terça-feira, 24 de março de 2009

A INGENUIDADE DE ANDRÉ MIDANI


André Midani não costuma gostar muito do som explicitamente brega, mas mesmo assim caiu numa das primeiras pegadinhas relacionadas à música cafona.

Trabalhando na gravadora Odeon (atual EMI), Midani foi apresentado pelo empresário Abraham Medina (da loja O Rei do Som e pai dos empresários Rubem e Roberto, este do Rock In Rio) ao cantor Orlando Dias, um dos primeiros ídolos cafonas, já no finalzinho dos anos 1950.

Orlando Dias - não confundir com o grandioso cantor Orlando Silva, o Cantor das Multidões - , famoso pelo sucesso "Tenho cíume de tudo", era protegido de Abraham Medina e havia contado uma história por demais dramática. Dias afirma ter perdido vários irmãos e, tendo uma namorada, ela estava grávida e perdeu o filho, e depois ela morreu depois com problemas de pós-parto, e alega Dias que ela reapareceu no seu sonho dizendo que ela pararia de perturbá-lo se ele virasse cantor.

Foi Dias gravar um disco e então fez um estrondoso sucesso já nos idos do ano de 1960. Aparentemente nenhum executivo da Odeon fez alguma promoção ou divulgação, e André Midani achou que o sucesso de Orlando Dias foi extremamente espontâneo. Mas tamanha foi a ingenuidade de Midani, porque ele não percebeu que com um pistolão como Abraham Medina, a última forma que Orlando Dias faria sucesso estrondoso era de maneira espontânea e sem divulgação. Certamente Abraham Medina arrumou outros meios de divulgação. Tal qual as oligarquias de Caetité (Bahia) deram seu aval para a divulgação de Waldick Soriano, na mesma época.

Vale lembrar que a música cafona, de tão ridícula, já depende de um empurrão dos "coronéis" e oligarcas da vida hoje em dia, imagine numa época em que o povão tinha acesso à MPB de qualidade...

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