quarta-feira, 11 de março de 2009

SÉRIE "10 COISAS QUE FARIAM O JOVEM DE HOJE MELHOR INFORMADO":



Essa é para quem, nascido de 1978 em diante, perdeu boa parte do trem da história e se criou dentro de um mundo tecnologicamente arrumadinho e mediaticamente domesticado. Para aqueles que pensam que tudo que é passado corresponde aos "anos 80", até mesmo cerâmica indígena do século XVI. A temática hoje é cinema.

Você tem mais chances de ser BEM INFORMADO se:

1. Vê uma foto da atriz francesa Brigitte Bardot, no auge da carreira, não lhe vem na mente a idéia de que ela é sósia da Pamela Anderson.

2. Entende que Marilyn Monroe não é um personagem de desenho animado do nível do Mickey Mouse.

3. Por mais que seja fã de Steven Spielberg, nunca lhe passaria pela cabeça considerar seu cinema como "de arte", mesmo os seus melhores trabalhos, reconhecendo que seu cinema, quando muito, é apenas um cinema comercial bem feito.

4. Considera que um bom filme de temática social de verdade não depende do maniqueísmo invertido de gosto duvidoso em que policiais são vilões e traficantes ou presidiários são heróis.

5. Não vê o filme Os Embalos de Sábado à Noite como um filme revolucionário e cult.

6. Da mesma forma, não leva a sério a abordagem dos anos 50 pelo filme Grease e dos anos 60 pelo filme Hair. Esses filmes são apenas duas interpretações fantasiosas sobre essas duas épocas da juventude.

7. Ao conhecer o mito James Dean, não ficar com a mania de sempre comparar sua rebeldia com a do cantor grunge Kurt Cobain.

8. Não considerar que os cineastas comerciais da Conspiração Filmes e Globo Filmes são herdeiros do Cinema Novo. Não é preciso lembrar que, em agosto de 2002, o filho de Glauber Rocha, Erik Rocha, comprou briga com esses cineastas por causa do pouco compromisso deles com o engajamento social do qual se tornou famoso o movimento de cineastas brasileiros dos anos 60.

9. Deixar de ser traído pelo subjetivismo saudosista não caindo na tentação de achar que até os piores filmes de Xuxa e dos Trapalhões são "cinema de arte".

10. Ver que, no cinema europeu, não existe só Amelie Poulain e que antes desse filme o cinema já passou por experiências audaciosas como a nouvelle vague francesa e o neorealismo italiano. Achar que Amelie Poulain é tudo que pode se ver de cinema europeu é de uma pobreza ímpar; nada contra o filme, que tem lá seu valor, mas limitar-se a ele soa preguiçoso, assim como limitar a literatura brasileira a Estação Carandiru e similares.

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