quarta-feira, 25 de março de 2009

A INGENUIDADE DA REDAÇÃO DO PASQUIM


Outra ingenuidade envolvendo a música brega proveio da redação do histórico semanário O Pasquim. O periódico tem suas inegáveis virtudes, mas ninguém dali era santo e alguns articulistas eram até dotados de uma formação machista.

Uma das ingenuidades foi creditar o sucesso do ídolo cafona Waldick Soriano como se fosse um "cantor popular de verdade", tentando creditar o grotesco como se fosse "vanguarda".

Nos úlitmos anos, e principalmente depois da morte de Waldick, a mídia gorda tentava vendê-lo como se fosse "vanguarda", e um poderoso lobby de historiadores, celebridades, jornalistas e artistas tentou defender a obra de Waldick Soriano, na vã e inútil tentativa de colocá-lo lado a lado com Antônio Carlos Jobim.



Quando publicou um texto sobre Waldick Soriano, em 1972, o Pasquim tentou creditar seu sucesso à "humilde" iniciativa dos serviços de alto-falantes da cidade de Caetité (Bahia), como se isso fosse mídia pequena, até mais nanica do que foi o Pasquim.

Só que, em cidades do interior, até os serviços de alto-falantes são financiados por comerciantes relativamente ricos para a região, certamente mais pobres do que um "bacanão" engravatado de São Paulo capital, mas ricos o suficiente para deterem o poder na cidade onde se situam. Mas há muitos que, ingenuamente, pensam que se trata de mídia microscópica, financiada por trabalhadores rurais ou, quando muito, apoiadas por marxistas, leninistas, trotskistas, guevaristas, zapatistas, chavistas, Ligas Camponesas, MST e o escambau.

Não é porque Waldick faleceu que não podemos menosprezar sua mediocridade musical. Como cantor, foi muito caricato. Queria soar operístico sem ter voz para tal, fazia pseudo-boleros tão fracos e ruins de doer e as letras eram de um sentimentalismo piegas que faria os ultra-românticos do século XIX (bodes expiatórios de toda a temática brega brasileira) torcerem o nariz. Pouco depois da morte dele, uma livraria de Salvador, a Saraiva (Salvador Shopping), tocou um DVD do Waldick e, com todo o respeito com o que ele sofreu antes da carreira musical, seu repertório é simplesmente um lixo.

Mas, infelizmente, no Brasil politicamente correto em que vivemos, essa avaliação minha sobre a música do Waldick soa como um julgamento fascista e preconceituoso. É triste, porque eu teria que louvar toda a mediocridade e todo o lixo que se produz no Brasil, em nome de palavras bonitas como "inclusão social", "fim dos preconceitos", "voz dos excluídos" etc.. E olha que, quando eu ando pelas ruas, o que eu mais ouço é música brega, dos pioneiros como Waldick a neo-bregas como Zezé Di Camargo, Alexandre Pires, Belo e Ivete Sangalo. Preconceituoso é que não sou mesmo, porque a ruindade musical eu tive a chance de comprovar com meus ouvidos e mentes.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

A capa pichada do "disco" de Tom Jobim, que aparece à direita do desenho (que você fez com o chapéu de caubói e os óculos Ray-Ban do Waldick Soriano) parece mais um disco de new wave dos anos 80. HAHAHAHAHAHAHAHAHA...