segunda-feira, 21 de abril de 2014

FECHAMOS O KYLOCYCLO.


Depois de cinco anos e pouco mais de 40 dias, O Kylocyclo fecha seu ciclo, ou melhor, seu kylocyclo, parando por aqui. O blogue que fez a diferença, há cinco anos, em relação à antiga mediocridade da blogosfera mais convencional, foi um dos que mudaram a linguagem dos blogues, com um conteúdo diferenciado e até controverso.

Nem todos gostavam de O Kylocyclo e não entendiam sequer o nome, que era inspirado numa antiga unidade de medição do rádio AM, o "kylocyclo". Hoje praticamente o rádio AM está em estado terminal, mas isso é uma outra história. E não foi esse motivo que fez o blogue parar por aqui.

Em virtude de muitos compromissos pessoais, estarei largando a blogosfera. Terei que cuidar de mim mesmo, criar um novo ciclo, encerrar este blogue que já era homônimo a um antigo zine que havia feito em 2000.

O que já foi produzido continua no ar, e quem se interessar que leia os textos que foram produzidos ao longo desses anos. Agradeço ao apoio de vocês, e que continuem lendo este blogue, que já não terá mais novas postagens.

A gente se vê por aí.

domingo, 20 de abril de 2014

EMMY ROSSUM É UM EXEMPLO DE MULHER


Emmy Rossum, atriz do seriado Shameless, sucesso da TV norte-americana já no fim de sua quarta temporada, é um exemplo de mulher. Culta, bem humorada, de beleza sofisticada e voz sexy de fala ágil, a atriz não faz o tipo festeira, dessas que são viciadas em noitadas, nem é daquele tipo que apronta escândalos.

Discreta, comunicativa e simples, Emmy Rossum é também uma cantora de um pop mais sofisticado, surpreendentemente talentosa para seus 28 anos, se compararmos que ela é cinco anos mais nova que Britney Spears e esta faz um pop mais comercial com voz robotizada e qualidade musical discutível.

Ávida leitora de livros, Emmy recentemente foi a um salão de beleza fazer as unhas lendo um livro do historiador e jornalista Robert Katz (!). Em seguida, Emmy estava lendo uma coletânea de contos de Roald Dahl, escritor conhecido pela obra A Fantástica Fábrica de Chocolate.

A gente fica indagando, no Brasil medíocre de hoje, sobreo sentido de garotas ficarem se "achando" por não terem que ler livros, ou então outras que, quando os leem, é por pura obrigação ou então por inclinação a obras consideradas best sellers, não raro de qualidade muito duvidosa e às vezes de temáticas supérfluas para merecerem qualquer leitura.

Sonhamos com Emmy Rossum, com sua beleza deslumbrante, sua formosura, sua sensualidade, sua desenvoltura admirável, sua simpatia, seu talento, sua inteligência, seu jeito de ser, próprio, atraente, sedutor e apaixonante. Quem dera se as brasileiras fossem como Emmy Rossum.

sábado, 19 de abril de 2014

SMITHS COMEMORAM 30 ANOS DE DOIS LPS


Há trinta anos, uma banda chamou bastante a atenção quando ouvia pelas ondas da Rádio Fluminense FM, de Niterói. A música era "This Charming Man", e não era exatamente a gravação original, mas a versão remix, intitulada New York Mix, apesar de ter sido feita pelo francês François Kevorkian.

Nem tinha ideia do grupo nem de seu cantor, Morrissey, cujas informações só comecei a obter em 1985. Mas também não era a primeira vez que ouvi algo dos Smiths, porque em 1983 já ouvia "How Soon is Now?" pela Melodia FM, só que quase passou despercebido.

Há trinta anos, os Smiths lançaram dois álbuns, sendo o primeiro de estúdio, apenas intitulado The Smiths, que descobri que originalmente não incluiu a faixa "This Charming Man" e que na verdade é uma regravação corrigida do repertório que chegou a ser gravado com Troy Tate (ex-Teardrop Explodes, outro grupo tocado pela Flu FM), mas depois teve que ser todo gravado novamente sob a produção de John Porter.

Outro disco é uma coletânea, que incluiu alguns primeiros compactos - como "How Soon is Now?" e "Hand in Glove" - e sessões de programas da BBC Radio One, de Londres, intitulada Hatful of Hollow. No entanto, a força das músicas e o fato de várias serem inéditas em LP, pelo menos nas versões aí lançadas, que a coletânea praticamente tem status de disco oficial.

Mal sabia que os Smiths, banda da cidade industrial de Manchester, Inglaterra, se tornaria uma das mais importantes da década de 1980 e o quanto as composições de Johnny Marr, guitarrista, que fazia as melodias, e Morrissey, o cantor, que fazia as letras, marcaram bastante minha vida.

Se a música brasileira não falava sobre coisas de minha vida - e muito menos o brega naquela época, como o brega-popularesco de hoje nada diz para mim - , os Smiths falavam. Quantas coisas que Morrissey escreveu pareciam se relacionar com minha vida, como a ilusão das noitadas, advertida por ele em "How Soon is Now?".

Imagine alguém cantar sobre a desilusão de alguém que imaginava que iria encontrar seu grande amor numa casa noturna, e quando vai lá fica sozinho, e volta para casa igualmente só, chorando e querendo se matar. Não há como fazer uma música dessas numa axé-music ou "sertanejo universitário", por exemplo.

Foram uns quatro anos de músicas brilhantes, uma atrás da outra. Que eu conhecia nas ondas da Fluminense FM. Os Smiths acabaram em 1987, depois de uma pequena coleção de LPs de excelente qualidade. Deixam muitas saudades, mas não sei como ficaria a banda hoje se voltasse. Em todo caso, Morrissey e Johnny Marr solo estão excelentes, e já possuem um público cativo, que inclui muita gente que não vivenciou os tempos dos Smiths.

Pena que, em tempos medíocres de hoje, os Smiths são subestimados no Brasil. Até um DJ resolveu avacalhar o grupo juntando a voz de Morrissey com o som de "pagodão baiano". Muito triste. Afinal, os Smiths me consolaram em meus momentos de muita tristeza, e me ensinaram a repudiar esse mundo idiotizado que o "pagodão baiano" e o "funk" representam com fidelidade.

Obrigado, Morrissey e Johnny Marr pelas belas composições. E obrigado Andy Rourke, Mike Joyce e Craig Gannon pela contribuição instrumental nesta banda que fez História.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O 'MARKETING' OPORTUNISTA E ATÉ CHATO DO "FUNK"

TEQUILEIRAS DO FUNK E OS CURADORES DE UMA EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE ARTE DO RIO DE JANEIRO.

Oportunista, marqueteiro e até chato. O "funk" é só apelação e autopromoção, mas conta com um lobby de intelectuais e ativistas tão grande que até assusta. Isso, sem dúvida alguma, não irá dar ao "funk" a verdadeira reputação de cultura de verdade, embora faça o ritmo ampliar suas reservas de mercado.

Depois do "mico" do professor Antônio Kubitschek, que todo feliz da vida achou que derrotaria os "urubus da mídia" - quando apenas ofereceu subsídios para a demagogia "social" dessa patota reacionária - , agora é o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), que, de maneira surreal, usa o "funk" para "ilustrar" uma exposição sobre Josephine Baker.

O tema da exposição é Josephine Baker e Le Corbusier no Rio - Um Caso Transatlântico, que ocorre no museu situado na Zona Portuária, defronte ao antigo porto da Praça Mauá (prestes a ser revitalizado), referente à cantora, dançarina e atriz de jazz e o famoso arquiteto suíço-francês que participou da elaboração do Palácio Gustavo Capanema, a alguns metros dali.

O grande problema é que os curadores do evento, metidos a "engraçadinhos" - como nosso conhecido professor Antônio Kubitschek - , resolveram escolher um grupo de funqueiras, as Tequileiras do Funk, do tenebroso sucesso "Surra de Bunda", para abrir a exposição. Vejam só a "pérola" da explicação dos tranquilos curadores, o colombiano Carlos Maria Romero:

"Em sua época, Josephine subverteu questões ao lidar com o jeito que percebemos gêneros, orientação sexual, classe e especificamente raça. O convite às Tequileiras para o evento de abertura ocorreu porque, no contexto brasileiro atual, vemos um espírito similar na manifestação delas".

Então tá. Como se os contextos da época antiga fossem iguais aos de agora. Mas não são. Naqueles tempos o moralismo era muito mais rígido. O "funk" é rejeitado por pessoas moralmente mais abertas, mas que não podem aceitar o grotesco. Não há liberdade absoluta, porque na complexidade da vida humana, a liberdade de uns termina quando começa a dos outros.

Coerente foi uma participante, da página do MAR no Facebook, que disse que, se quisesse ver uma coisa dessas, iria a um "baile funk". Que interesse tem o "funk" de ampliar seus espaços? Ele tem os dele. Nada de invadir espaços de artes plásticas, sobretudo intervindo num tema que envolve o moderno Le Corbusier, o mestre do mestre Oscar Niemeyer.

Não. O "funk" não é cultura, não é arte, não é moderno. E não pode se achar na liberdade de "provocar" assim a toda hora - mal deu uma semana que houve o caso da "pensadora Popozuda" - , porque a liberdade absoluta não existe, o "funk" tem que respeitar quem não o aprecia e não pode ficar ampliando espaços nem mercados. O "funk" que fique com os que já lhe são seus.

O jornalista do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, citando o caso de um juiz norte-americano, nos falou a respeito da relativização da liberdade humana. O juiz comentou a respeito de um cinema lotado, sobre a possibilidade de alguém, de repente, simplesmente gritar "fogo" e a plateia sair correndo apavorada, criando um caos com consequências imprevisíveis e até trágicas.

Se a sociedade pede restrições a uma Rachel Sheherazade, que não pode sair por aí dizendo que um grupo de justiceiros agiu certo por espancar um jovem adolescente acusado de pequenos roubos, por que temos que aplaudir as "provocações" gratuitas do "funk"?

O "funk" não é moderno porque ele aposta no grotesco. Ele apenas tem um senso de marketing que o faz se travestir ora de "ativismo político", ora de "fenômeno fashion", sempre com a desculpa de que está "rompendo com os preconceitos sociais há muito tempo vigentes". Grande falácia.

Isso porque quem rejeita o "funk" conhece mais o seu som do que quem adora. Os que defendem e apoiam o "funk" só conhecem a polêmica, as histórias "tristes" de alguns de seus intérpretes, a fúria social contra os funqueiros. Música, mesmo, eles não ouvem.

Mas isso não importa: a maioria dos pró-funqueiros, para encarar os tenebrosos sucessos que anualmente são despejados pelo gênero, basta tomar uns copos de cerveja ou se entupir de "baseado". Isso os pró-funqueiros sabem fazer com muito prazer.

Por outro lado, o Brasil não tem tradição de ouvir música com atenção. Na boa, que os "moderninhos" de hoje se esperneiem em recusar o óbvio, mas a verdade é que Josephine Baker e Le Corbusier combinariam mais com Alaíde Costa (negra como Josephine Baker), Carlinhos Lyra e Roberto Menescal, por terem mais o estado de espírito da exposição, queiram ou não queiram os curadores.

Infelizmente, no entanto, as gerações atuais acham que a idiotização cultural é "mais divertida", "mais provocativa" e, portanto, "mais importante". Hoje virou moda esculhambarmos nossos mestres e gênios.

Pior, essa desordem toda parte de gente adulta, com nível universitário e até com pós-graduação, que mexe com arte e cultura e se julga dona do nosso futuro. É uma intelectualidade que se acha "bacana", mas tem um discurso "cabeça" chato até para peidos de mulheres-frutas.

Daí que esse discurso a favor do "funk" tornou-se extremamente chato, assim como suas "provocações" gratuitas. A intelectualidade "bacana" festeja feliz com a "bagunça", enquanto entrega, mesmo sem querer, a missão de "arrumar a casa" para gente como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade.

Daí o maniqueísmo sem muita diferença dos "liberais" e "conservadores" no contexto do "funk".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

PROF ANTÔNIO KUBITSCHEK NÃO DERROTOU OS "URUBUS DA MÍDIA". ELES É QUE O DERROTARAM


No episódio da "pensadora Valesca Popozuda", o professor de uma escola pública de Brasília, Antônio Kubitschek (sem relação com o falecido ex-presidente que ordenou a construção da cidade), tentou se sair melhor julgando que derrotou os "urubus da mídia", como são conhecidos os jornalistas e comentaristas mais reacionários.

O professor Antônio tentou justificar a gafe como uma atitude proposital de "provocação", como se chamar uma funqueira de "grande pensadora contemporânea" fosse dizer algo em prol da educação pública e da cultura popular. E, de fato, não diz.

Se o professor Antônio queria apavorar a sociedade elitista, oferecendo a "carniça" para ser "devorada" pelos "urubus da mídia", o tiro saiu pela culatra. Em vez de derrotá-los, os fortaleceu, na medida em que ofereceu subsídios para que eles reagissem com seu verniz de "conscientização social".

Nomes como Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade, só para citar os mais pretensiosos dessa leva "urubóloga" das corporações midiáticas, representam o pensamento obscurantista das elites, são a visão das classes dominantes, e portanto naturalmente desprovidas de qualquer consciência ou compromisso com as classes populares.

Mas com a complacência de uma outra intelectualidade, a que aposta na bregalização do país e adota matizes "progressistas" - embora sabemos que, por exemplo, nomes como Pedro Alexandre Sanches e até o mineiro Eugênio Arantes Raggi foram educados nos "porões" político-acadêmicos do PSDB - , à imbecilização cultural do "funk", os "urubus da mídia" saem fortalecidos e não enfraquecidos.

Vide as reações nas mídias sociais e nas mensagens públicas divulgadas na Internet, algumas até com orientação ideológica para a direita, nota-se que o episódio que Antônio Kubitschek narra como se fosse uma vitória sua, na verdade acabou sendo uma vitória àqueles que o professor quis combater ao chamar Valesca Popozuda de "pensadora".

Afinal, o professor fez com que pessoas comprometidas apenas com uma visão privatista de mercado, com um capitalismo doentio e obsessivo, passassem a fingir estarem a favor das classes populares, do ensino público e da qualidade de vida para as classes trabalhadoras.

Em outras palavras, Antônio Kubitschek fez os "urubus da mídia" forjarem uma "consciência social" que não têm. E se a classe "bacaninha" do professor Antônio, a mesma de Sanches, Raggi, Paulo César Araújo, Regina Casé e tantos outros, aposta na imbecilização cultural do brega-popularesco, a classe de Constantino e Sheherazade sonha com soluções paternalistas falsamente cidadãs.

São dois lados de uma mesma moeda, que nada contribuem com o verdadeiro progresso popular. Uns querem ver o povo "direitinho" e amestrado pelo capitalismo neoliberal. Outros querem ver o povo "domesticado" e amestrado por políticas estatais do PT. Em nenhum dos lados há a verdadeira consciência social.

A batalha em geral resultou num empate. Mas, no episódio da questão da prova do professor Antônio, ele acabou sendo derrotado pelos "urubus da mídia", que agora posam de "sabedores" de uma consciência popular que dificilmente entendem.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A FLU FM QUE TOCAVA ALTERNATIVOS EM 1986 NÃO SERIA PIOR DO QUE A RÁDIO CIDADE QUE SÓ TOCAVA 'HITS' EM 1996. MUITO PELO CONTRÁRIO


Oficialmente, a Rádio Fluminense FM teve sua fase áurea entre março de 1982, quando entrou no ar, e abril de 1985, quando seu diretor artístico Luiz Antônio Mello saiu da rádio. No entanto, o que poucas pessoas conseguem admitir é que a Fluminense, mesmo com seus erros, conseguiu manter sua qualidade até março de 1990, quando "descarrilou" de vez.

A memória curta de muitas pessoas, junto ao fato de que gerações recentes não vivenciaram muitas coisas importantes, além das distorções que a grande mídia faz da realidade em seus diversos aspectos, fazem com que a fase 1986-1990 da Fluminense FM seja injustiçada, pois é nela que várias pérolas alternativas foram tocadas sem que a maioria das pessoas se lembre.

Até pouco tempo atrás, houve até uma visão oficial de que uma Rádio Cidade metida a "rádio rock" era "melhor" que a Fluminense FM que, até suas homenagens de 2012 pelo projeto Maldita 3.0, havia ganho uma repercussão bastante negativa pelos erros cometidos entre 1991 e 1994.

Só que a Rádio Cidade, entre 1995 e 2006, e novamente desde março último, comete os mesmos erros que a Fluminense FM de 1991-1994 cometeu, até de forma bastante piorada. Só que a Cidade teve um departamento comercial forte o suficiente para "institucionalizar" seus erros e criar até um suposto "consenso" quanto à sua volta recente.

O vício que o público roqueiro de hoje tem de só valorizar o básico ignora que a cultura rock não vive só de "grandes sucessos" ou de "clássicos conhecidos" e mesmo o chamado "lado B" vai muito mais além daqueles semi-hits perdidos em algum playlist já descartado ou em faixas "difíceis" de algum LP menos conhecido.

Daí ignorar que a Fluminense FM tocou bandas alternativas que, se surgidas nos anos 60, estariam tranquilamente na coletânea de bandas de garagem Nuggets, que o guitarrista dos Wings (banda de Paul McCartney), Lennie Kaye, cuidadosamente produziu para a posteridade.

A Fluminense FM teve a ousadia de valorizar mais o repertório do Fellini e do Violeta de Outono do que uma 89 FM que rompeu com os independentes já em 1988. E tocou mais músicas do Camisa de Vênus do que a fake 96 FM, de Salvador, que havia empregado Marcelo Nova para apresentar um de seus programas.

Foi na fase 1986-1990 que a Fluminense FM radicalizou na divulgação dos independentes e alternativos, tocando bandas até hoje pouco conhecidas e sem qualquer promessa de lançamento no Brasil. E mergulhou fundo tocando também os alternativos que eram lançados no Brasil, seja pelas gravadoras "maiores", seja por selos como a Stiletto.

Nomes como Weather Prophets, Rose Of Avalanche, Big Dish (que recentemente lotou uma apresentação na Escócia) e Monochrome Set eram tocados diariamente na Fluminense FM, em qualquer hora do dia. Hoje acessíveis no You Tube, esses nomes eram irradiados constantemente nos 94,9 mhz de Niterói, numa façanha que nem a 89 FM, tão festejada na época, teria coragem de fazer.

Daí ser uma incoerência dizer, lá pelos anos 90 e até uns dez anos atrás, que a Fluminense FM de 1986 era pior que a Rádio Cidade de 1996. A Fluminense FM tinha coragem de tocar um Monochrome Set (grupo citado até no livro Mozipédia, disponível no mercado brasileiro, já que o cantor da banda é amigo de Morrissey), mesmo sem promessa de lançamento.

Já a Rádio Cidade de 1996, tão "elogiada" como rádio supostamente "alternativa" (menos, menos, rapaziada!!), não tinha coragem sequer para tocar Beck Hansen, mesmo com suas músicas tocadas o tempo todo na MTV da época, como "Loser" e "Devil's Haircut".

Pior: nesta época, a Rádio Cidade deu maior cobertura à tragédia dos Mamonas Assassinas do que do falecimento de Renato Russo, da Legião Urbana. A tragédia com Chico Science, então, foi passada quase despercebida, e só muito tardiamente a Cidade capitalizou em cima das mortes de Russo e Science, quando viu que poderia ter lucro e Ibope com elas.

Hoje a Rádio Cidade tenta avançar, mas mesmo assim de forma bastante tímida, castrada e sem a menor espontaneidade. Se a banda vem ao Brasil tocar num evento patrocinado por uma grande empresa de eventos, ótimo. Mas se ela vem ao Brasil para um evento gratuito de porte menor, nem com rezas.

A Rádio Cidade nada tem a ver com cultura alternativa nem com rock underground. Vamos cair na real.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

RÁDIO CIDADE NÃO TEM O SUCESSO ESPERADO

RÁDIO CIDADE ALIMENTA SUA PUBLICIDADE COM SINTONIAS COMBINADAS EM APARELHOS DE SOM DE LOJAS DE DEPARTAMENTOS.

Num contexto em que o rádio FM acompanha a queda de público da imprensa escrita e da TV aberta, a Rádio Cidade do Rio de Janeiro, a exemplo da 89 FM de São Paulo, obteve um sucesso abaixo das expectativas, depois que as duas retomaram o formato "pop-rock" eliminado em 2006.

A 89 FM tem até um desempenho expressivo em audiência, mas não na forma exagerada que os institutos de medição de audiência registram. Já a Rádio Cidade, por sua vez, é pouco ouvida nas ruas e se limita a ter sintonias em lojas de departamentos ou em academias de ginásticas.

O que chama a atenção também é que a receptividade das duas rádios para o público roqueiro também se torna baixíssima. A maior parte de sua audiência se deve a fãs de pop convencional que apreciam algum rock mais convencional - sobretudo Charlie Brown Jr., Guns N'Roses e Raimundos, além de outros como Linkin Park, Coldplay e Offspring - e considerado "acessível".

São ouvintes que estão muito mais interessados em ouvir piadas de locutor e ganhar ingressos para ver festivais de música. Mas não é um público que queira realmente ouvir um rock mais alternativo ou mais antigo, até porque começa a reagir esculhambando, nas mídias sociais, contra os verdadeiros nomes da História do Rock, de Beatles a Smiths.

RÁDIO CIDADE TENTA PRIORIZAR ALTERNATIVOS. EM VÃO

A Rádio Cidade, na carona de eventos como o Lollapalooza, tenta colocar como carro-chefe aquilo que seus produtores entendem como "rock alternativo". Além da abordagem ser bastante superficial, restrita às chamadas "canções de trabalho" ou aos "grandes sucessos", a emissora também não está tendo receptividade pelos alternativos, mas pelos chamados "descolados" (espécie de versão "domesticada" do público alternativo).

A exemplo da 89 FM, que ignorou a existência do Beady Eye - a banda que os integrantes do Oasis formaram depois da saída de Noel Gallagher - a Cidade também fez o mesmo. E também não deu a atenção devida, por exemplo, a Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths que trabalha uma consistente carreira solo, agora também como cantor. Marr fez muito sucesso no último Lollapalooza brasileiro.

Nas mídias sociais, o que mais se nota na página da Rádio Cidade é a ênfase nos eventos promocionais e nos locutores. Nada de "bandeira roqueira" levada a sério, embora sempre haja alguém com aquela postura "jaquetão" de se achar o "roqueirão radical" às custas de suas bandinhas preferidas.

Mas agora que tem a concorrência com a Kiss FM - ainda em fase experimental e com sérios problemas técnicos de sintonia - e a promessa da volta da "Maldita" através da Fluminense AM 540, a Rádio Cidade, mesmo com a volta do histórico nome, mais parece uma rádio perdida como foi nos últimos 30 anos. E não falamos da tal "Hora dos Perdidos".

Desde que a Rádio Cidade se ressentiu de não ter o mesmo carisma da Fluminense FM, ela persegue um perfil roqueiro sem ter a vocação natural para isso. E, agora, com a força da Internet, das rádios concorrentes e das emissoras digitais por aí afora, a Cidade parece não ter muita força entre os roqueiros. E não tem mesmo.

Se o rock rola solto até nos arquivos de áudio do You Tube, com LPs inteiros de bandas seminais, artistas alternativos e obscuridades musicais, por que os fãs de rock em geral e de cultura alternativa perderão tempo dando ouvidos a uma rádio POP se passando por "roqueira" às custas de uns poucos hits? O público hoje está mais exigente, queiram ou não queiram os mercadores da mídia brasileira.

sábado, 12 de abril de 2014

TEATRO ABEL NÃO TEM ACESSO PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS


O Instituto Abel, localizado na Av. Roberto Silveira, em Niterói, precisa de obras para que melhore o acesso a portadores de necessidades especiais, como idosos, gestantes e deficientes físicos, pessoas que vivem seus momentos de fragilidade e precisam de ajuda para subirem as escadas que se dirigem ao último andar do teatro.

O único elevador que existe para tais pessoas é insuficiente e só vai até o segundo andar. A escadaria é muito cansativa e quando minha mãe vai assistir, junto com meu pai, a uma peça de teatro, volta sentindo dores, porque só tem a escadaria como opção.

É certo que o prédio do Instituto Abel é muitíssimo antigo, mas isso não impede que sejam feitas adaptações no seu interior para favorecer a chamada acessibilidade, porque os tempos são outros e hoje temos muito mais preocupações de caráter altruísta do que antes.

Por isso, é necessário que sejam feitas obras de reformas para que se permita que idosos, gestantes e deficientes possam ter acesso ao Teatro Abel, para curtirem o direito de assistirem aos espetáculos nele realizados.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

MICHAEL SULLIVAN E A MÚSICA POPULAR DE BEZERRINHOS


É vergonhoso ver que tanta gente está agora aceitando Michael Sullivan como se fosse um "gênio da MPB", e se mostrou pouco preocupada com as denúncias de Alceu Valença contra o esquema que Sullivan e comparsas montaram para promover o jabaculê e destruir a MPB.

No mais típico estilo "morde e assopra", Michael Sullivan agora se passa por "bom moço" da MPB. Como um político em campanha, que abraça todo mundo que encontrar pela frente, Sullivan cortejou até o exigente Sérgio Ricardo, que nunca teve um lugar no mainstream da música brasileira tocada nas rádios.

Só que isso tem nome: DEMAGOGIA. Sullivan comandava com mão de ferro um esquema perverso de degradação da música brasileira. Impôs um comercialismo feroz que fazia com que os artistas envolvidos abrissem mão de sua personalidade artística para adotar fórmulas musicais inspiradas no hit-parade norte-americano.

Alceu Valença denunciou o esquema, sem dizer nomes. E lamenta que hoje ninguém mais tem capacidade de criticar a decadência da música brasileira, aceitando de bom grado e com preocupante submissão qualquer coisa que faça sucesso sob o rótulo de "música brasileira", até mesmo as piores breguices.

Michael Sullivan impunha seu "estilo" - quer dizer, suas regras de mercado - para os artistas subordinados a ele. Queria transformar artistas de MPB em pastiches do que se fazia no comercialismo musical dos EUA, pasteurizando as gravações com arranjos piegas e sem criatividade.

De repente, Michael Sullivan sumiu e, esperto, agora volta como "gênio injustiçado". É rir da cara de nós mesmos. Ele agora corteja todo mundo, de Ana Carolina a Sérgio Ricardo, de Roberta Sá a Fernanda Takai, como se ele fosse o articulador maior da MPB. Sullivan agora bajula de bossanovistas a roqueiros. Grande balela.

Daí a comparação com um político em campanha, que abraça criança, abraça velhinho, abraça açougueiro, abraça headbanger, tudo para querer ser eleito com um número maior de votos. E é constrangedor ver que as músicas de Michael Sullivan agora tocam em rádios de MPB e adulto contemporâneo, assim, impunemente.

No Brasil estamos nesse clima comparável ao de alguém que mata um inocente para depois os familiares da vítima lhe oferecerem um almoço de boas vindas. Hoje poucas pessoas entendem realmente de MPB, umas pensam que "verdadeira MPB" é coisa de quem lota plateias com facilidade, outros pensam que MPB é meramente o cuverte artístico que se toca nos restaurantes.

Numa época em que a antiga unanimidade musical, Roberto Carlos, começa a ter divulgados aspectos sombrios de sua carreira, é incoerente que Michael Sullivan saia ileso nos dias atuais. Afinal, Sullivan nada seria se não fosse Roberto Carlos naqueles tempos em que apoiava a ditadura, e os dois foram até parceiros nas aventuras mais mercantilistas dos anos 80. Vide "Amor Perfeito" e "Meu Ciúme".

A memória curta das pessoas e a mania de condescendência de muitos é que faz com que os picaretas de outrora voltem como se fossem "gênios brilhantes". A música de Michael Sullivan não melhorou com o tempo, nem sua reputação. Ele continua tão medíocre e tosco quanto antes.

O problema é que o brega do qual ele foi um dos chefões teve esperteza e marketing suficiente para ressurgirem diante de uma plateia de gente carneirinha. Gente que mais parece ver a MPB como Música Popular de Bezerrinhos, que aceitam qualquer porcaria comodamente. Mas isso não é perder o preconceito, é ser ainda mais preconceituoso na aceitação de tudo sem verificação.

terça-feira, 8 de abril de 2014

WINDOWS XP (2001-2014)... R.I.P.


Hoje o Windows XP praticamente está aposentado. A Microsoft desativou definitivamente seus serviços de atualização e proteção contra vírus previstas nos Service Pacs 1 e 2, que eram destinados a essa versão do Windows. Na prática, é como se a Microsoft encerrasse de vez a trajetória do XP, mesmo na condição de versão alternativa do Windows.

Os usuários de computador podem continuar adotando o Windows XP - como eu mesmo - , pelo menos por enquanto, mas é bom nos prepararmos porque muitos dos aplicativos já se encontram incompatíveis para leitura pelo XP.

Atualmente, a Microsoft prefere apostar no Windows 7, lançada há cinco anos atrás e que reconfigurou todo o conteúdo dos aplicativos e outros aspectos que incluem janelas, operações etc. É a partir dele que a empresa de Bill Gates disponibiliza agora seus serviços de atualização, segurança e aperfeiçoamento técnico.

Quem utilizar o Windows XP depende unicamente de programas de proteção contra malwares, spywares e vírus disponíveis na rede. Existem vários gratuitos, como o Avast!, contra vírus. Isso porque a Microsoft não disponibiliza mais serviços de segurança para XP. Com isso, os computadores com o programa ficam mais vulneráveis.

Para quem quer substituir o Windows XP por Windows 7, terá que pagar cerca de R$ 260 por um CD de instalação. O jeito é poupar muito dinheiro ou então se contentar com o XP, com a consciência de que o uso do computador ficará cada vez mais precário e vulnerável.