da Bahia, ainda durante a ditadura militar, Antônio Carlos Magalhães promoveu um governo populista de direita, seja como forma de evitar as tensões sociais no Estado, seja para impor uma ideologia conservadora e conformista para o povo baiano. Para incrementar o projeto ideológico, Magalhães encomendou a publicitários, técnicos, tecnocratas, assessores e outros para desenvolverem um ideal estereotipado de baianidade que ao mesmo tempo transforme Salvador num "Caribe brasileiro" e crie um modelo de "sociedade baiana" a ser considerado "padrão".

Para isso, tinha que se mexer no turismo, se aliando à Rede Globo, que brindou o governador com a novela Gabriela, baseada na obra de Jorge Amado. E, nos bastidores, se começava a pensar em substituir aquele cenário de carnaval baiano que alternava blocos afro, então recém-surgidos, com bandas de trio que misturavam frevo, chorinho e rock e tinham até guitar heros, como Armando Macedo (Armandinho), filho de Osmar Macedo (um dos fundadores do primeiro trio elétrico, a fobica, lançado em 1950) e Pepeu Gomes.

A estereotipação, dotada de um visual supostamente "baiano" - na verdade uma mistura caótica de referenciais jamaicanos, havaianos, africanos, hippies e surfistas diluída com um apelo explicitamente brega - , diluía seu som para um padrão "digestível" que normalmente é um frevo caricato com elementos deturpados de reggae, rock e clichês tropicalistas, acrescidos de um marketing que foi claramente herdado da Jovem Guarda.

Essa diluição veio nos anos 80. Não precisamos dizer todos os nomes da axé-music (termo originalmente lançado, de forma pejorativa, pelo crítico musical baiano Hagamenon Brito, que escrevia também para a Bizz), mas a história é que muito do inicial sucesso da axé-music foi claramente motivado pelos financiamentos autorizados por Antônio Carlos Magalhães, e pelo apoio político que ele e seus aliados deram para os axezeiros. Isso fez com que os empresários de axé-music, donos de blocos e grupos musicais (sim, existe o fenômeno dos grupos "com donos", liderados não por seus vocalistas-fetiches, mas por seus empresários), se enriquecessem de forma assustadora, não bastasse eles cobrarem muito caro para os associados de blocos ingressarem no Carnaval. Além de tudo isso, a axé-music também virou símbolo da juventude rica de Salvador e de qualquer lugar onde houver uma micareta.

Só para entender melhor o crescimento da axé-music no Brasil, ele foi impulsionado pelos seguintes episódios:

- A influência política de Antônio Carlos Magalhães na distribuição de rádios FM para políticos e empresários simpatizantes, o que influiu anos depois na hegemonia do brega-popularesco em todo o território nacional, nele inclusa a axé-music.

- O aumento do poder político de ACM na Bahia foi impulsionado, no entretenimento, com a ajuda da axé-music.

- A aliança de ACM e o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, reciclou a "ditabranda" da axé-music em todo o território nacional, atingindo áreas antes hostis a este gênero, como os Estados do Sul e o Rio de Janeiro.

Mesmo com todas essas evidências, houve quem tolamente propusesse comemorar o suposto "fim do carlismo" com axé-music. Pior é o caso que contaremos abaixo:

PSEUDO-ESQUERDISTA E AXÉ-MUSIC

Estava eu e meu irmão andando no Iguatemi, em Salvador, quando, nas nossas habituais conversas questionando o brega-popularesco, eu falei que era pura ilusão alguém pensar que a axé-music vai trazer o socialismo para a Bahia. Perto de nós andava, em sentido contrário, um desses playboys com pinta de surfista mas com o cabelo castanho, sem parafina, que, ao ouvir o meu comentário, fez ar de esnobe, como se ele acreditasse que a axé-music iria trazer o socialismo para os baianos.

Mas, não se enganem, há pseudo-esquerdistas que capricham tanto no fingimento que eles passam a acreditar que são "esquerdistas", mesmo defendendo valores plenamente de direita (é só bater um papo com ele e ele vai dizer todos os valores neoliberais que acredita, mesmo sem assumir no discurso).

Daqui a 20 anos, provavelmente esse playboy deve fazer parte da equipe de assessoria de ACM Neto.