domingo, 29 de março de 2009

MÍDIA GORDA E MÍDIA GORDINHA, MÍDIA DE DIREITA E MÍDIA "DIREITINHA"


Sabemos muito bem que existe a "mídia gorda", que é a parte da grande mídia abertamente reacionária. Globo, Veja, Estadão são os símbolos tradicionais dessa grande mídia.

Mas o que ninguém sabe é que, junto à "mídia gorda", há uma outra parte da grande mídia que parece "boazinha", que certos setores da chamada "opinião pública" - onde se enquadram os pretensos líderes de opinião - acreditam nada ter a ver com a mídia reacionária.

A mídia "gordinha", ou "direitinha", é aquela mídia tão conservadora quanto à mídia explicitamente de direita. No entanto, a mídia "gordinha" é mais profissional, não faz reacionarismo aberto e tenta transmitir a informação mais "honesta" possível. Às vezes acerta, quando desenvolve um jornalismo correto e eficiente, dando conta do recado. Mas mesmo assim, é bom tomar muito cuidado.

Havia gente que achava essa "mídia gordinha ou "mídia direitinha" muito fofa. Para eles, era a "mídia fofinha". Reportagens sobre cuidados domésticos aqui, showrnalismo light ali, alguma reportagem investigativa (às vezes com algum sensacionalismo, mas sem cair no escatologicamente violento), e, para variar, a pose de "Super-Homens" por parte de seus diretores de jornalismo ou de seus âncoras ou articulistas. O Super-Homem era um super-herói disfarçado de jornalista. Os jornalistas da "mídia gordinha" são jornalistas fantasiados de Super-Homem.

A "mídia fofinha" geralmente faz contraponto ao veículo dominante da "mídia gorda", ou melhor, "mídia obesa". Se a "mídia gorda" tem a Rede Globo, a "mídia gordinha" tem a Rede Bandeirantes. Se a "mídia gorda" tem a Veja, a "gordinha" vai logo com "Isto É".

O despreparo crítico dos "líderes de opinião" e sua pretensa sabedoria acaba não reconhecendo as armadilhas que a "mídia direitinha" cria para eles. Os "líderes de opinião", deslumbrados, vibram quando a "mídia direitinha" faz reportagens sobre Che Guevara e Karl Marx sem xingar os ditos-cujos, e, iludidos, pensam que essa mídia se trata de uma mídia de "centro-esquerda". Ah, e a "mídia gordinha" tem como hábito contratar intelectuais de fama contestatória nas redações. Assim, criam uma fachada jornalística de esquerda, para manter as aparências.

Eles dormem tranquilos porque essa mídia lhes brinda não de editoriais mal-humorados e reacionários, mas com reportagens investigativas banais (nada que derrube a escória corrupta que está no poder), ou então aquelas reportagens típicas do showrnalismo light, como uma senhora inglesa que criou um salão de beleza só para seu cãozinho poodle ou sobre quem trabalha melhor em borracharias, se os homens ou as mulheres, reportagens que tipicamente a Bandeirantes e Band News servem de sobremesa para a platéia.

Só que, de repente, a "mídia gordinha" faz aumentar alguns quilos de direitismo e o "líder de opinião" (que no fundo é um ingênuo que quer agradar a platéia de Veja e de Caros Amigos ao mesmo tempo) leva então um grande choque. Foi assim com a Folha de São Paulo e a CBN, que nos últimos anos elevaram o grau de direitismo que os "líderes de opinião" e seu fã-clube não esperavam.

A CBN, apesar de ser das Organizações Globo, antigamente tinha aquela fama de "ovelha-negra" da Globo, afinal tinha o pessoal da TV Cultura etc.. Mas o reacionarismo surpreendeu porque não vem somente de gente ligada à Rede Globo, como Miriam Leitão, mas também de gente como Heródoto Barbeiro, Roberto Nonato e Carlos Alberto Sardenberg. Aliás Sardenberg escreveu um livro, Neoliberal, não, Liberal (Ed. Globo), que os jornalistas de Veja sonham tanto escrever mas que seu estilo raivoso não consegue sair dos rascunhos. Sardenberg faz o mesmo jogo de Veja, só que com um discurso mais "racional", algo como um Diogo Mainardi mais maduro.

A Folha de São Paulo, então, era o símbolo-maior da "mídia gordinha". Ela sempre foi conservadora desde que não era uma, mas três folhas (sabemos que a Folha de São Paulo surgiu como uma fusão de três antigos jornais da família Frias). Mas nos anos 80 se passou por "progressista", com todos os clichês da "mídia fofinha". A Folha acabou ganhando fama de "jornal de centro-esquerda", até que o encanto se quebrou nos últimos anos, quando o jornal dos Frias passou a atacar Lula e, nos últimos tempos, aumentar a dose de reacionarismo, criando o neologismo "ditabranda" para diminuir a culpa histórica dos generais que promoveram a ditadura civil-militar de 1964-1985. Tal atitude foi um choque, e creio que até o pessoal de Veja ficou surpreso com a tal da "ditabranda", porque é uma idéia que os vejistas não haviam imaginado.

A própria Veja também tinha outra história. Era um jornal de centro com jornalistas de centro e de esquerda, quando surgiu. Nos anos 70, porém, começou a esboçar uma postura conservadora que se tornou clara logo no início dos anos 80, e foi para o extremo da década seguinte em diante.

No circo da "mídia gordinha", às vezes, dependendo do enfoque, até as Organizações Globo ganham jeitão de "boazinhas". Como na música brega-popularesca. A "mídia gorda" atacando os Sem-Terra, os índios, os operários, etc., são um pesadelo, mas quando a mesma mídia exalta a mediocridade musical brasileira (como Alexandre Pires e o breganejo Daniel, por exemplo, sem falar do "funk carioca"), até a "esquerda boca-torta" cai em louvores, pois aí a "vontade popular" é que interessa (ignoram que essa "vontade popular" é induzida pela mesma "mídia gorda").

No páreo do reacionarismo, vemos também a corporação sulista Rede Brasil Sul (que faz parcerias com as Organizações Globo na Região Sul), que só é "mídia boazinha" para a imaginação míope dos colunistas de rádio (que também vem um suposto esquerdismo na Rede CBN). Também tem a Rádio Metrópole, de Salvador (BA), cujo termômetro direitista vem subindo a graus elevados, mas os "líderes de opinião" de lá, cornos-mansos, ainda vêm no Mário Kertèsz um "figurão de esquerda", ignorando sua trajetória histórica de direitista radical, machista, pseudo-jornalista e pseudo-radialista, político corrupto e tudo de ruim a mais.

Certamente haverá mais desilusão e choque para a patota que ainda aposta na "mídia gordinha" como se fosse a antítese da "mídia gorda". Até que o próximo veículo de "mídia direitinha" perca a pose e passe a ser direitona no sentido reacionário do termo.

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