terça-feira, 17 de março de 2009

O direitista enrustido - poucos realmente entenderam a coisa


Os "líderes de opinião" espalharam na Internet um texto inspirado em artigo da Carta Capital falando sobre o direitista enrustido. Baseado no texto "Direita, Eu", de Leandro Fortes (jornalista da Carta Capital), o texto parece relativamente parado no tempo, porque tudo que se fala do tal "direitista" parece remeter aos tempos do governo FHC.

Em resumo, o texto parece classificar de "direitista enrustido" os colunistas da revista Veja, como se eles não assumissem o perfil direitista ou como se o perfil direitista deles fosse mais sutil.

Grande engano.

O perfil desses direitistas - como André Petry, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e o falecido Tales Alvarenga, alvos do referido texto - é até dos mais explícitos. Os "líderes de opinião" foram para a boate da hora tomar uma rodada de cerveja, sem perceber o equívoco que criaram.

Vamos ao dicionário Houaiss, um dos mais sérios do país. Sobre o termo "enrustido", ele diz: "escondido", "que não se expõe", "que não assume".

Lendo os textos de Diogo Mainardi, André Petry e cia., sabemos muito bem que eles se assumem mesmo de "direita". E o clube dos direitistas explícitos está cada vez mais animado, com a adesão explícita da turma da Folha de São Paulo, que chamou a ditadura militar de "ditabranda".

O clube também ganhou a adesão da turma da CBN, rede de rádio que só é "esquerdista" na imaginação dos bitolados leitores de colunas de rádio na Internet e pelos próprios colunistas chapa-branca do rádio ("chapa-branca" ainda é com hífen? ô reforma ortográfica complicada...).

Pior é que não se trata da facção "global" (de Rede Globo) da CBN, como Míriam Leitão, Arnaldo Jabor e outros, mas da facção "independente", sobretudo influenciada pela TV Cultura (onde o âncora da CBN, Heródoto Barbeiro, também trabalha). Sim, Heródoto, Roberto Nonato, Milton Jung e outros, sobretudo Carlos Alberto Sardenberg, todos seguindo a cartilha do "bom liberalismo". Sardenberg escreveu até no seu livro Neoliberal, não - Liberal (Ed. Globo, 2008) que sente falta de uma "boa direita". A própria conduta da CBN já caminha para a direita, conforme várias denúncias de textos de Carta Capital e Caros Amigos.

No entanto, a direita enrustida não está com eles. A direita enrustida está na mídia mais "boazinha", que promete não atacar Karl Marx e Che Guevara nas reportagens, faz relativos elogios ao governo Lula e transforma as editorias culturais em reduto da intelectualidade de esquerda.

Talvez por essa parte branda da mídia de direita presentear a intelectualidade de esquerda com uma editoria quase toda para ela faz com que os "líderes de opinião" (que estabelecem um aparente meio-termo ideológico entre a Veja e a Caros Amigos) se calassem diante dos verdadeiros direitistas enrustidos.

Um exemplo de direitista enrustido é o empresário e dublê de radiojornalista baiano Mário Kertèsz, da Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia). É tão direitista quanto Diogo Mainardi, mas ele, que como ex-prefeito da capital baiana roubou Deus e o Diabo, é capaz de enganar a esquerda local, que quase se rendeu totalmente a ele. Ingênua, a intelectualidade de esquerda baiana nem se deu conta que foi tapeada pelo direitista enrustido Kertèsz, e muito menos percebeu que o empresário-radialista caminha cada vez mais para a direita, reatando recentemente com os herdeiros do carlismo, parando de fingir que gosta do PT e atacando a esquerda toda, até o PSTU. E, mesmo assim, a esquerda baiana se comporta como esposa violentada ou como marido corno-manso: "vai, vai, me trucida, me trai, me apunhala que eu gosto".

Outro exemplo foi a revista Isto É, tão festejada pelos "líderes de opinião" por eventuais reportagens investigativas que parecem comprometer a reputação de alguns figurões abusivamente corruptos. Pois a revista andou fazendo uma campanha subliminar para colocar Fernando Collor no Senado, e como o ex-presidente não só andava esquecido como tinha seus fãs-clubes em comunidades do Orkut e em blogs chapa-brancas, a campanha funcionou, reforçada até pela tropa de choque da "direita" do Orkut. Resultado: em 2006, Collor voltou a Brasília, e se não pelo Executivo, está agora no Legislativo, o que é pior ainda. E Collor entrou na vaga da esquerdista Heloísa Helena, que deixou o Senado, e Isto É, tida como "centro-esquerda", concretizou aquilo que para a redação de Veja é ainda um grande sonho.

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